
Piscina do Rebouças Residencial,prédio que será construído no Rio Comprido — Foto: Divulgação/TGB
GERADO EM: 09/06/2026 - 18:22
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O Rio Comprido,bairro localizado entre o Centro,a Tijuca e a Zona Sul,vem atraindo a atenção do mercado imobiliário e do poder público. Em meio a projetos de retrofit,recuperação de imóveis abandonados e novas iniciativas urbanísticas,o bairro experimenta uma movimentação que se relaciona com a revitalização da região central da cidade.
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De um lado,investidores estrangeiros passaram a demonstrar interesse por um empreendimento residencial que será instalado na antiga sede da Fundação Roberto Marinho. De outro,o governo federal anunciou a destinação do antigo prédio do Inmetro para o Arquivo Nacional,encerrando um período marcado por abandono,invasões e reclamações de moradores. Ao mesmo tempo,a aprovação do projeto Praça Onze Maravilha incluiu o Rio Comprido entre as áreas que poderão receber potencial construtivo,uma forma de atrair novos investimentos. Para o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ),Leonardo Mesquita,o movimento não é isolado. Segundo ele,a escassez de terrenos e imóveis disponíveis ajuda a explicar o interesse crescente.
— O Rio Comprido não é um bairro fácil de ter um volume grande de lançamentos e novos empreendimentos. Por isso,quando surge alguma oportunidade,ela chama a atenção. Existe um efeito da reocupação de áreas bem estruturadas da cidade,como Centro,Porto Maravilha,Praça Onze e Cidade Nova,que acaba se refletindo nos bairros vizinhos. A busca por regiões mais centrais tem sido uma tônica do mercado. Em um bairro de difícil oportunidade,quando ela aparece,costuma ser aproveitada. O que está por trás disso é justamente a baixa oferta (de terrenos) e a necessidade de mais oferta habitacional — afirma.

Fachada do Rebouças Residencial — Foto: Divulgação
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A localização aparece como um dos principais atrativos do Rio Comprido. O bairro funciona como uma ligação entre diferentes regiões da cidade e reúne características valorizadas por compradores e incorporadores.
— É um bairro que tem comércio local tradicional e oferece acesso rápido ao Centro,à Tijuca e à Zona Sul. Do ponto de vista da mobilidade,está muito bem localizado — observa Mesquita.
Um dos exemplos mais recentes desse interesse é o Rebouças Residencial,projeto que transformará a antiga sede da Fundação Roberto Marinho,na Rua Santa Alexandrina,em um condomínio com 138 unidades residenciais.
O empreendimento,desenvolvido pela construtora TGB,terá apartamentos a partir de R$ 215 mil e Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 40 milhões. A entrega está prevista para fevereiro de 2028.
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Mesmo ainda em fase inicial de obras,o projeto já desperta interesse internacional. Segundo a empresa,investidores de Portugal e do Japão procuraram informações sobre unidades do residencial,que terá estúdios,apartamentos de um e dois quartos e unidades garden. O prédio permaneceu desocupado por anos antes da conversão para uso residencial.
A aposta no retrofit — modalidade que revitaliza e adapta edifícios existentes para novos usos — é vista pelo mercado como uma ferramenta importante para recuperar áreas urbanas consolidadas.
— Para bairros mais antigos,quando essa conta fecha economicamente,é algo muito importante. É uma política que poderia ser ainda mais valorizada e incentivada. Quando se estimula o retrofit,a cidade ganha,com a ocupação de áreas centrais — defende o presidente da Ademi.
Outro símbolo das transformações previstas para o bairro é o antigo prédio do Inmetro,imóvel de oito andares pertencente ao governo federal que se tornou motivo de preocupação para moradores da região nos últimos anos e também fica na Rua Santa Alexandrina.

Prédio do antigo Inmetro no Rio Comprido será ocupado pelo Arquivo Nacional — Foto: Divulgação
Desocupado desde 2021,o edifício acumulou registros de invasões,depredações,furtos e ocupações irregulares. Em maio,a Prefeitura do Rio realizou o fechamento completo dos acessos ao prédio,a pedido da Superintendência do Patrimônio da União (SPU),para impedir novas invasões,enquanto o governo federal definia seu destino.
A solução encontrada foi a cessão do imóvel ao Arquivo Nacional. A expectativa é que o órgão passe a utilizar o prédio para instalação de repartições,promovendo sua recuperação e reocupação. Para Mesquita,a reutilização de imóveis abandonados pode ter impactos que vão além da preservação do patrimônio:
— É sempre um ponto de atenção em bairros mais centrais. A reocupação desses espaços ajuda a trazer movimento,atividade econômica e sensação de segurança para a região.
O cenário de transformação também ganhou impulso com a aprovação do projeto Praça Onze Maravilha pela Câmara Municipal. A iniciativa pretende promover uma ampla requalificação urbana da região de Praça Onze,Cidade Nova e entorno.
O Rio Comprido foi incluído entre as áreas receptoras de potencial construtivo,mecanismo que flexibiliza parâmetros urbanísticos mediante contrapartida exigida dos interessados. A Secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano explica que,além de ampliar o potencial construtivo de empreendimentos na região,a medida prevê incentivos para retrofit,recuperação de imóveis antigos e conversão de prédios comerciais em residenciais,com foco na ampliação da oferta de moradia.

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