
O fóssil de Homo sapiens Qafzeh 25,encontrado na caverna de Qafzeh,em Israel,apresenta uma mandíbula com uma lesão compatível com trauma contuso — Foto: Imagem ilustrativa
GERADO EM: 09/07/2026 - 10:11
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Uma pequena marca de apenas 9 milímetros preservada em uma mandíbula humana atravessou cerca de 90 mil anos para contar uma possível história de violência entre os primeiros Homo sapiens. A lesão,encontrada no fóssil conhecido como Qafzeh 25,descoberto na caverna de Qafzeh,é considerada a evidência mais antiga já identificada de um trauma interpessoal desse tipo. A descoberta foi publicada no fim de junho na revista Scientific Reports,em estudo liderado pelo Centro Nacional de Pesquisa para a Evolução Humana (CENIEH),em parceria com pesquisadores da Universidade de Tel Aviv.
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A marca está localizada na mandíbula esquerda e também atingiu parcialmente um dos pré-molares inferiores. Segundo os pesquisadores,o formato em "V" e a profundidade da lesão são compatíveis com o impacto de um objeto pontiagudo. Exames por microtomografia computadorizada de alta resolução revelaram sinais de remodelação óssea,indicando que o indivíduo sobreviveu por um período significativo após o ferimento.
A pesquisa ressalta que a hipótese mais provável é a de violência interpessoal,embora um acidente não possa ser completamente descartado. Os autores destacam ainda que lesões desse tipo são extremamente raras no Paleolítico Médio,tendo apenas um caso semelhante descrito anteriormente,no fóssil conhecido como Shanidar 3.


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Sítio arqueológico é encontrado 'sem querer' em prédio de 400 anos na Argentina — Foto: Reprodução


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Descobertas foram feitas durante obras de restauração da Manzana de las Luces
Além da ferida,a análise identificou alterações dentárias inéditas em Qafzeh 25. Os pesquisadores encontraram uma cárie oculta em um pré-molar inferior,recoberta por uma fina camada de esmalte,caracterizando o primeiro registro desse tipo de lesão no conjunto de fósseis da caverna de Qafzeh. Também foram observados desgastes no esmalte de outros dentes,embora não haja confirmação de que tenham sido causados por cáries.
O estudo também investigou o estado de preservação do esqueleto e concluiu que o corpo foi enterrado pouco tempo após a morte. A ausência de marcas de dentes de carnívoros,exposição prolongada ao ambiente ou danos provocados por raízes reforça a interpretação de que a caverna de Qafzeh funcionava como um espaço de sepultamentos deliberados. Localizado na Baixa Galileia,próximo a Nazaré,o sítio arqueológico reúne restos mortais de pelo menos 27 indivíduos e está entre os mais importantes do Paleolítico Médio,com ocupação datada entre 92 mil e 145 mil anos.
Para a autora principal do estudo,Ana Pantoja Pérez,integrante do grupo DEATHREVOL no CENIEH,os achados ampliam a compreensão sobre os primeiros grupos de Homo sapiens que viveram fora da África. — Os resultados fornecem novas evidências para o debate sobre a origem de comportamentos complexos — afirmou a pesquisadora. Segundo ela,a combinação entre a ferida cicatrizada,as patologias dentárias e o contexto funerário ajuda a compreender como essas comunidades lidavam com lesões,doenças e a morte há dezenas de milhares de anos.

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