O presidente Lula e o presidente do Senado,Davi Alcolumbre,conversam na posse de José Guimarães — Foto: Cristiano Mariz

O presidente Lula e o presidente do Senado,Davi Alcolumbre,conversam na posse de José Guimarães — Foto: Cristiano Mariz
Duas semanas antes da votação no Senado que rejeitou Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF),o presidente do Senado,Davi Alcolumbre (União Brasil-AP),se queixou a Lula de estar sendo perseguido pela Polícia Federal (PF),que toca diferentes inquéritos relacionados a ele e aliados,e pediu ao presidente que o ajudasse a se blindar do que chamou de “injustiças”. A maior delas,na visão de Alcolumbre,seria a delação do executivo Daniel Vorcaro,que entregou nesta quarta-feira (6) a sua proposta para análise dos investigadores.
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Na conversa,que ocorreu nos bastidores da posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais,José Guimarães,responsável pela articulação política do governo,Alcolumbre disse que a delação de Vorcaro viria com “muitas mentiras e injustiças” sobre ele e apelou a Lula para que o ajudasse a ficar de fora. De acordo com o relato que fez a aliados,Lula respondeu que não tem como segurar delegado da PF,o Ministério Público Federal (MPF) e muito menos o Supremo. E alegou que o diretor-geral da corporação,Andrei Rodrigues,tem agido com responsabilidade para evitar injustiças,repetindo o termo usado pelo presidente do Senado.
Dias depois,quando Alcolumbre comandou a articulação que levou à derrota histórica do governo na votação do nome de Messias no plenário,o círculo próximo do presidente no Palácio do Planalto atribuiu o movimento a um revide,uma vez que o presidente do Senado estaria monitorando de perto não só os bastidores da delação de Vorcaro mas também de outras investigações que podem chegar a ele,como a dos desvios do INSS e a dos investimentos de R$ 400 milhões do fundo de pensão do Amapá em letras financeiras do Master.
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Interlocutores do senador,por sua vez,reconhecem que ele está muito preocupado com o andamento das investigações do INSS e do Master e se julga perseguido pelo governo,mas afirmam que a rejeição de Messias no plenário não tem relação direta com a pretensão de Alcolumbre em conseguir uma blindagem junto a Lula. O maior revés legislativo de Lula neste terceiro mandato seria decorrência do fato de Messias ser rejeitado por uma Casa que tinha um candidato próprio – o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG),preterido por Lula.
"Alcolumbre sabe o tamanho da bronca em que se meteu”,disse um interlocutor do presidente do Senado ouvido reservadamente pelo blog. “Ele é tão vingativo quanto o Lula e não dá pra saber onde isso vai parar. Mas o fato é que o Davi está com medo.”
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Procurado pelo blog,Alcolumbre afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que “jamais tratou do Banco Master” com o presidente Lula e “muito menos fez qualquer queixa ou alegação nesse sentido”. Em nota,a assessoria disse que “embora tentem,de forma recorrente,associá-lo ao assunto,Davi Alcolumbre não possui qualquer relação com o Banco Master e não é investigado,citado ou arrolado,sob nenhuma forma,em qualquer apuração relacionada ao caso”.
Não faltam movimentos que expõem o temor de Alcolumbre com o avanço dos casos Master e INSS.
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No ano passado,sua gestão decretou sigilo de 100 anos sobre registros de entrada e saída do lobista conhecido como Careca do INSS,acusado pela Polícia Federal de comandar o esquema bilionário de descontos indevidos das aposentadorias. O Senado também se recusou a informar os registros de entrada de Vorcaro na Casa,em resposta a um pedido formulado pelo blog via Lei de Acesso à Informação.
Em outras duas manobras de autodefesa,Alcolumbre se recusou a prorrogar a CPI do INSS – e ainda decidiu arquivar o requerimento de instalação da CPI do Banco Master,impedindo a abertura de uma nova frente de investigação em pleno ano eleitoral.
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As duas investigações,que apavoram não só ele mas toda a cúpula do Congresso,estão no STF sob a relatoria do ministro André Mendonça,um dos principais cabos eleitorais da fracassada campanha de Messias ao STF.
O entorno de Alcolumbre também está em pânico com o avanço dos inquéritos. Um dos maiores aliados de Alcolumbre na Casa é o senador Weverton Rocha (PDT-MA),relator da indicação de Messias,que já entrou na mira da PF. Em dezembro do ano passado,Weverton foi alvo de uma operação de busca e apreensão em uma fase da Operação Sem Desconto,que investiga o esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias do INSS.
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Na véspera da votação de Messias,Weverton garantiu a integrantes do governo Lula que o chefe da AGU teria,pelo menos,45 votos necessários para ser aprovado,quatro a mais do que o mínimo exigido pela Constituição – 41 votos. Messias acabou tendo apenas 34 votos “sim”.
Confira,abaixo,a íntegra da nota encaminhada pela assessoria de Alcolumbre:
“Não é verdade. O presidente do Senado,jamais tratou do Banco Master com o presidente Lula e muito menos fez qualquer queixa ou alegação nesse sentido.
O presidente está cansado de conversas de “ouvir dizer”,baseadas em ilações e relatos sem qualquer comprovação. Embora tentem,em qualquer apuração relacionada ao caso.
É irresponsável transformar interpretações subjetivas e rumores de bastidores em fatos jornalísticos sem qualquer elemento concreto que sustente essa narrativa.
Assessoria de Imprensa da Presidência do Senado”

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