
Churchill,a Idade de Bronze de Odisseu,a história das cidades,os segredos do universo e as memórias de um perfumista em cinco livros diferentes — Foto: Arte sobre fotos de arquivo,cena de "Odisseia",vista de Nova York por Eduardo Maia e Quentin Bertoux/Divulgação
Há alguns meses comecei a separar uns livros para fazer uma boa lista para o Dia dos Pais. Escolhi temas variados,fiz uma pilha no canto do escritório e eles ficaram lá,quietos e separadinhos. O plano teria dado muito certo se eu não tivesse confundido as datas: para mim,o Dia dos Pais seria agora,no próximo domingo. Eu podia fazer a egípcia e escrever sobre outra coisa qualquer,evitando confessar esse vexame,mas como? Os livros estavam esperando!
De modo que seguem aqui alguns deles,para quem não acredita em datas comerciais,mas,ainda assim,acha que o pai merece ser presenteado.
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“A guerra de Churchill 1940-1945”,de Max Hastings. Ninguém escreve sobre uma guerra como o jornalista e historiador inglês Max Hastings,que consegue fazer livros extremamente bem documentados sem transformá-los em leitura árida. Este não é exceção. Hastings aponta as vaidades e os erros táticos do primeiro-ministro,que,apesar dos pesares,foi responsável por manter o país de pé quando a derrota parecia certa. Um homem segura um mundo que desaba. (Tradução de Berilo Vargas para a Intrínseca.)
“1177 a.C. — O ano em que a civilização entrou em colapso”,de Eric Cline. Quem amou “Odisseia”,o filme,vai adorar esse livro. Ele descreve o mundo que existia em torno de Ulisses — ou,melhor dizendo,o mundo que estava desmoronando em torno dele. Num espaço espantosamente curto de tempo,quase todas as grandes civilizações do Mediterrâneo oriental da Idade do Bronze entraram em colapso ou foram profundamente abaladas. Terremotos,secas,fome,guerras,revoltas,interrupção do comércio,os misteriosos “Povos do Mar”: Eric Cline monta as peças numa espécie de policial arqueológico irresistível. Um mundo desaba sem ninguém para segurar. (Tradução de Fábio Alberti para a Avis Rara.)
“Metrópole”,de Ben Wilson. Numa história da Humanidade contada pelas cidades,Wilson parte de Uruk,há milhares de anos,e passa por Babilônia,Bagdá,Londres,Nova York,Lagos,Xangai,mostrando como a concentração de gente,comércio,ideias,doenças e confusão produziu boa parte do mundo em que vivemos. É um livrão,em todos os sentidos,que confirma que toda cidade é uma aposta contra o colapso. (Tradução de Odorico Leal para a Companhia das Letras.)
“Nosso Universo”,de Jo Dunkley. Dunkley é astrofísica,mas teve a delicadeza de lembrar que seus leitores provavelmente não são. Começa com coisas que julgamos entender — a Terra,o Sol,a Lua — e vai nos levando até quasares,superaglomerados e a geometria do espaço-tempo. É ciência de verdade explicada sem aquela desagradável sensação de que o autor está mostrando quanto sabe e nós não. No fim,é um bom lembrete de escala: tudo o que consideramos grande demais para desabar (impérios,cidades,primeiros-ministros) cabe num cantinho modesto de um universo que nem percebe que estamos aqui. (Tradução de Alexandre Bruno Tinelli para a Todavia.)
“Diário de um perfumista”,de Jean-Claude Ellena. Chega de drama! Depois de guerras,civilizações,cidades e do universo inteiro,vamos a algo mais íntimo e pessoal. Um dos maiores perfumistas do nosso tempo anota matérias-primas,viagens,encontros,lembranças e as pequenas obsessões de um ofício que transforma coisas invisíveis em sensações que nos arrebatam. Ellena escreve como cria perfumes: sem excessos,com inteligência e uma aparente simplicidade que dá um trabalho danado para conseguir. Um livro delicioso mesmo para quem nunca perdeu cinco minutos pensando no que há dentro de um frasco de perfume. (Tradução de Claudio Figueiredo para a Record.)

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