
O estudante Leonardo Paschoal,coautor do projeto,e seu professor orientador,Rodrigo Assirati — Foto: Colégio Dante Alighieri
GERADO EM: 08/06/2026 - 18:58
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Uma dupla de estudantes de 17 anos desenvolveu um sistema para detectar os perigosos balões de São João,objetos voadores de papel propelidos por fogo,e ganhou um prêmio internacional pelo projeto. Usando câmeras controladas por inteligência artificial,o sistema para proteção contra essa prática proibida deve ser testado em junho numa área de floresta da Grande São Paulo.
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Batizado de Safe Skies,"céus seguros" em tradução livre,o dispositivo foi criado por Leonardo Paschoal e Lara Schusterschitz,ao longo de mais de dois anos enquanto cursavam o ensino médio,reconhecido com o primeiro lugar na categoria de ciências exatas da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). Depois,representando o Brasil,chegou em quarto lugar na International Science and Engineering Fair (Isef),em Phoenix,no Arizona,nos EUA.
O sistema desenvolvido sob a orientação de um professor despertou o interesse da Universidade de São Paulo (USP),que mantém uma base no Parque Estadual do Jaraguá,na capital paulista. A instituição cedeu à dupla uma área para testes de observação,que devem ser feitos na temporada de festas juninas.
Segundo Paschoal,quando buscava um tema de projeto para o programa de iniciação científica,a ideia surgiu de uma conversa que teve com seu pai,um piloto de avião.
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— Ele me contou que viu uma vez um ponto estranho no céu quando estava voando e,dois ou três segundos depois,percebeu ser um balão,que passou a poucos metros do avião — conta o estudante. — Como são feitos de papel,esses balões não são detectados nem pelos radares das aeronaves nem pelos dos controladores de trafego aéreo,e são um risco.
Estudando o assunto,Paschoal constatou que os balões são um problema ainda maior para unidades de conservação com área florestada. Elas têm menos recursos que aeroportos e não possuem torres de observação com equipes permanentes.
Motivado a combater um problema tipicamente brasileiro,o estudante,que já estava aprendendo programação como autodidata e em cursos externos,resolveu se aprofundar. Primeiro,mergulhou em estudos sobre treinamento visão por IA. Depois,elaborou um roteiro com sua colega para desenvolver o sistema.
O projeto foi realizado no Colégio Dante Alighieri,escola particular tradicional de São Paulo,ligada à comunidade de origem italiana,que mantém há duas décadas um programa de iniciação científica júnior.
Usando um banco de dados de fotografias de objetos aéreos (aviões,pássaros e balões),Paschoal treinou um modelo computacional para reconhecer essas imagens e o acoplou a um conjunto de duas câmeras.
Coordenado pela inteligência artificial,o dispositivo varre o céu em busca de possíveis balões num raio de cerca de 2 km,processa as imagens para confirmar a detecção,estima sua localização por triangulação e emite alertas automáticos na internet.
Quem não queria acreditar que um sistema com essa sofisticação foi criado por estudantes de 17 anos se rendeu aos argumentos depois de Paschoal passar por várias sabatinas de perguntas na Febrace e na Isef. O processo serve para atestar que os trabalhos não sejam apenas projetos desenvolvidos por professores experientes,nos quais os alunos só pegam carona.
— Ter um aluno como esses é o sonho de todo orientador — diz o cientista de computação Rodrigo Assirati,professor que supervisionou Paschoal no colégio. — A 'mão na massa' foi 100% dele. Às vezes eu dava uma ajuda com alguma coisa que não estava funcionando no hardware,e a gente quebrava a cabeça junto até achar um cabo que estava fora do lugar,ou algo assim.
Schusterschitz,que participou do desenvolvimento do sistema até antes da premiação na Febrace,deixou o projeto recentemente para se dedicar ao vestibular.
Paschoal,por sua vez,diz que pretende continuar desenvolvendo o SafeSkies no futuro até criar uma versão plug-and-play do sistema para fácil manuseio e produção a baixo custo.
O protótipo que o grupo desenvolveu teve um orçamento de cerca de R$ 2.000,mas o estudante espera conseguir reduzi-lo para R$ 500 numa versão repaginada. O código usado na programação é aberto para quem quiser replicar o sistema por conta própria,e o hardware é baseado na plataforma Arduino de eletrônica open-source.
Quando instalar seu sistema perto do pico do Jaraguá,Paschoal terá oportunidade de ajudar a fiscalizar inclusive uma área que já sofreu com o problema que ele tenta resolver. A montanha ali dá vista para o Parque Estadual do Juquery,em Franco da Rocha,na Grande São Paulo,onde um incêndio provocado por um balão destruiu 85% da vegetação de cerrado local em 2021.
O incidente ocorreu mais de 20 anos depois de a Lei de Crimes Ambientais de 1998 ter proibido a soltura de balões de fogo não tripulados em território nacional.
— Na Isef a gente teve que achar um jeito de explicar para os americanos que o Brasil tem um problema pois as pessoas insistem nessa em soltar balão (especialmente durante as festas juninas) com fogo sem ninguém dentro — conta Paschoal. — A primeira foto da nossa apresentação era justamente uma imagem do incêndio no Parque do Juquery.

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