ENTRETENIMENTO Jul 14, 2026 IDOPRESS

Entenda por que o estilo de João Bosco ao violão é inimitável

O cantor e compositor João Bosco — Foto: Guito Moreto

RESUMO

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O maestro Luís Filipe de Lima destaca que João Bosco é um autodidata completo,cuja complexidade rítmica e harmônica ocorre de forma integrada,já que ele "não dissocia nunca o violão da voz". O estilo único de João Bosco rendeu-lhe apelidos como "orquestra de seis cordas" e "menor orquestra do mundo" devido à sonoridade singular que extrai de seu violão. O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

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A gente sabe que o Brasil é um manancial inesgotável de violonistas de primeira linha,incluindo aí alguns que imortalizaram a dobradinha voz e violão — e basta citar João Gilberto. Mas,com todo o respeito ao baiano,somente João Bosco é chamado de “orquestra de seis cordas”,“orquestra de um homem só”,“menor orquestra do mundo” e outras variações sobre o mesmo tema. Era assim que seus admiradores o consideravam já nos anos 1970 e 1980 (milênio passado). Tinha a ver não apenas com o canto peculiar que preenche tão bem as canções,como também — ou sobretudo — com a sonoridade que saía do seu Sugiyama,o violão que mais o acompanhou mundo afora.

Talvez não seja ousadia cravar que nenhum outro cantautor toca um violão tão pessoal e intransferível quanto João Bosco. Suas interpretações provocam enigmas: como ele consegue? Quem manda naquilo tudo: a mão direita irrequieta ou a mão esquerda dos acordes incrementados? Talvez seja o duende que sai das Minas Gerais,toma bença nos Nordestes,vai ali nas Arábias e volta percutindo pelas Áfricas (sempre assim,no plural). É tudo isso e mais alguma coisa,claro. Quando questionado,João até cita,mui gentilmente,influências de gente da pesada como Garoto ou Baden Powell. Mas não é só isso (como se fosse pouco).

Vale ouvir,então,a palavra do maestro e violonista Luís Filipe de Lima,que resume a coisa toda quase num fôlego só:

— Três coisas me chamam mais a atenção no violão monumental do João Bosco: o violão soa único na mão dele,inconfundível,com levadas rítmicas muito singulares,sofisticadas,mas sem perder a pressão. No plano da harmonia,ele usa e abusa dos acordes que a gente chama de violonísticos,usando cordas soltas,o tipo de acorde que não dá pra fazer em nenhum outro instrumento. Vai criando ali harmonias bastante originais,e essa é outra marca forte do João. Uma segunda questão é que toda essa complexidade rítmica e harmônica acontece sem que o João tenha qualquer conhecimento formal de música,ele é um completo autodidata,o que torna o violão dele ainda mais fenomenal. O terceiro ponto é que o João não dissocia nunca o violão da voz. O canto e o acompanhamento do instrumento ficam tão integrados que ele grava todos os discos,todas as participações dele em estúdio,cantando e tocando ao mesmo tempo. Ele não abre mão disso.

Ou seja: eis aí um guia para a gente sentar diante da eletrola (!) e tentar destrinchar o violão por trás de alguns clássicos dessa pequena orquestra chamada João Bosco. Duas sugestões: “O ronco da cuíca” (com Aldir Blanc,1976) e “Bate um balaio” (2008). Ou,como gran finale,o álbum “Ao vivo - 100ª apresentação” (1983).

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