Barricas de madeira no museu da vinícola Taylor\'s,que produz um dos vinhos do Porto mais tradicionais de Portugal,em Vila Nova de Gaia — Foto: Rafael Galdo/O Globo

Barricas de madeira no museu da vinícola Taylor's,que produz um dos vinhos do Porto mais tradicionais de Portugal,em Vila Nova de Gaia — Foto: Rafael Galdo/O Globo
GERADO EM: 04/03/2026 - 18:38
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Nas terras do apreciado vinho do Porto,a experiência é completa — e de aguçar todos os sentidos. Em charmosas aldeias no Vale do Rio Douro,no interior de Portugal,a produção das uvas se estende por uma deslumbrante paisagem de montanhas,e se pode visitar caves onde a bebida envelhece e ganha sabores e aromas nos barris de madeira. Nas áreas rurais ou na vibrante região da cidade do Porto,degustações,almoços e jantares em restaurantes com chefs estrelados harmonizam os melhores rótulos com pratos da alta gastronomia e das tradições locais. Hotéis de luxo onde a cultura vinícola se sobressai em cada detalhe são o pouso de conforto e requinte entre um gole e outro. E a viagem se completa num verdadeiro parque temático,o World of Wine (WOW),com museus e opções de entretenimento para celebrar os tintos,brancos e rosés.
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Esta é a proposta do The Fladgate Partnership,que nos últimos anos juntou sua expertise na produção e na distribuição do vinho do Porto com a aposta no enoturismo. Em todas as atividades,o selo é de saberes acumulados desde 1692,quando o grupo de origem inglesa se instalou no norte português para primeiramente fundar a Taylor’s — de muitas safras premiadas —,e,depois,incorporar a Fonseca,a Croft e a Krohn,outras das principais casas produtoras europeias.

A icônica Ponte Luís I,que cruza o Rio Douro ligando as cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia,no norte de Portugal — Foto: Rafael Galdo/O Globo
Ao longo desses séculos,galpões à beira do Rio Douro,em Vila Nova de Gaia,vizinha da cidade do Porto,guardavam alguns dos vinhos mais famosos da região,à espera de ganharem o mundo. Reformados,são esses antigos armazéns que abrigam hoje o WOW,um distrito cultural interativo com sete museus,12 restaurantes e bares,lojas,uma escola de vinho e outra de chocolate,além de galeria de exposições temporárias,
Para iniciados ou não,é o ponto de partida ideal para mergulhar no universo que o roteiro oferece. No complexo de oito mil metros quadrados,aberto em 2020,o museu The Wine Experience,por exemplo,oferece visita imersiva que mostra em que zonas do planeta há condições para plantio dos vinhedos — enquanto que no Pink Palace,dedicado aos rosés,o convite é à diversão,como nadar numa grande piscina de bolinhas cor de rosa. É um dos atrativos que dialoga com o momento atual do grupo,que investe,além do Porto,em vinhos mais leves,de mesa,e nos rosés,para diversificar e rejuvenescer seu público. Refrescante,o drinque do rosé tônico virou sucesso em lugares descolados e pode ser encontrado em bares como os do Lx Factory,em Lisboa.

Angel's Share,um sofisticado bar de vinhos e coquetéis dentro do World of Wine (WOW),complexo cultural e gastronômico em Vila Nova de Gaia,no norte de Portugal — Foto: Rafael Galdo/O Globo
— Acredito que,para uma região se tornar sustentável em termos econômicos,precisa de conteúdo. Isso significa promover experiências e a interação do viajante com o povo,com a história de uma cidade,a riqueza local. É o que torna o lugar único — afirma Adrian Bridge,CEO do Flatgate Partnership,sobre a estratégia do grupo na região.
Perto dali,outra atração reforça essa ideia,abrindo portas à tradição. Caves tricentenárias foram reformadas e se tornaram o museu da Taylor’s,no qual é possível conhecer a história do rótulo clássico. Nas visitas guiadas ou com audioguias,o passeio acontece em meio a mais de mil barris de diferentes tamanhos e material,que vão produzir sabores variados.
Nos tonéis maiores,ficam os vinhos mais encorpados que,por terem menos contato com a madeira,mantêm a cor mais escura e os sabores frutados. Um dos cascos é gigante,um dos maiores da Europa,com 100 mil litros e capacidade de produzir 133 mil garrafas. Na loja do museu,encontram-se à venda algumas das joias da produção,das mais baratas,como o Late Bottled Vintage,de € 16,50,às mais caras,como o Taylor’s SH 1896,de € 4.600. E é bom preparar o paladar e olfato,porque degustações arrematam essa jornada.

A cidade do Porto,do outro lado do Rio Douro,vista a partir da janela de um dos quartos do hotel The Yeatman,um dos mais conhecidos de Vila Nova de Gaia,no norte de Portugal — Foto: Rafael Galdo/O Globo
No fim,se o visitante tiver exagerado um pouco na bebida,não precisa se preocupar. A poucos passos do Taylor’s fica o The Yeatman,hotel vínico de luxo do grupo com vistas de tirar o fôlego. Aberto em 2010,o cinco estrelas foi um dos motores da transformação turística do Porto e da Vila Nova de Gaia nas duas últimas décadas. Visto de longe,do famoso Cais da Ribeira,na outra margem do Douro,a arquitetura do hotel em formato de ondas se assemelha ao desenho de uma vinha numa colina. Do lado de dentro,o requinte predomina,com janelas e jardins que são uma coleção de ângulos do Rio Douro e da cidade do Porto.
Todos os 109 quartos,cada um com o nome de uma vinícola (da Fladgate ou de parceiros),têm uma dessas panorâmicas. É possível avistar pontos históricos,como a Sé do Porto e a Torre dos Clérigos. É um horizonte que convida a relaxar,apreciando as cores do céu e da cidade,que vão mudando ao longo do dia.
—Aqui temos o melhor dos dois mundos. A calma da Vila Nova de Gaia,de um lado do Rio Douro. Porém,estamos muito perto,a cerca de dez minutinhos,da agitação do Porto — diz Margarida de Bessa Pinto,gerente de vendas do hotel.

A escadaria no interior do hotel The Yeatman,referência em enoturismo na região do Rio Douro,no norte de Portugal — Foto: Rafael Galdo/O Globo
Como não poderia deixar de ser num destino de excelência de Portugal,ali a gastronomia,harmonizada com os vinhos,claro,também é uma das protagonistas. O menu fica a cargo do chef português Ricardo Costa,que comanda dois restaurantes (o Restaurante Gastronômico,com duas estrelas Michelin,e o The Orangerie) e um bar,o Dick’s Bar & Bistro.
Elegância que é cenário ainda de eventos. Entre eles,os sunsets de verão,ao longo dos meses de julho,agosto e setembro,normalmente nas terceiras quintas-feiras do mês. As comemorações de São João,padroeiro do Porto,acontecem na noite de 23 para 24 de junho,quando o céu é tomado por pequenos balões. Há também jantares harmonizados às quintas-feiras,com um menu especial preparado pelo chef para combinar com o vinho do evento. E o calendário se completa com grandes encontros como o do último mês de novembro,quando chefs portugueses (eram sete com estrelas Michelin na edição mais recente) se reúnem num jantar com música para um grupo seleto.
Rafael Galdo viajou a convite do The Fladgate Partnership

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