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Com cessar-fogo, EUA querem a abertura completa de Ormuz, mas Irã usou a guerra para consolidar controle do estreito

Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP

RESUMO

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GERADO EM: 08/04/2026 - 17:36

Tensões Diplomáticas Aumentam com Controle Iraniano no Estreito de Ormuz

Os EUA buscam a reabertura completa do Estreito de Ormuz após um cessar-fogo,mas o Irã consolidou seu controle sobre a passagem durante o conflito,exigindo poder de decisão sobre o tráfego e impondo tarifas. A estratégia iraniana,que envolve bloqueios e pedágios,impacta o comércio global e gera tensões diplomáticas,destacando a importância geopolítica do estreito e a resistência de Teerã em ceder controle.

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Ponto central das negociações sobre um cessar-fogo temporário e,provavelmente,dos termos para o fim da guerra no Irã,a reabertura completa do Estreito de Ormuz,por onde passam 20% das exportações de petróleo do mundo,é um desejo de boa parte da comunidade internacional,e chegou a ser citada na publicação em que o presidente dos EUA,Donald Trump,anunciou a trégua. Um alívio para as centenas de embarcações que aguardam o momento de cruzar a área e chegar a seus portos.

Entenda: Cessar-fogo foi anunciado como vitória por EUA e Irã,mas é possível apontar um vencedor?Impasse: Trump afirma que Líbano não faz parte de cessar-fogo com o Irã,enquanto Paquistão recebe denúncias de violações

Mas se depender de Teerã,o cenário pré-Operação Fúria Épica não será retomado tão cedo. Ao longo dos 39 dias de conflito,o regime aplicou com sucesso uma estratégia planejada por décadas para o estreito,virtualmente bloqueou a passagem e agora quer exige poderes para controlar a rota,decidindo quem pode transitar e quanto deve pagar pelo "privilégio". Uma pequena amostra do "dedo no gatilho",usando uma expressão da Guarda Revolucionária,veio nesta quarta-feira,quando o tráfego foi interrompido após ataques israelenses contra o Líbano,que deixaram mais de 200 mortos.

Entenda por que a reabertura total e irrestrita do Estreito de Ormuz será tão difícil a curto prazo.

Controle militar (com ajuda do terreno)

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Há décadas o Irã ameaça fechar Ormuz diante de riscos externos,como a Guerra Irã-Iraque,mas até o dia 28 de fevereiro eram apenas palavras e exercícios militares. Mas no início de março,a Guarda Revolucionária colocou em prática a estratégia defensiva. Com drones,mísseis,minas navais,lanchas e mensagens ameaçadoras por rádio,o tráfego de navios caiu quase a zero,provocando um congestionamento histórico em águas próximas e causando um choque do petróleo de grande porte.

Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel — Foto: Editoria de Arte/O Globo

A costa extensa deu aos iranianos uma ampla plataforma de lançamento contra quem desafiasse o bloqueio. O controle de ilhas como Qeshm — a maior do Golfo Pérsico,e nos últimos anos transformada em uma fortaleza — garantiu locais avançados de controle,observação e intimidação. Em seu trecho mais estreito,as duas margens estão a menos de 40 km de distância,e as águas mais rasas do lado iraniano restringem ainda mais as rotas. Ao contrário de outros pontos de travessia pelo mundo,não há um plano B para quem quer chegar ao interior do Golfo.

Garantias de segurança

Dentro do conceito de defesa do Irã,o Estreito de Ormuz passou a ser um elemento crucial de segurança contra ameaças externas,ao lado de seu arsenal de mísseis e drones. Ao fechar a passagem,Teerã coletivizou e maximizou os custos da guerra dos EUA e Israel,em uma tentativa de pressionar a comunidade internacional por um cessar-fogo. Deu certo: Trump fez três ultimatos exigindo a reabertura,e ameaçou eliminar a civilização iraniana no último deles.

