Daniel Vorcaro,dono do Banco Master,alvo de nova operação de busca e apreensão — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Daniel Vorcaro,dono do Banco Master,alvo de nova operação de busca e apreensão — Foto: Ana Paula Paiva/Valor
GERADO EM: 04/03/2026 - 17:07
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O dono do Banco Master,Daniel Vorcaro,seguirá preso sem prazo determinado e vai ter o destino definido em um julgamento na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) marcado para a semana que vem.
Vorcaro foi preso na manhã de quarta-feira e encaminhado inicialmente para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Após a audiência de custódia determinar a manutenção da prisão,ficou decidido que ele e o cunhado,o empresário Fabiano Zettel,serão levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos,na Grande São Paulo.
A transferência foi possível após o ministro André Mendonça,relator do caso no STF,ter autorizado que todos os presos na terceira frase da Operação Compliance Zero seguissem para o sistema penitenciário estadual. após a realização dos procedimentos iniciais de custódia.
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A decisão atende a pedido da Polícia Federal,que informou ao Supremo que suas unidades não possuem estrutura adequada para manter presos por períodos prolongados. Segundo o órgão,as chamadas Unidades de Trânsito de Presos (UTP) são destinadas apenas à custódia temporária,voltada à realização de atos administrativos decorrentes do cumprimento de mandados judiciais,como identificação e registros formais.
A PF afirmou ainda que a permanência prolongada de detidos em suas instalações pode comprometer as atividades de investigação e aumentar riscos de segurança institucional,já que as unidades não contam com estrutura típica de estabelecimentos prisionais,como atendimento médico regular,rotinas de visitas e acompanhamento especializado.
Ao analisar o pedido,Mendonça concordou que as instalações da Polícia Federal são destinadas apenas à custódia breve e que a manutenção prolongada de presos nessas unidades pode desviar efetivo policial e prejudicar a atividade-fim da instituição.
Os integrantes da Segunda Turma do STF vão analisar em julgamento no plenário virtual a partir do dia 13 se mantêm ou revogam a prisão preventiva de Vorcaro. Além de Mendonça,o colegiado é composto pelos ministros Luiz Fux,Kassio Nunes Marques,Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
A sessão está prevista para começar às 11h do dia 13 e terminar no final da noite do dia 20. A prisão será analisada em julgamento virtual com a participação do antigo responsável pelo caso,Toffoli,que deixou a relatoria do inquérito após questionamentos sobre ligações com Vorcaro.
Ao justificar a prisão do banqueiro e de seus aliados,Mendonça anotou que a liberdade dos investigados comprometeria a investigação e a “confiança social” na Justiça. Segundo o ministro,permitir a liberdade de Vorcaro e de seus aliados “significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade”.
Ao pedir que Vorcaro voltasse para a prisão,a Polícia Federal classificou o banqueiro como “profissional do crime” e apontou indícios de monitoramento de autoridades e adversários por meio de uma “milícia privada”.
Mendonça autorizou nesta quarta-feira a terceira fase da Operação Compliance Zero e levou novamente à prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro,além de outros investigados. A investigação da Polícia Federal apura um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro,com suspeitas de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira,corrupção,lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo investigadores,o esquema teria utilizado estruturas do mercado financeiro para captar recursos e movimentar ativos de alto risco ou de baixa liquidez,além de operações que teriam servido para ocultar prejuízos e desviar recursos. A decisão também cita suspeitas de interlocução com servidores públicos e tentativas de interferir nas investigações.
A operação,chamada de Compliance Zero, já teve três fases. A primeira,deflagrada em novembro de 2025,investigou a suspeita de venda de carteiras de crédito sem lastro a outras instituições financeiras. A segunda,em janeiro deste ano,ampliou o foco para o uso de fundos de investimento ligados à gestora Reag para a circulação de recursos e aquisição de ativos considerados problemáticos. Já a terceira fase,autorizada agora pelo STF,inclui novas prisões e medidas cautelares contra investigados ligados ao caso.
Os advogados do dono do Banco Master afirmaram que ele “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.
Segundo os advogados Pierpaolo Cruz Bottini e Roberto Podval,Vorcaro colaborou com as investigações do caso Master “de forma transparente desde o início”. “A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”,registraram em nota.

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