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O presidente dos Estados Unidos,Donald Trump — Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP
GERADO EM: 06/05/2026 - 19:23
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O presidente dos Estados Unidos,Donald Trump,segue em busca de uma bala de prata que lhe garanta a vitória no conflito com o Irã. Primeiro veio o ataque aéreo em junho do ano passado,com o objetivo,segundo ele,de “obliterar” o programa nuclear iraniano. Depois,uma intensa campanha aérea em fevereiro,conduzida com Israel e,nas palavras do presidente,destinada a provocar uma mudança de regime e um levante popular. Em seguida,apostou em um bloqueio à navegação iraniana para pôr fim ao controle de Teerã sobre o Estreito de Ormuz. No domingo,anunciou o "Projeto Liberdade",plano para ajudar navios retidos a atravessar o estreito,mas suspendeu a operação apenas um dia após sua entrada em vigor,em meio a tentativas de negociação com os iranianos.
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Para autoridades e analistas,a convicção de Trump de que essas táticas levarão à capitulação do Irã é profundamente equivocada. Segundo eles,trata-se de uma leitura errada da estratégia,da psicologia e da capacidade de adaptação da República Islâmica. O governo iraniano acredita que tem vantagem e pode suportar a pressão econômica,como já fez no passado,por mais tempo do que Trump conseguirá tolerar o aumento dos preços de energia provocado pela paralisação do tráfego no estreito.


Se algo mudou,foi o endurecimento das posições do Irã. Já as táticas de Trump permaneceram as mesmas.
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— A cada momento em que a pressão não produz o resultado esperado,ele busca uma nova ferramenta de coerção,acreditando que isso irá magicamente gerar vitória — afirma Ali Vaez,diretor do projeto sobre o Irã no International Crisis Group. — Ele sempre acredita que é só apertar o torniquete um pouco mais.
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Para Vaez,a pressão pode funcionar com o tempo,“mas pressão sem uma porta aberta é um exercício inútil”.
— Trump não entende que,independentemente da pressão,se não houver uma saída que preserve a imagem deles e um acordo mutuamente benéfico,e não capitulação ou rendição,não haverá acordo — argumenta.
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Especialistas duvidam que o tempo jogue a favor de Trump.
— [Os EUA] podem certamente causar mais danos à economia iraniana,mas o país já suportou mais pressão do que qualquer outra economia na História,e isso não levou ao colapso do regime nem a posições mais moderadas — diz Suzanne Maloney,especialista em Irã e diretora do programa de política externa da Brookings Institution.
Segundo ela,o Irã é um Estado altamente autoritário e os fatores políticos que poderiam levar a concessões praticamente não existem,destacando que o regime executa manifestantes com frequência. Trump,por sua vez,também não parece disposto a fazer concessões neste momento,apesar dos impactos econômicos da alta dos preços de energia.
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Na terça-feira,o presidente disse a jornalistas em Washington que o bloqueio americano ao Estreito de Ormuz tem sido “incrível” e afirmou que “ninguém vai desafiar o bloqueio”. Ele também reiterou que “o Irã quer fazer um acordo”,mas acusou os líderes iranianos de “jogar” ao dialogarem com ele e,ao mesmo tempo,negarem isso publicamente.
O conflito se tornou um teste de força entre Irã e Estados Unidos. Os dois lados têm conhecimento limitado um do outro e raramente estiveram na mesma sala,afirma Sanam Vakil,diretora do programa para o Oriente Médio e Norte da África do Chatham House. Segundo ela,os países têm abordagens culturais muito diferentes para negociações e não conseguem se entender.
— Acho que o presidente Trump não compreende realmente o que motiva os iranianos. Eles não tomam decisões com base no PIB. Se fosse assim,já teriam fechado um acordo há anos — acrescenta.


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Navio comercial visto da costa de Dubai em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: AFP


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Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã — Foto: Reprodução/Nasa
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Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP

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Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/Nasa via AFP
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Navio é visto perto da costa de Ras al-Khaimah,nos Emirados Árabes Unidos,a caminho do Estreito de Ormuz — Foto: AFP

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Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP
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Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe CACACE / AFP

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Lancha trafega pelo Estreito de Ormuz perto da costa dos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP
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Cargueiro tailandês foi atacado perto do Estreito de Ormuz,no último dia 11 — Foto: AFP

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Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe Cacace/AFP
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Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan,no Estrei no Ormuz — Foto: AFP

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Navio da Marinha iraniana participa de exercícios navais na região do Estreito de Ormuz — Foto: EBRAHIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO
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Passagem crucial para o comércio mundial é tema central na guerra entre países
Embora os riscos econômicos sejam elevados para o Irã,Trump parece ter superestimado a gravidade da situação. Ele aposta que a capacidade do país de armazenar o petróleo que produz,mas não consegue exportar,se esgotará rapidamente,forçando Teerã a fazer grandes concessões.
— Se não conseguirem escoar o petróleo,toda a infraestrutura vai entrar em colapso — disse Trump no fim do mês passado. — Dizem que eles têm apenas três dias antes que isso aconteça.
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A avaliação foi considerada exagerada. Alguns especialistas acreditam que o Irã ainda tem várias semanas antes de precisar interromper a produção. O país,que exportava cerca de 1,81 milhão de barris por dia em abril,pode reduzir a produção enquanto continua armazenando petróleo em petroleiros antigos ou vazios — com capacidade de até 2 milhões de barris cada — além de escoar parte por via terrestre e ferroviária para o Paquistão.
Durante o primeiro mandato de Trump,o Irã reduziu sua produção para cerca de 200 mil barris por dia sem danos significativos à sua infraestrutura.
— O Irã ainda está longe de sequer começar a fechar seus poços — diz Brett Erickson,da Obsidian Risk Advisors. Para ele,sanções e bloqueio podem surtir efeito,mas “não há um cenário viável em que produzam o resultado necessário no prazo desejado” por Trump.


No passado,sanções americanas e internacionais rigorosas à economia e ao setor de petróleo do Irã acabaram levando o país à mesa de negociações. Anos de conversas resultaram no acordo nuclear de 2015,pelo qual o Irã aceitou limitar seu programa de enriquecimento de urânio por mais de uma década em troca da suspensão de grande parte das sanções.
O Irã cumpriu o acordo. Mas Trump,em seu primeiro mandato,retirou os EUA do pacto em 2018 e restabeleceu duras sanções na política de “pressão máxima”,com o objetivo de forçar um novo acordo mais rígido. Apesar das dificuldades econômicas e da redução da produção de petróleo,não houve novo pacto.
Um ano depois,após países europeus não conseguirem contornar as sanções americanas,o Irã começou a ultrapassar os limites de enriquecimento. Desde então,produziu urânio altamente enriquecido,próximo ao nível de uso militar,suficiente para fabricar cerca de dez armas nucleares,caso decida fazê-lo. Esse estoque,estimado em cerca de 440 quilos,permanece intacto. O país afirma agora que não negociará seu programa nuclear enquanto o conflito continuar e sem garantias de que não será retomado.
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Conversas discretas com os EUA continuam,já que o regime vê o momento como uma oportunidade para resolver seu conflito histórico com Washington — o que é diferente de ceder à pressão.
O Irã gostaria de chegar a um acordo,mas seus líderes acreditam que ceder à pressão apenas levaria a mais pressão no futuro,diz Vaez. Por isso,o país quer manter o controle sobre o estreito e cobrar taxas para financiar a reconstrução,sem confiar que qualquer governo americano vá aliviar as sanções.
— Eles não querem sobreviver à guerra para congelar em uma paz fria — conclui.

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