TENDENDO Jul 8, 2026 IDOPRESS

Ondas de choque e balão: hospital brasileiro testa com sucesso novo tratamento para desobstruir placas de gordura nos vasos

Aterosclerose — Foto: Magnific

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 06/07/2026 - 17:59

Inovação no Tratamento de Artérias Coronarinas: Técnica Sem Stents

Pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein e da Universidade de Verona desenvolveram um tratamento inovador para desobstruir artérias coronárias pequenas e calcificadas,combinando litotripsia intravascular e balão farmacológico. O estudo,apresentado no EuroPCR 2026,mostrou que a técnica é segura e eficaz,evitando o uso permanente de stents. Resultados iniciais são promissores,mas pesquisas adicionais são necessárias.

O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

Uma alternativa que combina duas técnicas para desobstruir artérias coronárias de pequeno calibre e severamente calcificadas se mostrou segura e eficaz em substituir o uso permanente de stents,de acordo com um estudo inédito feito por pesquisadores brasileiros e italianos. Os resultados do trabalho foram apresentados em uma sessão de destaque no EuroPCR 2026,um dos principais congressos mundiais da área cardiovascular.

Teste seus conhecimentos no Vida Boa: Dieta rica em fibras pode reduzir o risco de câncer de intestino? Ebola: Surto na África é agravado por emergências humanitárias e de segurança

Conforme vamos envelhecendo,as artérias também acompanham esse processo natural e em algumas pessoas,começa a formar placas de gordura,processo conhecido como doença aterosclerótica. A doença arterial coronária ocorre quando as placas de gordura acometem as artérias do coração. Os sintomas incluem dor no peito,irradiação da dor,falta de ar e cansaço inexplicável. Se não tratada,pode levar ao infarto do miocárdio.

Em mais de 90% dos casos e doença aterosclerótica,além das placas de gordura,existe também algum grau de calcificação,ou seja,um acúmulo de placas de cálcio. Esse acúmulo pode variar de leve até muito acentuado. As artérias de pequeno calibre e severamente calcificadas são um dos cenários mais desafiadores da cardiologia intervencionista.

— Chamamos de calibrosa e confortável de trabalhar uma coronária de três milímetros de diâmetro. Se três é grande,imagina o que chamamos de pequeno. Então,você vai lidar com uma coronária de dois milímetros,fininha e toda endurecida — diz Pedro Alves Lemos,diretor de Cardiologia do Einstein Hospital Israelita e um dos pesquisadores do estudo.

Continuar Lendo

De acordo com os pesquisadores,nesse perfil anatômico,de vaso pequeno e com muita calcificação,os stents costumam não ir bem. Costumam dar cicatrizações exacerbadas,que por sua vez,podem novamente obstruir a artéria.

Isso porque,embora os stents tenham revolucionado o tratamento da doença coronariana,eles continuam permanentemente na artéria e podem estar associados,ao longo do tempo,a novas obstruções,inflamação local e necessidade de reintervenções,em especial em vasos de fininhos,como os analisados no estudo.

Desenvolvido por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita,junto à Universidade de Verona,na Itália,o novo estudo investigou a combinação entre litotripsia intravascular (espécie de ondas de choque) e balão farmacológico em 50 pacientes tratados na Itália e no Brasil.

A litotripsia intravascular é uma técnica que utiliza ondas de choque para fragmentar o cálcio acumulado na parede das artérias,facilitando o preparo adequado da placa aterosclerótica antes do uso de balões ou stents. O princípio físico é o mesmo utilizado para o tratamento de pedra nos rins,só que dentro da coronária.

— Vamos com um balão que tem emissores de energia na ponta. Quando aplicamos,essa energia sônica quebra e desorganiza a arquitetura do cálcio — diz Guy Fernando de Almeida Prado Junior,cardiologista intervencionista do Einstein Hospital Israelita e um dos pesquisadores do estudo.

— Um bom exemplo é aquela imagem clássica de uma soprano que pega uma taça de cristal que vibra e quebra apenas usando a voz. —explica Lemos. — Conseguimos criar uma onda sonora que vai atingir exatamente a coisa dura. O resto,que é o ao redor,o mole,a carne,a artéria,não é danificado.

Após esse preparo com litotripsia,é utilizado um balão farmacológico revestido com paclitaxel — medicamento que ajuda a reduzir o risco de nova obstrução do vaso. Esse balão é inserido,insuflado no local desejado para transferência da medicação e,sem seguida,retirado com a medicação já transferida. A estratégia busca restaurar o fluxo sanguíneo nas coronárias sem deixar nenhum tipo de prótese permanente no paciente (como os stents).

—Essa combinação não tinha sido testada. É aí que está nossa pesquisa e o que essa pesquisa piloto mostrou é que na imensa maioria das pessoas,conseguimos modificar a estrutura do cálcio da placa,colocar a medicação e ter boa evolução clínica,mesmo sem usar o stent — diz Lemos. — O que esse estudo mostra é que agora,com as tecnologias,temos uma avenida enorme para explorar,porque até então,com alguma frequência não tínhamos o que fazer.

— Os resultados iniciais demonstraram um perfil bastante favorável de segurança e eficácia,sem ocorrência de morte cardíaca,infarto ou necessidade de nova revascularização relacionada à lesão tratada no primeiro mês após o procedimento — completa Prado Junior.

Segundo os pesquisadores,a proposta pode representar uma mudança importante em casos complexos.

— O conceito deste estudo é particularmente interessante porque tenta tratar lesões coronárias calcificadas sem deixar uma estrutura metálica definitiva dentro da artéria. Em pacientes selecionados,isso pode favorecer uma resposta vascular mais fisiológica ao longo do tempo — afirma Lemos.

Análises também apontaram que a artéria tratada mantém ou até amplia seu calibre após o procedimento. Apesar de promissores,a equipe ressalta que os resultados ainda são preliminares e estudos maiores,comparativos e com acompanhamento de longo prazo serão necessários para confirmar a segurança e a eficácia da estratégia.

Esse é um estudo binacional,feito no Brasil e na Itália,mas a ideia é dos pesquisadores brasileiros.

— É um estudo em que dividimos esforços e isso acho que é uma coisa muito interessante,o Brasil interagindo de igual para igual com a Europa — avalia Lemos.

Além disso,estudos multicêntricos já chegam muito mais validados com relação à representatividade e isso é muito importante em pesquisa clínica.

— Nós tivemos essa ideia e um parceiro europeu aceitou fazer esse estudo. Isso exemplifica a capacidade da cardiologia brasileira de contribuir em nível mundial — conclui Lemos.

Tópico Moda: Guia Ultimate para as últimas tendências da moda

Bem -vindo ao nosso guia sobre as últimas tendências da moda! Neste mundo de moda em ritmo acelerado e em constante mudança, pode ser um desafio acompanhar os estilos e tendências mais recentes. Mas não tema, porque o abordamos. De desfiles ao estilo de rua, de grampos clássicos a designers emergentes, nosso guia abrangente fornecerá tudo o que você precisa saber para navegar no emocionante mundo da moda. Vamos embarcar nessa jornada de alfaiataria juntos e descobrir como você pode abraçar sem esforço as últimas tendências da moda!