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Dos Red Devils às vuvuzelas, Coreia do Sul e África do Sul mudaram a forma de torcer em Copas

Os sul-coreanos Diabos Vermelhos e as vuvuzelas da África do Sul ensinaram torcidas mundo afora a fazer barulho — Foto: Greg Wood/AFP e Ivo Gonzalez / Agência O Globo

RESUMO

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GERADO EM: 23/06/2026 - 13:13

Transformações nas Torcidas: Fan Fests e Vuvuzelas em Copas

A Copa do Mundo de 2002 na Coreia do Sul e a de 2010 na África do Sul transformaram a forma de torcer nos Mundiais. Na Coreia,milhões se reuniram nas ruas em apoio aos "Diabos Vermelhos",levando à criação das Fan Fests. Já na África do Sul,as vuvuzelas dominaram o cenário,apesar das críticas ao barulho. A FIFA,que inicialmente permitiu as vuvuzelas,posteriormente as baniu por serem excessivamente ruidosas.

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Da Orange Walk (a Caminhada Laranja) da Holanda rumo aos estádios às "remadas" da Noruega e,claro,até a onda verde e amarela da torcida brasileira,as "invasões" coletivas e ruidosas de torcedores nas Copas do Mundo já são tradição. Mas nem sempre as cidades-sede viveram o barulho das torcidas: com os Diabos Vermelhos e as vuvuzelas,os Mundiais da Coreia do Sul e da África do Sul — que se enfrentam hoje em campo — aumentaram o volume da competição. 

Até 2002,as Copas eram mais silenciosas (pelo menos nas ruas). Na edição que tirava brasileiros da cama ainda de madrugada para acompanhar os jogos,transmitidos direto do Japão e da Coreia do Sul,torcedores sul-coreanos lotaram ruas e praças das cidades do país numa cena antes incomum. 

Ao longo da competição,foram cerca de 22 milhões de pessoas nas ruas para assistir os jogos. Segundo a imprensa local,no jogo de estreia da seleção anfitriã contra a Polônia,que terminou em 2 a 0 para a Coreia do Sul,800 mil pessoas foram às ruas. Já nas quartas de final da Coreia do Sul contra a Itália,4,2 milhões de torcedores vestindo camisetas vermelhas tomaram as ruas.

No caderno especial de cobertura daquele Mundial,O GLOBO publicou no dia 11 de junho de 2002 uma foto mostrando uma multidão de coreanos nas ruas da capital Seul comemorando o empate de 1 a 1 contra os Estados Unidos. 

Reportagem do GLOBO em 2002 mostra multidão nas ruas de Seul — Foto: Arquivo / Agência O Globo

"Mesmo sob a chuva,mães com bebês estavam na multidão que se concentrou na praça da prefeitura de Seul. A maioria dos presentes era adolescente. Muitos pintaram a bandeira do país nos rostos. E quase todos vestiam camisas vermelhas onde se lia "Be the reds" (Esteja com os vermelhos)",explicava a reportagem de Jorge Luiz Rodrigues. 

Em entrevista ao jornal Korea JoongAng Daily em 2022,o líder dos Diabos Vermelhos,Yoo Young-woon,explicou que a frase "Esteja com os vermelhos!" veio após a seleção sul-coreana enfrentar o "choque laranja" da Holanda quatro anos antes,na Copa da França.

"Queríamos uma torcida que nos levasse às oitavas de final. Como os jogos seriam em casa,pudemos nos preparar bem. Preparamos um enorme bandeira e cartazes para transmitir mensagens,e usamos gongos e samulnori (instrumentos de percussão tradicionais coreanos) porque o som preenche o estádio. Acredito que a Copa foi uma oportunidade para as pessoas expressarem seu amor e orgulho por este país",disse.

Para dar conta da multidão,mais de 2 mil telões foram instalados em aproximadamente 1,8 mil locais durante a Copa de 2002,numa estrutura organizada pelos Red Devils (os Diabos Vermelhos),a torcida organizada sul-coreana,com apoio dos governos municipais.

Há quem diga que modelo de exibição pública ajudou a consolidar o que depois seriam as Fan Fests - ainda que a Fifa não diga isso oficialmente.

2010 e as vuvuzelas

O Mundial sul-africano de 2010,por sua vez,teve uma identidade sonora inconfundível graças às vuvuzelas. Os instrumentos de sopro feitos de plástico,com som semelhante ao de um enxame de abelhas,fez um sucesso estrondoso,e até hoje é produto certo de ser encontrado no comércio popular brasileiro na preparação para a Copa.

A criação da corneta sul-afriana é controversa. Um dos nomes atribuídos à paternidade do instrumento é Neil Van Schalkwyk,que começou a vender as vuvuzelas cerca dez anos antes do Mundial no país. Ele conta que viu uma longa corneta de latão feita em casa,e então teve a ideia. Trabalhando numa fábrica de plásticos,começou a reproduzir o exemplar.

Já que não podia patentear o instrumento,"pois uma corneta é uma corneta e existe há séculos",ele patenteou o nome "vuvuzela".

Já o sul-africano Saddam Maake também assume a criação como dele,ainda quando era criança,a partir de uma buzina.

"Eu ia ver meus amigos jogarem bola,tirava a parte de borracha da buzina e ficava fazendo barulho assoprando com a boca",contou ele em 2010 para a BBC. "Quero é ver as pessoas se divertindo,tocando a vuvuzela por aí. Não quero dinheiro,mas quero que saibam que eu sou o dono,eu sou o pai".

O instrumento,porém,dividia opiniões. Parte dos técnicos e jogadores reclamavam da barulheira. O técnico holandês no Mundial,Bert ban Marwijk,chegou a banir as vuvuzelas durante os treinos. 

Apesar das críticas,o uso das cornetas foi liberado. Joseph Blatter,então presidente da Fifa,se manifestou dizendo que os pedidos de proibição tinham sido rejeitados.  

"Encarem as vuvuzelas como parte de nossa cultura na África do Sul para comemorar a Copa do Mundo de 2010.  As pessoas amam as vuvuzelas em todo o mundo. Só uma minoria é contrária a elas. Nunca se cogitou proibí-las",disse,na época,Rich Mkhondo,porta-voz do comitê organizador local do Mundial.

O entendimento sobre o instrumento,mudou ao longo dos anos. Para a edição atual do Mundial,a Fifa proibiu o uso das vuvuzelas nos estádios,assim como apitos e outros dispositivos considerados "excessivamente barulhentos". 

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