
Lincoln Financial Field,na Filadélfia,se prepara para receber jogos da Copa do Mundo — Foto: Brendan Smialowski / AFP
GERADO EM: 02/07/2026 - 11:17
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As paralisações de partidas da Copa do Mundo de 2026 por risco de raios têm chamado a atenção dos torcedores,mas seguem um protocolo de segurança consolidado nos Estados Unidos há décadas. O procedimento,adotado pela Fifa durante o torneio,determina a interrupção imediata dos jogos sempre que há possibilidade de descargas elétricas nas proximidades dos estádios,priorizando a proteção de atletas,equipes e público.
México x Equador: por que a partida começou depois do horário previsto?
A rigidez das regras tem relação direta com o histórico do país. Segundo o Conselho de Segurança contra Raios dos Estados Unidos,492 pessoas morreram após serem atingidas por raios entre 2006 e 2024. Quase dois terços das vítimas participavam de atividades de lazer ao ar livre,cenário que levou autoridades,em conjunto com o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS),a aperfeiçoarem medidas de prevenção.
As primeiras diretrizes começaram a ser estruturadas nos anos 1990. Em 1997,a NCAA,entidade que organiza o esporte universitário americano,formalizou recomendações que deram origem à chamada "Regra dos 30/30". O protocolo estabelece que áreas abertas devem ser evacuadas quando o intervalo entre um relâmpago e o trovão for de até 30 segundos,e que o retorno só pode ocorrer após 30 minutos sem novos sinais de tempestade.
A conscientização também ganhou força em 2001,quando o Serviço Nacional de Meteorologia lançou a campanha "When Thunder Roars,Go Indoors" ("Quando o trovão ruge,vá para dentro"),transformando a orientação em uma política amplamente difundida no país.
Hoje,os Estados Unidos utilizam uma rede de sensores capaz de detectar descargas elétricas em tempo real. Quando um raio é registrado em um raio de aproximadamente 13 quilômetros do estádio,alertas automáticos são enviados aos organizadores,que suspendem a partida e orientam a retirada de jogadores e torcedores para áreas protegidas. A retomada só é autorizada após 30 minutos sem novas ocorrências,o que pode prolongar a interrupção por várias horas.
A adoção desse modelo foi reforçada após uma tragédia ocorrida em 2012,no autódromo de Pocono Raceway,na Pensilvânia. Depois da interrupção de uma etapa da Nascar,um raio atingiu o estacionamento enquanto o público deixava as arquibancadas,deixando um morto e nove feridos. O episódio evidenciou falhas na gestão do risco e acelerou a implementação de protocolos centralizados baseados em monitoramento meteorológico.
O sistema já havia sido colocado à prova no Mundial de Clubes de 2025,disputado também nos Estados Unidos,quando seis partidas precisaram ser interrompidas por condições climáticas. Na atual Copa do Mundo,o primeiro caso ocorreu no duelo entre França e Iraque,que ficou paralisado por mais de duas horas após o intervalo. Mais recentemente,a partida entre México e Equador teve o início adiado em uma hora devido ao risco de tempestades,seguindo o mesmo protocolo de segurança.

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