
Teste de sangue consegue para monitorar infecções — Foto: FreePik
GERADO EM: 06/07/2026 - 20:23
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O câncer é uma doença de diferentes causas. Entre elas,estão as infecções causadas por vírus,bactérias e parasitas. Precisamente,responde por cerca de 13% de todos os cânceres,segundo relatório da Associação Americana para Pesquisa do Câncer. A questão é que boa parte desses casos pode ser evitada com medidas de prevenção que já estão ao nosso alcance.
O mesmo relatório indica que 90% dessas ocorrências estão relacionadas ao papilomavírus humano (HPV),às hepatites B e C e à bactéria Helicobacter pylori. Com exceção do H. pylori,todos esses microrganismos estão no grupo das infecções sexualmente transmissíveis. Isso significa que informação,vacinação,uso de preservativo e práticas básicas de cuidado podem reduzir substancialmente a carga de câncer associada a esses patógenos.
O HPV é uma infecção extremamente comum,transmitida pelo contato direto da pele ou das mucosas durante a atividade sexual. Entre os mais de duzentos tipos já identificados,alguns estão diretamente associados a tumores de colo de útero,pênis,ânus,cavidade oral,faringe e laringe. A boa notícia é que existe vacina eficaz contra os principais HPVs de alto risco. No Brasil,o SUS oferece a versão quadrivalente,que protege contra os tipos 6,11,16 e 18,enquanto a vacina nonavalente,disponível na rede privada,é ainda mais abrangente. O desafio,porém,é a baixa adesão. Muitos adolescentes deixam de receber a dose por falta de informação ou pelo preconceito que associa a vacina ao início precoce da vida sexual.
Outro vírus que merece atenção é o HIV. Embora não cause câncer de forma direta,o enfraquecimento do sistema imunológico provocado pela infecção abre espaço para o desenvolvimento de doenças oncológicas como sarcomas,linfomas e cânceres do colo do útero e da região anal. A transmissão ocorre principalmente em relações sexuais desprotegidas,além de transfusões de sangue contaminado,acidentes com agulhas ou da mãe para o bebê durante a gestação. A prevenção inclui uso de preservativos,testagem periódica e tratamento adequado para quem já convive com o vírus. Pessoas em terapia antirretroviral mantêm a carga viral indetectável e reduzem drasticamente os riscos de transmissão e complicações.
Menos conhecidos,mas também relevantes,são o vírus linfotrópico de células T humanas,associado a leucemias e doenças neurológicas e o herpesvírus humano tipo 8,responsável pelo sarcoma de Kaposi. Ambos compartilham a via de transmissão sexual e reforçam a necessidade de educação em saúde e da valorização de medidas preventivas. As hepatites B e C,por sua vez,representam um problema ainda negligenciado. Ambas inflamam o fígado e podem evoluir para cirrose e câncer hepático. Enquanto a hepatite B já conta com vacina eficaz,amplamente disponível no SUS,a hepatite C não tem imunização,exigindo maior vigilância. A prevenção passa por evitar contato com sangue contaminado em procedimentos médicos,odontológicos,tatuagens,piercings ou pelo compartilhamento de seringas. Como muitos infectados permanecem assintomáticos,a testagem periódica é fundamental. Uma vez diagnosticada,a hepatite C tem tratamento e pode ser curada.
Já a bactéria H. pylori,embora não seja sexualmente transmissível,é um dos principais agentes infecciosos relacionados ao câncer. Ao se instalar no estômago,causa inflamações que podem evoluir para tumores gástricos. A prevenção exige medidas simples de higiene como lavar as mãos antes das refeições,higienizar corretamente os alimentos e evitar o compartilhamento de utensílios.
O melhor caminho está na disseminação de informação sobre prevenção. Quando a população entende como se dão as transmissões,reconhece os sintomas e tem acesso às vacinas e aos testes,o impacto na saúde pública é imediato.

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