Menopausa — Foto: Freepik RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/05/2026 - 14:15

Menopausa — Foto: Freepik
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O colágeno se tornou presença constante em propagandas de cuidados com a pele e nas tendências de bem-estar das redes sociais. Mas ele não é apenas uma palavra da moda. É a proteína mais abundante do corpo e ajuda a sustentar estruturas em todo o organismo,incluindo pele e ossos.
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Para as mulheres,a perda de colágeno pode se tornar especialmente perceptível durante a perimenopausa e a menopausa. Alguns estudos sugerem que o colágeno da pele pode cair até 30% nos primeiros cinco anos após a menopausa,com perdas adicionais de cerca de 2% ao ano depois disso. Nas redes sociais,isso às vezes é chamado de “abismo do colágeno”,mas a ideia por trás do termo não é nova. Pesquisadores escrevem há décadas sobre os efeitos da menopausa na pele,com estudos desde pelo menos os anos 1940 apontando essa relação.
Essa queda mais acentuada acontece além das mudanças graduais associadas ao envelhecimento. O colágeno parece diminuir ao longo do tempo,com algumas estimativas sugerindo uma redução de cerca de 1% a 1,5% ao ano desde o início da vida adulta.
O estrogênio ajuda a regular muitos processos do corpo,incluindo a produção de colágeno. Em estudos com animais,o hormônio mostrou aumentar a produção de colágeno e a espessura da pele. Pesquisas em humanos também encontraram benefícios para a espessura da pele,elasticidade e cicatrização.
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Isso ocorre em parte porque o estrogênio atua nos fibroblastos,células responsáveis pela produção de colágeno na pele. Quando os níveis de estrogênio caem durante a perimenopausa e a menopausa,esse sinal enfraquece. O resultado é uma menor produção de colágeno,além de pele mais fina,menos elasticidade e menor retenção de água.
A perda de colágeno não pode ser totalmente interrompida,mas alguns fatores podem acelerá-la. Um dos principais é a radiação ultravioleta do sol e das câmaras de bronzeamento. Ela aumenta enzimas chamadas metaloproteinases da matriz,que funcionam como uma equipe de demolição da pele,quebrando proteínas estruturais como o colágeno. Essas enzimas aparecem em níveis mais altos em peles danificadas pelo sol.
A radiação ultravioleta também reduz a quantidade de novo colágeno produzida pelos fibroblastos. Pessoas com tons de pele mais escuros tendem a apresentar menos rugas,provavelmente porque níveis mais altos de melanina oferecem alguma proteção contra os danos ultravioleta. Mas a pele escura não é imune ao fotoenvelhecimento,ou seja,ao envelhecimento causado pela exposição ao sol.
O tabagismo também parece acelerar a perda de colágeno. Um estudo descobriu que fumar reduziu a produção dos colágenos tipo I e tipo III na pele em 18% e 22%,respectivamente,contribuindo para o envelhecimento precoce da pele.
A vitamina C é essencial para a produção de colágeno. Cerca de 100 mg por dia são suficientes para a maioria dos adultos,embora fumantes possam precisar de mais. Muitos suplementos de bem-estar oferecem doses muito maiores,frequentemente em torno de 1.000 mg por dia,mas mais nem sempre significa melhor: cerca de 2.000 mg por dia podem causar desconfortos gastrointestinais desagradáveis.
Produtos que prometem estimular o colágeno estão cada vez mais populares,mas as evidências científicas sobre eles são mistas. Cremes tópicos de colágeno dificilmente substituem o colágeno perdido na pele,porque as moléculas intactas de colágeno são grandes demais para atravessar a barreira cutânea. Eles podem ajudar a hidratar as camadas externas da pele,mas dificilmente farão grande diferença nos níveis de colágeno produzidos pela própria pele.
Suplementos orais de colágeno foram associados,em alguns estudos,a melhorias na hidratação e elasticidade da pele. No entanto,a literatura científica ainda apresenta resultados contraditórios. Revisões apontam limitações nas evidências,incluindo estudos pequenos,possíveis conflitos de interesse e resultados inconsistentes,levando pesquisadores a recomendar cautela na interpretação dos dados. Da mesma forma que o colágeno não pode ser absorvido diretamente pela pele,o organismo precisa digeri-lo para absorver os aminoácidos que o compõem — e não há como garantir que esses aminoácidos irão para a pele ou para a área desejada. O colágeno hidrolisado é mais facilmente absorvido,mas ainda assim não há garantia de que o corpo o utilizará exatamente onde se espera.
A terapia de reposição hormonal pode oferecer benefícios mais consistentes. Além de ajudar em outros sintomas da menopausa,a terapia já demonstrou,melhorar a espessura,elasticidade e hidratação da pele. Um estudo relatou que mulheres que faziam reposição hormonal tiveram aumento de 48% no conteúdo de colágeno da pele em comparação com mulheres sem tratamento,e outras pesquisas observaram tendências semelhantes. Algumas evidências sugerem que o estrogênio transdérmico (aplicado pela pele) também pode ter efeitos mensuráveis sobre o colágeno da pele. Mas os riscos e benefícios da terapia hormonal sempre precisam ser avaliados individualmente.
Alguns dermatologistas e profissionais da estética também utilizam procedimentos voltados para estimular a produção de colágeno. Tratamentos de resurfacing a laser buscam ativar processos de reparação da pele e remover colágeno danificado. Versões mais recentes dessas técnicas foram desenvolvidas para reduzir efeitos colaterais.
O microagulhamento é outra opção frequentemente sugerida,embora não seja livre de riscos. Possíveis complicações incluem dor,hematomas,sangramento,infecção,alterações na cor da pele e,em casos raros,crescimentos anormais. Também pode causar hiperpigmentação,quando áreas da pele ficam mais escuras do que a região ao redor.
Quando a menopausa começa,o colágeno geralmente já vem diminuindo há anos. Proteger a pele da radiação ultravioleta,evitar o cigarro e garantir ingestão adequada de vitamina C podem ajudar a apoiar os níveis naturais de colágeno do corpo.
A menopausa pode acelerar a perda de colágeno,mas o quadro é mais complexo do que os slogans das redes sociais sugerem. Embora os suplementos de colágeno continuem populares,a ciência sobre eles ainda está em desenvolvimento. A terapia de reposição hormonal possui uma base científica mais sólida para melhorar a espessura,elasticidade e hidratação da pele em algumas mulheres,embora não seja indicada para todas. Quando o assunto é colágeno,a ciência ajuda mais do que o hype.
* Adam Taylor é professor de anatomia na Universidade de Lancaster,na Inglaterra.
* Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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