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A Espanha é uma campeã mundial de jogo 'chato'? Entenda por que você pode ter essa impressão e o que ela revela

Luis de La Fuente é o técnico da Espanha — Foto: Justin Setterfield/Getty Images/AFP

RESUMO

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GERADO EM: 20/07/2026 - 20:26

Espanha supera críticas e conquista Mundial com jogo estratégico

A Espanha,campeã mundial,é frequentemente vista como uma equipe de jogo "chato" devido à sua posse prolongada e placares baixos,mas essa percepção ignora seu volume ofensivo e recorde de gols. Sob o comando de Luis de la Fuente,a seleção dominou adversários como Argentina e França,mantendo a melhor defesa do torneio. Apesar de carecer de um artilheiro,a equipe mostrou eficiência e organização,conquistando o título com um futebol estratégico e coletivo.

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A superioridade da Espanha sobre a Argentina na final da Copa do Mundo impressionou,mas não foi a primeira vez que a seleção espanhola sobrou em campo. O amplo domínio da equipe nem sempre se traduziu em muitos gols e deixou o jogo um tanto quanto arrastado e monótono,algo que virou uma tônica da campanha. Afinal,o estilo de jogo da atual campeã é realmente "chato" ou essa impressão passa mais pelo demérito dos adversários?

É verdade que a percepção sobre o que é agradável ou não no futebol é totalmente subjetiva,já que existem diferentes formas de vencer uma partida. Por outro lado,os cenários parecidos nos jogos da Espanha ajudam a entender melhor o conceito aplicado por Luis de la Fuente,responsável por levar a seleção ao topo do mundo sem ficar atrás do placar em nenhum momento do torneio e com amplo domínio sobre adversários do peso de França e Argentina

Se cinco dos oito jogos terminaram com no máximo dois gols,o volume ofensivo da Espanha passou a sensação de que os placares ficaram menores do que poderiam. O empate sem gols com Cabo Verde,na estreia,foi o exemplo mais claro: 74,2% de posse de bola,27 finalizações,11 escanteios e 2,29 de xG — estatística que mede a probabilidade de uma finalização terminar em gol.

Yamal celebra o título da Espanha na Copa do Mundo de 2026 — Foto: JUAN MABROMATA / AFP

Com 1,75 gol por partida,a média supera a da Espanha campeã em 2010,mas fica abaixo das marcas de Argentina-2022,França-2018,Alemanha-2014 e Brasil-2002. Ainda assim,os 14 gols representam um recorde espanhol em Copas do Mundo,superando os 12 de 1986. A seleção campeã em 2010 marcou apenas oito vezes.

— A Espanha carece de um jogador mais goleador. Não necessariamente um centroavante de referência,mas alguém mais letal,como Yamal precisa se tornar para cumprir a expectativa de ser o sucessor de Messi e Cristiano Ronaldo. Mesmo sem esse perfil,a seleção conquistou a Eurocopa e a Copa,mas poderia ser ainda mais forte com um finalizador de alto nível — destaca Conrado Santana,comentarista do Canal Goat.

O time de Luis la Fuente chegou a exagerar na falta de efetividade,mas também encontrou diferentes autores de gols ao longo da campanha. Oyarzabal marcou cinco,enquanto Yamal,Porro,Merino,Fabián Ruiz,Baena e Ferran Torres também balançaram as redes. O último,inclusive,se tornou o herói do título ao marcar,na prorrogação,e decretar a vitória por 1 a 0 sobre a Argentina.

Líder em média de passes certos (597,5) e terceira seleção com maior posse de bola no Mundial (63,9%),a Espanha não apenas empurrava os adversários para a defesa,como também controlava o jogo defensivamente a partir do ataque. Embora a presença constante no campo ofensivo possa gerar certa morosidade,a estratégia se mostrou eficiente: a equipe sofreu apenas um gol e terminou com a melhor defesa da competição,ao lado da Colômbia.

— A Espanha sofreu muito pouco e permitiu poucas chances aos adversários,resultado de um trabalho coletivo que ia além do goleiro. Era um time que já atacava pensando em se defender,recuperava a bola rapidamente e sabia exatamente como se posicionar. Rodri foi um dos grandes símbolos desse equilíbrio,pela capacidade de marcar,interceptar e iniciar jogadas. O trabalho de Cubarsí,Laporte e Cucurella também foi fundamental para uma equipe que uniu organização coletiva,posse de bola e intensidade — analisa Conrado.

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