
Huascarán,montanha mais alta do Peru — Foto: Pexels
GERADO EM: 23/07/2026 - 19:01
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Há mais de uma semana os alpinistas Freddy Mendoza,Alejandro Ugarte e Artidoro Salas desapareceram em "La Garganta",a área localizada entre o Acampamento 1 e o Acampamento 2 do Monte Huascarán,no Peru,a aproximadamente 6 mil metros acima do nível do mar,em Áncash. O último contato com o grupo ocorreu na manhã do dia 14,quando um dos alpinistas conseguiu ligar por celular para informar que estavam perdidos. Desde então,as autoridades continuam as buscas sem sucesso.
Há mais de uma semana: O que se sabe sobre o desaparecimento de três alpinistas em Huascarán,montanha mais alta do Peru'El Topito': menino de 10 anos ajuda em operações de busca na Venezuela após terremotos
O incidente ressaltou mais uma vez os riscos envolvidos na escalada do pico nevado mais alto do Peru e um dos mais exigentes da Cordilheira Branca. Especialistas alertam que as mudanças climáticas estão alterando as condições das geleiras.
As famílias dos alpinistas desaparecidos lançaram uma campanha nas redes sociais para pedir apoio e agilizar as buscas. Enquanto isso,a Força Aérea Peruana (FAP) anunciou o envio do helicóptero MI-17 FAP 603 e de uma Brigada de Busca e Resgate (SAR),além da mobilização de 12 pessoas,incluindo quatro tripulantes e oito especialistas em resgate.
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Apesar disso,a urgência aumenta a cada hora que passa devido às condições extremas na região. Em Huascarán,as temperaturas podem cair para -15°C,enquanto a presença de fendas e o terreno glacial dificultam tanto a sobrevivência dos alpinistas desaparecidos quanto os esforços de busca e resgate.

Da esquerda para a direita,Alejandro Manuel Ugarte Jordán,Freddy Saúl Mendoza Lizana e Artidoro Salas Gaitán,os três alpinistas que desapareceram em Huascarán,no Peru — Foto: Reprodução / Redes Sociais
Além disso,este não foi o único incidente registrado em Huascarán recentemente. Na semana passada,no dia 16,uma avalanche no setor de La Canaleta deixou um carregador morto e um turista indiano ferido.
O deslizamento de neve ocorreu por volta das 7h30,a cerca de 5.500 metros acima do nível do mar,enquanto o grupo subia uma das rotas mais exigentes do Huascarán.
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Para explicar como as mudanças climáticas e o aumento das temperaturas estão alterando as condições de Huascarán,Wilson Alfredo Suárez Alaiza,Diretor de Inovação,Pesquisa e Desenvolvimento do Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia do Peru (Senamhi) e especialista em criosfera,disse ao El Comercio que a análise não deve se concentrar apenas nessa montanha,mas em toda a Cordilheira Branca.
— Devemos considerar todas as áreas onde a água existe em estado sólido,ou seja,o gelo das geleiras — afirmou.
O especialista explicou que,há 30 anos,a isoterma de 0°C localizava-se entre 4.600 e 4.700 metros acima do nível do mar. No entanto,devido ao aumento da temperatura do ar,agora encontra-se entre 4.900 e 5.000 metros.
— Como isso se relaciona com o aumento da temperatura? Bem,o gelo nas montanhas nevadas já não encontra uma temperatura que lhe proporcione a coesão e a dureza necessárias — explicou.


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Derretimento de gelo no Everest permite expedição em busca de vítimas da montanha — Foto: Prakash Mathema/AFP


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Campanha de limpeza,com um orçamento de mais de 600 mil dólares,empregou 171 guias e carregadores para trazer de volta 11 toneladas de lixo — Foto: Prakash Mathema/AFP
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Tendas fluorescentes,equipamento de escalada descartado,botijões de gás vazios e até excrementos humanos cobrem o caminho trilhado até o cume — Foto: Prakash Mathema/AFP

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Expedições estão sob pressão para remover os resíduos que criam,mas o lixo histórico permanece — Foto: Prakash Mathema/AFP
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Toneladas de lixo estão sendo recolhidas do Everest — Foto: Prakash Mathema/AFP

