
Caminho livre. O calçadão de Copacabana sem ambulantes: apreensões encheram três caminhões até o fim da manhã — Foto: Domingos Peixoto / Agência O GLOBO
GERADO EM: 16/07/2026 - 22:53
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
A operação Tolerância Zero,lançada pela Prefeitura do Rio para reforçar a fiscalização na orla da Zona Sul,abordou 88 ambulantes e apreendeu 108 bebidas e 136 alimentos sem comprovação de procedência ou nota fiscal no primeiro dia de ação. Segundo o balanço divulgado pelo município,também foram recolhidos cinco triciclos,11 carrocinhas e três veículos utilizados como depósitos irregulares. Ao longo do dia,a presença ostensiva dos fiscais esvaziou o comércio ambulante em praias como Copacabana e terminou com um protesto de camelôs,que fecharam duas faixas da Avenida Atlântica no fim da tarde em defesa do direito de trabalhar.
Contexto: camelôs fazem protesto e fecham duas pistas da Avenida Atlântica,em Copacabana,na Zona SulNo Centro do Rio: Polícia Federal prende funcionário de banco suspeito de integrar organização criminosa que teria desviado cerca de R$ 2 milhões
O esquema de ordenamento começou ainda na madrugada,com a instalação de grades no caminho para a praia entre o Leme e o Leblon. Duplas de agentes da Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) passaram a controlar os acessos à orla e a reter produtos sem procedência comprovada. O plano do município prevê o emprego de 160 agentes nas ruas 24 horas,e 69 pontos de monitoramento.
A medida foi adotada após uma série de reportagens do GLOBO mostrar a desordem reinante no cartão-postal,cujo auge foi a quebra de um “pacto de não agressão” entre facções criminosas na disputa pelo controle da orla do Leme e de Copacabana.
Um funcionário da Seop informou que três caminhões carregados de apreensões foram usados da madrugada até o fim da manhã. A maior concentração de agentes da Secretaria de Ordem Pública e da Guarda Municipal foi vista em Copacabana,onde,além dos que se instalaram nas esquinas das vias que chegam à orla,pelo menos dez viaturas pararam diante do Hotel Copacabana Palace,em uma espécie de base.
Continuar Lendo
Duplas de fiscais também ocuparam os acessos à orla no Leblon e em Ipanema,nas esquinas das ruas Rita Ludolf,Bartolomeu Mitre,Afrânio de Melo Franco,Henrique Dumont e Gomes Carneiro. Veículos de patrulha trafegaram pela orla,e uma tenda foi instalada no Arpoador.
A manifestação de camelôs de ontem,que já havia acontecido na véspera,foi acompanhada por policiais militares e terminou de forma pacífica,com buzinaço diante do Copacabana Palace.

Manifestações. Camelôs protestam novamente diante do Copacabana Palace — Foto: Domingos Peixoto / Agência O GLOBO
— Fomos proibidos de trabalhar. E ainda não existe diálogo com a prefeitura. O que queremos é poder trabalhar de forma organizada — disse o vendedor Júlio César Viana,de 43 anos.
Na Avenida Atlântica,no Leme,próximo à Praça Heloneida Studart,uma vendedora de quentinhas foi abordada por uma equipe da prefeitura,que recolheu a comida. No caso dos vendedores de milho e queijo coalho,há ainda a proibição,por um decreto do ano passado,do uso de gás ou carvão. Espetinhos também foram vetados.
Acostumado a dar expediente na Praia de Ipanema entre a tarde e a noite,José Wilton esteve no local pela manhã para acompanhar o início da fiscalização. Ele chegou a se ajoelhar diante de funcionários da prefeitura para pedir diálogo.
— Não vou conseguir trabalhar hoje — desabafou o vendedor de churros.
Quem seguiu trabalhando normalmente foi o vendedor de mate Artur Jorge Silva,no Arpoador há 20 anos. Ele conta que,após um passado de forte repressão,hoje trabalha com licença,desde que a atividade foi reconhecida como patrimônio cultural carioca,em 2012.
— Tinha que arrumar um meio de legalizar os outros ambulantes. Todo mundo precisa trabalhar — afirmou.

© Hotspots da moda portuguesa política de Privacidade Contate-nos