A duas horas do fim do prazo,o americano piscou,anunciou a trégua e até republicou em suas redes sociais a declaração do governo iraniano de que iria controlar o estreito durante a pausa nos combates. Como disse Danny Citrinowicz,ex-chefe do departamento do Irã da inteligência de defesa israelense,ao Wall Street Journal,“o Estreito de Ormuz definitivamente se tornou tão importante para eles quanto os mísseis e o programa nuclear”,cujo controle “é imprescindível”. Os iranianos,especialmente a Guarda Revolucionária,também entendem que desarmar o sistema montado na área exigiria uma operação de tal porte que poucos ousariam se aventurar.

— Na tentativa de impedir o Irã de desenvolver uma arma de destruição em massa,os EUA entregaram ao Irã uma arma de perturbação em massa — explicou Ali Vaez,diretor do Projeto Irã do International Crisis Group,à agência Reuters. .

Fonte bilionária de renda

Em meio ao choque provocado pelo bloqueio,os iranianos sinalizaram que navios autorizados a trafegar por Ormuz precisariam pagar um pedágio,que poderia chegar a até US$ 2 milhões em determinados casos. Segundo o portal Lloyds List,desde o dia 13 de março,ao menos 26 navios trafegaram pela rota aprovada pela Guarda Revolucionária — as regras incluem o envio de documentos,lista de tripulantes e uma “checagem de risco geopolítico”,uma verificação se a embarcação pertence a algum país “hostil”,como Israel e EUA. O pagamento pode ser feito em riais iranianos,yuanes chineses ou em criptomoedas,jeito eficaz para evitar sanções. Um projeto para oficializar a cobrança está em fase final no Parlamento,e prevê uma tarifa de US$ 1 por barril de petróleo. Alguns petroleiros têm capacidade para até dois milhões de barris. Caso implementado sem percalços,o esquema poderá gerar até US$ 500 bilhões ao longo dos próximos cinco anos.

— O Irã aprendeu a manter a economia global como refém — disse Petras Katinas,pesquisador do think tank Royal United Services Institute,ao jornal britânico Telegraph.

Vantagem em disputas

Pouco depois do anúncio da trégua,o chanceler iraniano,Abbas Araghchi,estipulou que Teerã determinaria o ritmo da reabertura do estreito,ao contrário da retomada plena do tráfego,como a existente antes de Trump decidir lançar a "Operação Fúria Épica". Nas primeiras horas de cessar-fogo,o Irã interrompeu a passagem por Ormuz como resposta aos bombardeios israelenses contra o Líbano — teoricamente incluido no plano — e prometeu manter o bloqueio caso os ataques continuem. Nas negociações previstas para começar na sexta-feira,analistas esperam que o controle sobre a passagem seja usado para obter concessões generosas,ignorando as queixas dos países árabes que não quererem pagar mais por suas exportações. Mais do que uma arma de combate ou econômica,a supremacia (ao menos momentânea) sobre Ormuz deu a Teerã uma potente ferramenta política.

“Hoje,o controle sobre o Estreito de Ormuz oferece um tipo diferente de influência”,escreveu Hamidreza Azizi,pesquisador visitante do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança,em uma análise nos últimos dias. “Uma influência que é imediatamente visível nos mercados globais,continuamente exercitável e menos dependente de ciclos prolongados de negociação e processos diplomáticos.”

A legalidade (ou não) do fechamento

Mas a estratégia iraniana deve enfrentar questionamentos legais. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar,em seu Artigo 17,garante a embarcações que não ameacem áreas consteiras o direito da "passagem inocente",aquela considerada contínua e rápida por águas territoriais internacionais. Ao estipular a cobrança de pedágio,o Irã rompe com a ideia de que o mar não pertence a ninguém. Philippe Delebecque,professor e especialista em direito marítimo da Universidade Sorbonne,em Paris,disse à Associated Press que “e liberdade de navegação sempre foi reconhecida,inclusive especificamente em estreitos",e questionou o que aconteceria se os países que margeiam os estreitos de Gibraltar e Malaca também começassem a cobrar. Irã e EUA não ratificaram a Convenção do Mar,o que não os isenta de cumprir a lei internacional ou as regras estabelecidas pelo direito internacional costumeiro.

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