
App terá um espaço onde o torcedor pode descobrir contas oficiais,conferir tabelas e resultados,comprar ingressos,adicionar jogos ao calendário e criar conteúdo — Foto: Bloomberg
GERADO EM: 06/06/2026 - 18:33
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Numa Copa do Mundo “multitela”,a bola rola no televisor,mas os olhos — e os dedos— não largam o celular. A tendência,já consolidada nas últimas edições,é que o torcedor acompanhe os jogos com o smartphone na mão,dividindo a atenção entre o lance na tela e o conteúdo nas redes sociais. Para as plataformas digitais,é nesse espaço que estão as oportunidades de negócios.
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Numa parceria inédita,o TikTok se tornou a primeira plataforma preferencial (preferred platform) da FIFA para uma edição do torneio. Na prática,o app terá um espaço onde o torcedor pode descobrir contas oficiais,co mprar ingressos,adicionar jogos ao calendário e criar conteúdo. O hub ainda ganhará figurinhas personalizadas,filtros temáticos e recursos de gamificação ligados à Copa.
Segundo dados da plataforma,85% dos fãs já usam o TikTok como experiência de segunda tela em eventos ao vivo,e 90% realizam ao menos uma ação fora da plataforma depois de consumir conteúdo esportivo.
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— A comunidade cria suas próprias narrativas e amplia o evento para muito além dos 90 minutos —diz Eduardo Lorenzi,diretor de Conteúdo do TikTok para América Latina. — Hoje,a conversa não é construída só pelas transmissões oficiais. Ela também nasce da torcida no estádio,do criador que faz receitas para os dias de jogo,do humorista que recria os lances da rodada,da pessoa que comenta os uniformes ou os bastidores das seleções.
Na Copa do Mundo: TVs e celulares travam disputa acirrada fora do campo
Um ano após o lançamento do TikTok Shop no Brasil,a média de criadores afiliados ativos — aqueles que realizaram ao menos uma venda no dia — cresceu 46 vezes. E,segundo pesquisa com 17 mil usuários,57,8% dos compradores concluem a compra na plataforma após descobrir um produto no feed.
Roupas femininas estão no topo do ranking de produtos mais vendidos,e não por acaso croppeds,camisas,acessórios e peças personalizadas para Copa têm se destacado às vésperas do torneio.

Numa parceria inédita,o TikTok se tornou a primeira plataforma preferencial da FIFA para uma edição do torneio. — Foto: Andrew Harrer/Bloomberg
A estratégia do braço de vendas é combinar entretenimento com estímulo ao consumo,facilitando a conversão de visualizações em vendas. Perfis afiliados apostam em vídeos curtos,trends virais e desafios para atrair compradores.
Em busca de nova fonte de renda,Soraya Novato,de 42 anos,entrou para o programa de afiliados em setembro de 2025,de olho na possibilidade de ganhar dinheiro sem precisar dispor de muito tempo ou se deslocar,visto que já tem um trabalho fixo:
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— Resolvi aproveitar o tempo que já fico em redes sociais para fazer anúncios de produtos e ofertas. Mensalmente,depositam na minha conta os valores comissionados. Quanto mais tempo eu me dedicar a pesquisar produtos e fazer divulgações estrategicamente,maior será a remuneração.
Para Rubens Fernandes Moura,professor de Economia da Faculdade Presbiteriana Mackenzie,a Copa do Mundo funciona como catalisador de vendas impulsivas,e o volume de vendas pode ser dez vezes maior do que em anos sem o torneio:
— É comum ter vendas por externalidades positivas de rede,ou seja,estou comprando porque está todo mundo comprando. Via plataformas,as vendas crescem porque o usuário é bombardeado de informações através dos algoritmos de busca.
O comportamento já aparece entre os consumidores. Antonio Junior,de 48 anos,comprou itens para a Copa no TikTok influenciado por vídeos explicativos no feed:
— Como gosto de ver vídeos e tudo aparece bem explicado,acabo comprando. Geralmente,por influência de algum criador que acompanho.
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Para Rebeca Nery,de 21 anos,o preço atrai:
— Vi muitas promoções. O produto que comprei custava mais de R$ 100 e consegui por cerca de R$ 50. O vídeo de um influenciador pesou na decisão.
Apesar do cenário promissor,nem todos os afiliados conseguem lucrar. A necessidade de engajamento constante torna o sucesso de venda restrito a quem consegue maior visibilidade. Rebeca tentou o caminho da comissão por vendas,mas não conseguiu lucrar e desistiu:
— Um dos desafios foi a concorrência,principalmente com influenciadores,que começam a divulgar e acabam ocupando muito espaço. Já quem é anônimo,como eu,acaba ficando para trás.

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