
Pelo menos 2,3 milhões de brasileiros abraçaram a profissão de professor,aponta o Censo 2022 — Foto: Hermes de Paula / Agência O GLOBO
GERADO EM: 24/05/2026 - 18:03
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Duas conclusões principais sobressaíram na divulgação,semana passada,dos resultados da Prova Nacional Docente e do Enade das licenciaturas. A primeira é que ainda precisamos avançar muito na melhoria da qualidade da formação dos futuros professores. A segunda é que os cursos à distância — majoritariamente privados — obtiveram,em média,resultados significativamente piores ante os presenciais,sobretudo públicos. Nada disso surpreende,mas,ainda assim,o diagnóstico é importante.
Há,porém,nuances e limitações a serem consideradas. Na média geral dos concluintes em licenciatura,apenas 20% tiveram resultado considerado plenamente adequado na prova do Enade,percentual que cai para 12% na modalidade à distância e sobe para 32% no presencial. Os dados não deixam dúvida de que era realmente necessário um freio de arrumação na EaD,movimento realizado no atual governo,mas também escancaram que os problemas não se limitam a esse formato.
Analisando os cursos,ainda que os dados,na média,sejam sempre favoráveis aos presenciais,temos 20% de cursos à distância nas melhores faixas de desempenho (conceitos 4 e 5) e 31% dos presenciais no outro extremo (notas 1 e 2). Para um diagnóstico mais aprofundado,seria interessante investigar as características dos cursos presenciais de desempenho insatisfatório,bem como os fatores que podem explicar o bom desempenho relativo de um quinto dos cursos à distância. No caso desses últimos,se fossem capazes de sustentar esses resultados ao longo do tempo,deveríamos impor a eles as mesmas limitações aplicadas à maioria dos cursos de baixo desempenho na modalidade?
Uma segunda questão a ser considerada diz respeito ao próprio instrumento de mensuração. Se o magistério é prioridade,é sem dúvida crucial o diagnóstico mais aprofundado sobre a qualidade da formação. O MEC acertou,portanto,ao fazer o acompanhamento anual dos cursos de licenciatura e ao criar uma Prova Nacional Docente — seguindo o padrão do Enade — cujos resultados podem ser utilizados por redes municipais e estaduais em concursos públicos. Mas seria importante seguir acompanhando os futuros professores em sua trajetória,para avaliar o impacto de sua formação no desempenho profissional. Isso demanda tempo e recursos,mas já foi feito em outros países.
Vale,por exemplo,lembrar a experiência da Colômbia,que também criou uma prova nacional para professores em 2005. Um estudo divulgado há dois anos por pesquisadores do BID identificou um efeito indesejado. A aposta era que uma seleção mais rigorosa dos profissionais resultasse em melhoria da qualidade do ensino. Ocorreu o contrário,e a principal explicação foi a substituição de docentes experientes por novatos com melhores notas na prova nacional,mas pior desempenho em sala de aula. Isso não necessariamente será o caso no Brasil,mas o exemplo colombiano reforça que uma prova de conteúdos não é suficiente para identificar um bom professor,sendo importante considerar também outros critérios na contratação,como entrevistas e a observação de aulas.
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Por fim,cabe destacar um achado relevante da literatura acadêmica: a qualidade da formação inicial é uma etapa fundamental,mas não suficiente. Salários atrativos,seleção rigorosa,condições adequadas de trabalho,estruturas de apoio — especialmente aos novatos — e incentivos ao desenvolvimento profissional contínuo são fatores que precisam ser articulados de forma coerente pelos sistemas educacionais. Em todas essas etapas,temos muito a avançar.

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