ESTILO DE VIDA Aug 5, 2026 IDOPRESS

Justiça decreta prisão de filha da vidente Rosa Stanesco, acusada de instigar Sabine Boghici a cometer suicídio

Sabine Coll Boghici é filha do marchand Jean Boghici,falecido no Rio em 2015,e de Geneviève Rose Marie Coll Boghici — Foto: Reprodução

A juíza titular da 1ª Vara Criminal do Rio,Alessandra Roidis,decretou a prisão preventiva de Catarina das Graças Stanesco,filha da vidente Rosa Stanesco,suspeita de induzir,instigar ou auxiliar ao suicídio de Sabine Coll Boghici,filha do marchand Jean Boghici. A decisão proferida em 30 de julho,portanto,na última quinta-feira,determinou a prisão preventiva de Catarina e de seu companheiro,Rafael Maia Cardoso. A reabertura das investigações sobre a morte de Sabine foi publicada com exclusividade pelo blog Segredos do Crime,em setembro do ano passado,depois que a mãe da vítima,Geneviève Boghici,contestou a conclusão inicial de suicídio e apontou indícios de que a filha teria sido induzida a tirar a própria vida.

Caso Boghici:genro de falsa vidente é preso por suspeita de induzir Sabine Boghici,herdeira de marchand,ao suicídioCaso de Sabine Boghici, herdeira de marchand,é reaberto após mãe contestar suicídio


Nesta terça-feira,o companheiro de Catarina,Rafael Maia Cardoso,foi preso por policiais da 9ª DP (Catete). Ambos foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pela morte de Sabine Coll Boghici. Na denúncia,o promotor Eduardo Paes Fernandes pediu ao juízo que o casal respondesse,por cárcere privado,tortura e instigação ao suicídio,sendo este último considerado hediondo. Catarina é filha de Rosa Stanesco,viúva de Sabine,que também é investigada no caso,mas teve o inquérito desmembrado por determinação da magistrada.

A vidente Rosa Stanesco foi condenada a 45 anos e 9 meses de prisão em regime fechado. Ela foi apontada como chefe de uma quadrilha que aplicou um golpe milionário de R$ 725 milhões contra Geneviève Boghici,viúva do colecionador de arte Jean Boghici,mãe de Sabine. Rosa continua presa.

Confinamento

De acordo com o MPRJ,Sabine passou a viver num apartamento na Avenida Borges de Medeiros,na Lagoa,depois de deixar a prisão,em 2023,sem ter para onde ir. A filha de Jean Boghici havia sido acusada de estelionato,extorsão,roubo majorado,sequestro e cárcere privado contra a própria mãe dela,mas conseguiu a liberdade provisória. A denúncia descreve um processo progressivo de isolamento: a vítima teria ficado sob vigilância constante de Catarina,impedida de manter contato livre com amigos,familiares e até com os próprios advogados,como o blog informou.

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Testemunhas ouvidas na investigação,como porteiros,administradora do condomínio e uma amiga de longa data de Sabine relataram à polícia que as visitas eram sistematicamente barradas por ordem de Catarina,e que a vítima só conseguia falar ao telefone com pessoas de fora sob supervisão direta da filha de Rosa. Um vídeo mostra Sabine trancada do lado de fora da varanda do apartamento da Lagoa pedindo,desesperadamente,que a porta fosse aberta.

Agressões diárias

A denúncia narra um quadro de violência física reiterada nos meses anteriores à morte,ocorrida em 14 de setembro de 2023. Um dos porteiros do prédio afirmou ter ouvido gritos de socorro e sons compatíveis com agressões praticamente todos os dias,e disse ter escutado Catarina dizer que Sabine apanhava por ser "responsável" pela prisão de Rosa Stanesco. Em depoimentos à Polícia Civil,uma testemunha relatou ter presenciado,por diversas vezes,Catarina puxando os cabelos da vítima e desferindo tapas em seu rosto — sempre,segundo ela,na presença de Rafael,que nada fazia para impedir.

Polícia prende Rafael Maia Cardoso por suspeita de induzimento ao suicídio de Sabine Boghici — Foto: Divulgação/ PCERJ

Segundo o MPRJ,baseado nos relatos de testemunhas,Sabine também teria sido privada de alimentação adequada e mantida sob efeito constante de medicamentos psicotrópicos,em condições insalubres.

Instigação ao suicídio

O ponto central da denúncia,no entanto,é a acusação de instigação ao suicídio. O Ministério Público sustenta que os denunciados tinham pleno conhecimento da vulnerabilidade psíquica de Sabine — inclusive de uma tentativa anterior de se jogar pela janela do apartamento — e que,ainda assim,reforçaram sua suposta vontade suicida em vez de buscar ajuda.

Num dos trechos,o promotor ressalta: "os denunciados,de forma livre e consciente,em comunhão de ações e desígnios,cientes da extrema vulnerabilidade psíquica apresentada por Sabine Coll Boghici e das reiteradas manifestações de que pretendia atentar contra a própria vida,instigaram-na ao suicídio,reforçando e fortalecendo a resolução suicida já exteriorizada pela vítima".

Rosa Stanesco,acusada de aplicar um golpe contra a viúva do marchand Jean Boghici — Foto: Reprodução / Fantástico

A denúncia cita o depoimento de uma das testemunhas segundo o qual Catarina teria respondido às manifestações de Sabine sobre querer tirar a própria vida com a frase: "então se mata". Para o MPRJ,a fala não foi um episódio isolado,mas a "exteriorização mais evidente" de um estímulo que se desenvolveu ao longo de toda a convivência,dentro do contexto de violência e isolamento descrito na denúncia.

A decisão judicial

Ao receber a denúncia,a juíza Alessandra Roidis considerou que o Ministério Público expôs o fato criminoso de forma circunstanciada e que há justa causa para a ação penal,com indícios de autoria baseados no conjunto de depoimentos colhidos pela polícia. Como os crimes de tortura e de instigação ao suicídio qualificado são equiparados a hediondos,o processo seguirá o rito do Tribunal do Júri: ao final da primeira fase,os réus poderão ser pronunciados e julgados por um conselho de sentença.

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Para justificar a prisão preventiva,a magistrada apontou risco à ordem pública — dada a gravidade concreta e a continuidade das condutas ao longo de meses — e à instrução criminal,já que as principais testemunhas são pessoas do convívio diário do casal,como funcionários do condomínio,cujos depoimentos ainda serão colhidos em juízo.

A decisão também determinou o arquivamento do inquérito em relação a uma ex-empregada doméstica de Catarina investigada por associação criminosa e lavagem de dinheiro,e o desmembramento do processo referente a Rosa Stanesco Nicolau,mãe de Catarina.

O blog procurou Geneviève,que é assistente de acusação no caso,por meio de seus advogados,que optaram por não comentar e aguardar o andamento do processo na Justiça. As defesas de Catarina,Rafael e Rosa não foram encontradas. O blog segue aguardando as respostas e acompanhando o caso.

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