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Levantamento inédito revela consumo de cocaína e maconha por 8,5% das gestantes

Cultivo de maconha em um clube de cannabis em Montevidéu,Uruguai — Foto: Etan Abramovich / AFP RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

Cultivo de maconha em um clube de cannabis em Montevidéu,Uruguai — Foto: Etan Abramovich / AFP

RESUMO

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GERADO EM: 02/04/2026 - 20:18

Estudo Revela Uso de Drogas em 8,5% das Gestantes no RS

Um estudo do Hospital de Clínicas de Porto Alegre revelou que 8,5% das gestantes consomem cocaína ou maconha,com 4,5% testando positivo para cocaína e 4% para maconha. Iniciado em 2022,o levantamento já realizou 23 mil testes de urina. A iniciativa visa melhorar o atendimento pré-natal e evitar complicações decorrentes da abstinência em mães e bebês. O protocolo,considerado inédito,é conduzido com cuidado ético e busca sensibilizar para os riscos do uso de substâncias na gestação.

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Um levantamento inédito feito no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) mostrou que 8,5% das cerca de 250 gestantes que realizam o parto na unidade a cada mês haviam consumido maconha ou cocaína nas semanas anteriores durante o ano de 2025. De 2.754 testes de urina realizados,124 tiveram resultado positivo para cocaína,o equivalente a 4,5%,e 112 para maconha,4% das grávidas.

O levantamento começou em 2022 e,desde então,realizou quase 23 mil exames de urina. Os números revelam ainda uma alta: no primeiro ano,o percentual era de 6,8% – 2,9% de consumo de cocaína e 3,9% de maconha. A pesquisa foi desenvolvida pelos Serviços de Pediatria,Ginecologia e Obstetrícia,Serviço Social e Psiquiatria de Adições,em conjunto com o Comitê de Bioética do hospital. Os responsáveis pretendem publicar os dados numa revista científica.

A coordenadora de Saúde Mental do HCPA,Lisia von Diemen,explica que a testagem de uso de substâncias pela urina não é um protocolo comum por não ser recomendado pelas autoridades de saúde. Esse cuidado deve fazer parte do pré-natal,em que o médico é aconselhado a perguntar à gestante sobre o consumo de álcool e outras drogas:

— Mas vemos que a investigação no pré-natal é pouco feita e,quando é realizada,costuma ser sub-reportado porque as mulheres têm um constrangimento de falar,e às vezes o profissional não tem um treinamento adequado para fazer essa pergunta. Nosso levantamento é algo inédito no país e até em algumas situações no mundo.

Lisia aponta que,no início do protocolo,em janeiro de 2022,a prevalência de maconha era maior do que a de cocaína,o que é esperado já que o uso da droga é mais comum e fica mais tempo presente na urina. No entanto,a proporção de testes positivos para cocaína aumentou e,no último ano do levantamento,ultrapassou a de maconha.

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— Como a dependência de maconha é fisicamente menos intensa,é mais fácil parar quando a pessoa precisa. E tivemos uma interrupção dos serviços de saúde durante a pandemia que acredito ter impactado o problema. No Rio Grande do Sul,também tivemos a questão das enchentes,em que tivemos serviços de internação fechados,por exemplo. O principal Caps (Centro de Atenção Psicossocial),que era 24h,ficou fechado. Então os recursos para atendimento de adição já tinham sido afetados e foram novamente impactados — avalia.

A motivação para realizar as testagens no hospital surgiu após casos de abstinência da mãe e/ou do bebê em que os médicos não sabiam o que estava causando os sintomas,levando a investigações desnecessárias e afetando o suporte a esses pacientes.

— Começamos a ter muitos problemas com gestantes que começavam a entrar em síndrome de abstinência durante o puerpério,ou com bebês com sintomas inexplicáveis que iam para a UTI (unidade de terapia intensiva),investigava-se e depois descobrimos que era efeito ou ainda da substância ou de abstinência. Então ficávamos sabendo apenas na complicação — conta Lisia.

