ENTRETENIMENTO Jul 14, 2026 IDOPRESS

O peso que alivia a mente

Mulher de meia idade faz treino de força na academia — Foto: Freepik

RESUMO

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GERADO EM: 10/07/2026 - 16:34

Musculação se destaca no combate à depressão,dizem pesquisas

Revisões científicas destacam a musculação como eficaz na redução de sintomas da depressão,competindo com caminhada,corrida e yoga. Além de aumentar neurotransmissores e BDNF,a musculação libera mioquinas que influenciam a saúde mental. O exercício traz sensação de progresso,crucial em quadros depressivos. Embora não substitua tratamentos tradicionais,é uma estratégia valiosa quando combinada a eles.

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Há dias em que levantar da cama parece mais difícil do que levantar 100 kg. Quem já enfrentou a depressão sabe exatamente do que estou falando. A ironia é que justamente o ato de levantar peso,repetidamente,pode ajudar o cérebro a encontrar um caminho de volta. Não é uma cura milagrosa. Mas talvez seja uma das intervenções mais subestimadas da medicina moderna.

Durante muito tempo,a musculação carregou uma fama injusta. Era vista como atividade para quem queria ganhar músculos,definir o corpo ou melhorar a aparência. Enquanto caminhadas e corridas recebiam os holofotes quando o assunto era saúde,o treinamento de força permanecia associado ao espelho. A ciência começou a mudar essa história.

Hoje,grandes revisões científicas mostram que a musculação reduz de forma consistente os sintomas da depressão. Em uma análise publicada no BMJ,que reuniu 218 estudos e mais de 14 mil participantes,o treinamento de força apareceu entre as modalidades mais eficazes,ao lado da caminhada,da corrida e do yoga. Mais do que isso,musculação e yoga foram as atividades com maior aderência. E existe uma regra simples na medicina: o melhor tratamento é aquele que o paciente consegue manter.

O mais interessante é que isso não acontece apenas porque a pessoa se distrai. O exercício provoca mudanças reais no organismo. Durante o treino,aumentam a disponibilidade de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor,como serotonina,dopamina e noradrenalina. Também há aumento da produção do BDNF,uma proteína que favorece a formação de novas conexões entre os neurônios e ajuda o cérebro a se adaptar e aprender. Ao mesmo tempo,estudos mostram redução de marcadores inflamatórios,hoje reconhecidos como parte da biologia da depressão.

Há ainda uma descoberta fascinante. O músculo não serve apenas para produzir movimento. Quando se contrai,libera pequenas moléculas chamadas mioquinas,capazes de enviar sinais para diferentes órgãos,inclusive o cérebro. É como se o músculo deixasse de ser apenas força e funcionasse como uma glândula em movimento. Ainda estamos desvendando o que essa comunicação significa,mas ela ajuda a explicar por que cuidar da massa muscular pode influenciar também a saúde mental.

Mas talvez o maior efeito da musculação não apareça nos exames de sangue nem nas imagens do cérebro. A depressão costuma roubar uma das coisas mais importantes da vida: a sensação de progresso. Tudo parece pesado. Pequenas tarefas se transformam em grandes obstáculos. O futuro parece imóvel. A musculação faz exatamente o movimento contrário. Ela oferece metas simples,concretas e possíveis. Hoje você termina a série. Na próxima semana aumenta um quilo na barra. Depois percebe que sobe escadas sem parar. Cada treino produz uma pequena vitória. E,pouco a pouco,o cérebro volta a acreditar que mudar é possível.

É claro que musculação não substitui antidepressivos nem psicoterapia quando necessários. A depressão é uma doença complexa,e o tratamento deve ser individualizado. Em muitos pacientes,a combinação entre medicamentos,acompanhamento psicológico e atividade física produz os melhores resultados. Não existe competição entre essas estratégias. Elas trabalham juntas.

Também não é preciso virar atleta ou passar horas na academia. A maior parte dos estudos utilizou programas simples,com duas ou três sessões por semana e progressão gradual da carga. O benefício está na regularidade,muito mais do que na intensidade.

Buscamos soluções cada vez mais sofisticadas para a saúde mental. Novos medicamentos,tecnologias e neurociência revelam mecanismos antes desconhecidos. São enormes avanços. Mas a ciência também tem mostrado que uma parte importante da resposta continua surpreendentemente simples.

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