
Casas Bahia - recuperação Judicial - Loja da Av.N.S. de Copacabana fechada — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo
O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia,cujas ações registraram a maior queda de sua história em um único dia,trará efeitos sobre o setor de varejo,especialmente o de eletrodomésticos e eletrônicos,que analistas já começam a estimar. Embora os impactos não sejam imediatos,os agentes avaliam que o fechamento de lojas e a redução da operação da varejista podem abrir espaço para concorrentes,especialmente aqueles mais dependentes do varejo físico.
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A expectativa é que parte das vendas migre para empresas que permanecem no mercado,fortalecendo principalmente o Magazine Luiza,entre as companhias listadas na Bolsa brasileira. Amazon e Mercado Livre também podem se beneficiar da crise de uma grande rede,sem contar redes não listadas,como Fast Shop e Tele Rio,que hoje disputam essa demanda.
Após a notícia de recuperação judicial da Casas Bahia,no domingo,as ações do Magazine Luiza fecharam o pregão de segunda-feira em alta de 8,44%,cotadas a R$ 4,24. O movimento refletiu,segundo analistas,a expectativa de que a concorrente possa ganhar participação de mercado com o encolhimento da rival.
— A expectativa é que,quem continue,fique um pouco mais forte,principalmente o Magazine Luiza. A Casas Bahia tinha uma presença maior no varejo físico e,com a eliminação de boa parte dessas lojas,o Magazine Luiza fica em uma posição melhor entre as empresas listadas — afirma Fernando Siqueira,diretor de pesquisa da Eleven Financial Research.
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Para Siqueira,porém,o movimento não elimina os desafios do setor. O varejo,especialmente o de bens duráveis,ainda depende de juros mais baixos e de uma aceleração da economia para ganhar fôlego. Ao mesmo tempo,a concorrência do comércio eletrônico pressiona as operações.
— É um setor que precisa de juros mais baixos e da economia crescer mais rápido. Talvez a crise da Casas Bahia faça o Magazine sobreviver por mais anos. Mas,claramente,o comércio online está espremendo o varejista físico — avalia Siqueira.
A crise da Casas Bahia também pode ter um impacto negativo,ainda que pequeno,sobre o Mercado Livre. Segundo relatório do Citi,a varejista é uma parceira estratégica da plataforma na venda de eletrônicos e eletrodomésticos pesados. Uma eventual interrupção dessa relação poderia afetar marginalmente a operação do marketplace.
Diante de uma eventual mudança nesse cenário,analistas do Citi que assinam o relatório esperam que o Mercado Livre poderá se aproximar do Magazine Luiza,que hoje mantém um acordo comercial semelhante com a Amazon.
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A Casas Bahia representa cerca de 2% das vendas de terceiros realizadas no marketplace brasileiro e menos de 5% do volume bruto de mercadorias vendido pela plataforma no país,segundo estimativas citadas pelo banco. A varejista tem cerca de 1 milhão de usuários ativos diariamente,ante 6 milhões do Magazine Luiza,de acordo com dados da SensorTower.
O impacto da recuperação judicial da Casas Bahia tende a ser limitado para as empresas de shopping centers. Segundo o Citi,a exposição das administradoras à varejista é pequena,o que reduz o risco de uma piora relevante na ocupação dos empreendimentos ou na receita com aluguéis.
Entre as empresas listadas,a Allos é a mais exposta. A companhia tinha lojas da Casas Bahia em 19 de seus shoppings em julho deste ano. A presença é maior em razão da atuação regional mais ampla da empresa.
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Para Iguatemi e Multiplan,o impacto tende a ser ainda menor. As duas tinham apenas uma unidade da Casas Bahia cada. No Shopping Esplanada,no caso do Iguatemi,e no ParkJacarepaguá,no caso da Multiplan.
Na avaliação do Citi,a exposição limitada reflete uma mudança na composição dos próprios shoppings. Nos últimos anos,as administradoras passaram a buscar um mix mais diversificado de lojistas.

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