
Cientistas descobrem movimento inesperado que fez o Japão se deslocar após terremoto — Foto: Reprodução/Google Maps
GERADO EM: 24/06/2026 - 10:19
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Um fenômeno sísmico até então desconhecido pode ter ocorrido após o terremoto de magnitude 9,0 que atingiu o Japão em 11 de março de 2011. Segundo um estudo liderado pela geofísica Sunyoung Park,da Universidade de Chicago,e publicado neste mês,quase todo o território japonês se deslocou alguns milímetros para leste cerca de 15 minutos após o início do tremor,em um movimento uniforme e permanente que passou despercebido por mais de uma década.
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As medições realizadas por estações de GPS registraram um deslocamento de aproximadamente 5 a 6 milímetros em uma faixa que se estende de Hokkaido,no norte,até Kyushu,no sul,cobrindo cerca de 3 mil quilômetros. O movimento ocorreu depois do terremoto principal e antes de réplicas significativas,o que chamou a atenção dos pesquisadores.
— O que foi incomum nesse movimento é que basicamente todo o Japão estava se movendo de uma forma quase uniforme,ao mesmo tempo — afirmou Park,responsável pela pesquisa.
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Após anos analisando dados sísmicos e de posicionamento por satélite,a equipe concluiu que as ondas geradas pelo terremoto percorreram milhares de quilômetros até o núcleo terrestre e retornaram à crosta,desencadeando movimentos em diferentes limites de placas tectônicas. Embora os cientistas já soubessem que ondas sísmicas podem atravessar o interior do planeta e refletir no núcleo externo,acreditava-se que a maior parte da energia se dissipava antes de voltar à superfície.
— Este tipo de onda profunda desencadeando um evento desse tipo é algo novo,e o próprio evento é incomum por sua abrangência — explicou Park.


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Auge da temporada das cerejeiras atrai visitantes a parques e templos no Japão — Foto: AFP


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Auge da temporada das cerejeiras atrai multidões ao Japão — Foto: AFP
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De acordo com os pesquisadores,o deslocamento detectado liberou uma quantidade de energia comparável à de um terremoto de magnitude 7,5. Ainda assim,por estar distribuída por uma área extremamente ampla,a energia teria sido sentida de forma menos intensa do que em um tremor convencional dessa magnitude.
O geofísico Goran Ekström,da Universidade Columbia,que não participou do estudo,destacou que o terremoto de 2011 já havia deslocado a ilha de Honshu cerca de 20 centímetros para leste devido ao movimento das placas tectônicas. O novo fenômeno,porém,chama atenção pela escala geográfica sem precedentes.
Segundo os autores,a descoberta pode ter implicações para a compreensão dos riscos sísmicos. Como a viagem das ondas até o núcleo e de volta leva cerca de 15 minutos,esse tipo de evento poderia,em tese,ser antecipado após grandes terremotos. Para Amanda Thomas,da Universidade da Califórnia em Davis,que também não participou da pesquisa,os resultados sugerem que falhas geológicas podem continuar sendo influenciadas por ondas sísmicas muito depois da ruptura principal.
— Ainda não entendemos completamente como as falhas funcionam,e esse tipo de observação nos fornece mais uma peça importante desse quebra-cabeça — afirmou.
O terremoto de março de 2011 foi o mais forte já registrado no Japão. O abalo,ocorrido a cerca de 372 quilômetros a nordeste de Tóquio,provocou um tsunami devastador,desencadeou a crise nuclear de Fukushima e deixou aproximadamente 20 mil mortos.

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