Com isso,a equipe do hospital passou a oferecer o teste,que não é obrigatório,mas teve uma taxa de adesão elevada,de cerca de 95%. O exame de urina indica consumo de maconha até 30 dias antes da coleta e de cocaína nos dois ou três dias anteriores. O objetivo era entender a proporção de gestantes que faziam uso de substâncias e melhorar o atendimento das mães e de seus bebês

Uma medida importante que passou a ser adotada é evitar a amamentação nas primeiras 24 horas das pacientes que ainda estavam com quadros de intoxicação. Lisia cita que no caso da maconha,por exemplo,o leite materno concentra muito tetrahidrocanabinol (THC),aumentando a exposição e os riscos para o bebê.

Entre os benefícios observados,está evitar punções desnecessárias dos bebês para detectar uma possível inflamação mas que,na verdade,eram episódios de abstinência,e aproveitar a janela de oportunidade que se abre quando a mãe tem um filho para motivá-la a aderir ao tratamento e cessar o uso de drogas,aponta o professor do Serviço de Neonatologia da unidade Leandro Meirelles Nunes:

— A intenção é auxiliar as mães a entender o problema e estimular o tratamento precoce,visando o bem-estar e a saúde de toda a família.

Para os responsáveis,o protocolo também foi custo-efetivo porque,ao evitar que um bebê precise ir para uma UTI graças ao diagnóstico precoce de uso de substâncias pela mãe,economizou-se o suficiente para realizar os testes por vários meses.

Mas Lisia ressalta a importância de conduzir essa estratégia com um cuidado ético. Ela conta que houve uma discussão com os setores de bioética e jurídico do hospital para que os testes fossem usados apenas de forma assistencial,e não de uma maneira negativa,como para discriminar a gestante ou para interferir na guarda do bebê.

Riscos para os bebês

Como o álcool fica poucas horas na urina,ou seja,o teste não conseguiria identificar o consumo,um questionário também foi aplicado às gestantes. Ele revelou que 10,4% eram enquadradas no “comportamento de risco”,haviam ingerido bebidas durante a gravidez.

— Mas é um número muito subestimado porque elas ficam muito constrangidas de falar disso. No geral,esses dados devem servir como uma espécie de alerta. Da importância de alertar sobre os malefícios do uso de substâncias na gestação. Há muito pouca informação,sobre a maconha,que tem um efeito bem importante sobre os bebês — alerta Lisia.

O consumo de álcool durante a gestação pode causar a síndrome alcoólica fetal,produzindo alterações nas feições do bebê ao nascer: olho mais amendoado,com o sulco nasolabial menos desenvolvido. Ao crescer,aumenta o risco da criança apresentar atraso no desenvolvimento mental.

O uso da maconha na gravidez e durante a amamentação,por sua vez,tem sido associado ao aumento da morbidade e mortalidade materna e infantil. Também aumentam as chances de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional,parto prematuro,baixo peso ao nascer e morte no primeiro ano de vida. Os bebês também podem ficar hipotônicos e apresentar tremores,sono inquieto e choro sem consolo,o que pode ser confundido com um quadro de sepse.

A chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do HCPA,Maria Lucia Oppermann,afirma que foi observado que algumas grávidas acreditam que a maconha causaria menos prejuízo que o cigarro. Já outras vêm de comunidades em que o uso faz parte da prática social,convivem com maridos usuários ou escondem o uso da família.

Já a cocaína pode adiantar o parto e provocar baixo peso ao nascer. Estudos também sugerem aumento do risco de aborto espontâneo,descolamento prematuro da placenta e diminuição do comprimento e da circunferência cefálica da criança no nascimento.

Além disso,pode prejudicar a irrigação do intestino da criança,causando perfuração intestinal. A longo prazo,a criança pode apresentar déficit cognitivo,distúrbios psiquiátricos e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Na mãe,há o risco de pré-eclâmpsia.

Os especialistas defendem a criação de uma política pública que possa acompanhar essas mulheres no pós-parto. No HCPA,quando o uso de cocaína é detectado,a gestante é avaliada e segue em acompanhamento pelas equipes do Serviço Social e do Serviço de Psiquiatria de Adições,que podem recomendar o prolongamento da internação ou o uso de medicamentos para evitar as crises de abstinência,o que ocorreu para cerca de 40% das mães.

Lisia sugere que os Caps criem atendimentos voltados ao tratamento dessas mulheres,que “precisa ser diferente,separado dos demais pacientes com transtorno por uso de substâncias”. Para ela,muitas mães “não procuram ou não aderem ao tratamento por medo do estigma associado ao uso de substâncias por mulheres,em particular na gestação e puerpério”,complementa.

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