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Além do lixo,há o custo de milhares de dólares e até oito socorristas para resgatar cada corpo — Foto: Prakash Mathema/AFP
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Um corpo pode pesar mais de 100 kg e,em grandes altitudes,a capacidade de uma pessoa de transportar cargas pesadas é gravemente afetada — Foto: Prakash Mathema/AFP

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Grande quantidade de lixo é encontrada nas montanhas — Foto: Prakash Mathema/AFP
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Mais de 300 pessoas morreram na montanha desde o início das expedições na década de 1920,oito só nesta temporada — Foto: Prakash Mathema/AFP

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Devido aos efeitos do aquecimento global,corpos e lixo estão tornando-se mais visíveis à medida que a cobertura de neve diminui — Foto: Prakash Mathema/AFP
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Mais de 300 pessoas morreram desde o início das expedições,na década de 1920
Suárez explicou que,com o aumento das temperaturas,o gelo começa a derreter,transformando-se em água e perdendo resistência.
— Em alguns casos,se essa água se infiltra pelas rachaduras na neve e atinge as rochas,pode desencadear uma grande avalanche,como já estamos vendo. Isso é mais provável em anos com temperaturas muito altas,como este — observou.
O especialista alertou que períodos prolongados de altas temperaturas enfraquecem o gelo.
— Se você observar a maioria dos acidentes em áreas montanhosas,verá que eles não são causados por hipotermia,mas por avalanches. Este ano,em particular,tem sido muito quente,e a temperatura do ar está muito mais alta do que o esperado — advertiu.
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Luzmila Dávila,vice-diretora de Pesquisa de Geleiras do Instituto Nacional de Pesquisa de Geleiras e Ecossistemas de Montanha (Inaigem),disse ao El Comercio que,em um cenário de fenômeno El Niño "totalmente imprevisível",os processos de instabilidade nas geleiras aumentaram e continuarão a aumentar.
— O aumento da temperatura está desestabilizando ainda mais áreas que já são instáveis. No caso de Huascarán,isso está causando a perda de áreas que antes eram consideradas seguras — afirmou.
— As condições definitivamente não são ideais para escalada. O que está acontecendo em Huascarán também está acontecendo em outras montanhas,não apenas na Cordilheira Branca,mas em outras cadeias montanhosas do Peru e até mesmo no mundo todo. Eventos climáticos extremos são globais — afirmou.
Dávila explicou que o Inaigem monitora o Huascarán usando drones para coletar dados fotogramétricos.
— Também medimos a concentração de partículas que absorvem luz para reduzir a poluição. Além disso,monitoramos geleiras altamente instáveis localizadas em áreas de acesso frequente. Até agora,neste ano,registramos oito avalanches significativas no Huascarán — detalhou.
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Em relação às buscas pelos três alpinistas desaparecidos,o Gerente Regional de Gestão de Riscos de Desastres do Governo Regional de Áncash,Gastone Rafael Macedo Menacho,informou que na quarta-feira realizou uma reunião com representantes da Força Aérea Peruana e da Polícia Nacional para coordenar o envio de helicópteros a partir das 5h30 de quinta-feira. No entanto,explicou que as operações aéreas tiveram que ser suspensas ao meio-dia devido às condições climáticas que reduziram a visibilidade.
— O comportamento glacial é muito complexo. Como qualquer processo natural,é imprevisível. Nós,enquanto Estado,tomamos medidas para prestar apoio social às famílias. Esperamos que na próxima semana,após as comemorações do Dia da Independência,possamos criar um grupo de trabalho com as diversas entidades envolvidas — afirmou.
— Nós nos solidarizamos com as famílias e entendemos seu desespero,mas elas também precisam entender que tanto a Força Aérea quanto a Polícia têm protocolos a seguir. Além disso,estamos implementando 29 sistemas comunitários de alerta precoce e temos um acordo com o Instituto Geofísico do Peru,que nos fornece assistência técnica — explicou ele.
Em relação aos protocolos para expedições que entram em Huascarán,o funcionário reconheceu que “infelizmente,não temos protocolos elaborados para esses casos. Portanto,estamos propondo um grupo de trabalho com as diversas entidades para desenvolver essas diretrizes”.

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