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Análise: Ação militar no Irã é percebida nos EUA como maior desastre geopolítico do país desde o Vietnã, e não só pela oposição a Trump

O presidente dos Estados Unidos,Donald Trump — Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

O presidente dos Estados Unidos,Donald Trump — Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP

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GERADO EM: 08/04/2026 - 18:51

Ação Militar dos EUA no Irã: Críticas e Temor de Novo Vietnã

A recente ação militar dos EUA no Irã é vista como um desastre geopolítico comparável ao Vietnã. Republicanos temem derrotas eleitorais e democratas questionam a capacidade de liderança de Trump,de 79 anos. O cessar-fogo temporário não resolve a tensão,com críticas internas e externas ao governo. A administração enfrenta questionamentos sobre sua estratégia e consequências econômicas,enquanto a oposição explora a fragilidade política de Trump.

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Se fosse um manual,o título está dado: “Como implodir seu próprio governo em seis semanas.” De forma reservada,um estrategista político americano dos mais austeros sintetizou assim ao GLOBO os 39 dias de ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Ele o fez após o anúncio,na noite desta terça-feira,do cessar-fogo entre Washington e Teerã para as próximas duas semanas e que,de acordo com Tel Aviv,exclui o teatro de guerra do Líbano,onde segue o conflito com o Hezbollah. O veterano de pleitos desde os anos 1990 jamais trabalhou para o Partido Democrata e não é uma voz isolada no flanco da direita. Desastre já é palavra usada por governistas,e cada vez menos apenas à boca miúda,para traduzir "a aventura de Donald Trump no Irã".

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A maior parte o faz,pelo viés ideológico,de olho no legado da segunda passagem do republicano pela Casa Branca e na cada vez maior percepção da base trumpista de estelionato eleitoral cometido em 2024,quando o então candidato presidencial denunciou as “guerras sem fim nos cafundós do planeta”,com bilhões desviados do bem-estar dos cidadãos americanos. Se mostram especialmente contrariados com a previsão ao Orçamento de US$ 1,5 trilhão pela Casa Branca para despesas militares pós-Irã enquanto o custo de vida,a gasolina,os fertilizantes para o agro e o preço dos planos de saúde disparam.

Os mais oportunistas centram seu desgosto na perda de seus cargos,com a derrota maior do que a esperada para a oposição nas eleições de novembro após os passos em falso no Irã. Não é coincidência o Comitê de Campanha ao Senado do Partido Republicano anunciar investimento inédito de US$ 342 milhões nas disputas majoritárias,com socorro gordo de dólares a estados que votam majoritariamente na direita há décadas,entre eles Alasca e Ohio.

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E os governistas menos tacanhos alertam ainda para o que já consideram ser,mesmo com fim inconcluso da transformação em curso no Oriente Médio,o maior erro geopolítico de Washington desde a Guerra do Vietnã. Destacam a falta de confirmação do fim da ameaça militar do Irã e da capacidade do país de produzir armas atômicas,além do controle por Teerã do estratégico Estreito de Ormuz. Nenhum deles compra a inverdade de Trump de que houve mudança de regime em Teerã e que o novo comando,como o cessar-fogo indicaria,estaria interessado em “colaborar com Washington”. Não têm ilusão de estarem às voltas com uma nova Caracas de Delcy Rodriguez.

Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel — Foto: Editoria de Arte/O Globo

Capacidade de Trump em xeque

As ameaças,por escrito,de Trump,de destruir “toda uma civilização” em apenas uma noite,afastaram ainda mais a opinião pública americana da Casa Branca,com recordes de narizes torcidos para o governo. Pesquisas internas do Partido Republicano constataram o tamanho do tombo destes 40 dias,especialmente entre os independentes,com a aprovação estacionada em um dígito. Como não votam diligentemente em um dos dois lados do bipartidarismo ianque,tendem a ser os mais decisivos. Mais desperto do que o costume,o Partido Democrata percebeu a oportunidade,e vozes de peso da oposição passaram a cobrar o secretariado trumpista e o vice-presidente,JD Vance,a debaterem a aplicação da 25ª emenda da Constituição dos EUA,instituída em 1967. Ela prevê que a maioria do Gabinete e o vice têm o dever de enviar,em conjunto,ao Congresso,declaração por escrito se constatarem a incapacidade do presidente de comandar o país.

Isso jamais aconteceu,o Legislativo atual é dos mais submissos ao Executivo da História americana,e os auxiliares mais próximos do republicano se dividem entre os que dizem sim,e sim,senhor,ao líder. Foi o que reforça reportagem do New York Times ao detalhar o encontro na Casa Branca que resultou no convencimento do republicano,pelo primeiro-ministro de Israel,Benjamin Netanyahu,sobre o ataque conjunto ao Irã. Alguns até questionaram a credibilidade da projeção do linha-dura israelense da queda veloz do regime após a eliminação do aiatolá Ali Kamenei,de revolta popular de monta e da minoria curda pegando em armas,mas ninguém se interpôs de fato ao impulso de Trump. Ainda assim,a discussão pública da incapacidade do político de 79 anos de seguir no comando do país,por si só,atesta a fragilidade inédita do Trump 2.0.

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Fraturas começam a ser percebidas até nas Forças Armadas. A Fundação Militar para Liberdade Religiosa,organização independente fundada dois anos após a invasão do Iraque pelos EUA,que defende soldados e oficiais americanos às voltas com discriminação,informou ter recebido,desde o início do ataque ao Irã,mais de 200 reclamações formais de proselitismo coercitivo. O uso da religião,especialmente pelo Secretário de Defesa,Pete Hegseth,com a apresentação do ataque ao Irã como uma cruzada contemporânea,ainda causa atritos. E a ameaça,pelo presidente,de cometer o que poderiam ser qualificados como crimes de guerra,inclusive o mais grave deles,o genocídio,fez com que pelo menos um oficial da reserva tratasse reservadamente da dificuldade dos comandantes de cumprirem missões percebidas como desumanas e/ou ilegais.

É consenso que Trump reage de forma ainda mais inconsequente quando se percebe sem saída. Mas,no Irã,até republicanos avaliam que ele extrapolou,ao desafiar,sem exceções,todas as instituições do país. E o fez às vésperas da celebração dos 250 anos da democracia americana,em julho,e no momento em que poderia colher frutos do sucesso e do fascínio gerado pela missão Ártemis II.

Ao ignorar a necessidade de o Congresso aprovar uma guerra,dar de ombros aos aliados internacionais em meio a uma crise econômica global e aplicar tom vulgar às ameaças a Teerã,inclusive com a sugestão não explícita do uso de armas nucleares,o presidente teria,temem os republicanos,extrapolado sua irresponsabilidade e aumentado a probabilidade de a revolução ultraconservadora do Trump 2.0 começar a ser interrompida já no próximo semestre. Curiosamente,boa parte desses críticos de ocasião não se alarmaram há pouco mais de uma década,quando o então candidato à Presidência afirmou,em evento político,que sua base lhe era tão fiel a ponto de ele poder atirar a esmo em alguém na Quinta Avenida,em Nova York,e eles ainda votarem nele. Miraram nos votos e deixaram para depois a sugestão de crime.

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