
O que arqueólogos encontraram em cidade cristã de 1.600 anos descoberta no Egito — Foto: Reprodução
GERADO EM: 27/07/2026 - 10:57
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Uma cidade cristã de aproximadamente 1.600 anos,preservada sob as areias do Oásis de Dakhla,no deserto ocidental do Egito,está ajudando arqueólogos a reconstruir como viviam comunidades durante o período bizantino. O assentamento,datado do século IV,reúne ruas planejadas,grandes residências,uma igreja,torres de vigilância,uma fortaleza e centenas de objetos do cotidiano.
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A descoberta foi anunciada pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito e é considerada um dos mais importantes retratos da vida em uma comunidade cristã instalada no deserto durante a expansão do cristianismo no antigo Império Romano.
Segundo os arqueólogos,o traçado urbano revela que a cidade foi cuidadosamente planejada. As principais vias seguem o eixo norte-sul,enquanto ruas secundárias cortam o assentamento no sentido leste-oeste,formando pequenas praças e áreas abertas.
Entre as construções mais relevantes está uma basílica erguida em meados do século IV,período em que o cristianismo se consolidava como religião oficial do Império Romano. Ao redor da igreja,os pesquisadores encontraram amplas residências de tijolos de barro,além de duas torres de vigilância e uma fortaleza cercada por muralhas.
— A igreja é um dos edifícios mais importantes do complexo e reforça a presença de comunidades cristãs estabelecidas no oásis durante o período bizantino — afirmou Mahmoud Massoud,responsável pela missão arqueológica.
Além da arquitetura preservada,o sítio chamou a atenção pela quantidade de vestígios da vida cotidiana.
Os pesquisadores encontraram utensílios domésticos,fornos utilizados para assar pão,pedras de moagem de grãos,recipientes para óleo e perfumes,lâmpadas e moedas de bronze e ouro.
Um dos achados mais importantes foi um conjunto de aproximadamente 200 óstracos — fragmentos de cerâmica utilizados como suporte para escrita na Antiguidade.
As inscrições,redigidas em grego e copta,incluem recibos,correspondências e anotações administrativas que ajudam a compreender aspectos da economia,do comércio,da cobrança de impostos e das relações sociais da comunidade.
Segundo Zahran Mahdi,diretor das escavações no setor de antiguidades islâmicas e coptas,esses documentos funcionavam como uma espécie de papel da época e oferecem um retrato raro do cotidiano dos antigos moradores.
Outro destaque da escavação foi a descoberta de moedas de ouro cunhadas durante o reinado do imperador romano Constâncio II (337–361 d.C.),filho de Constantino,o Grande,conhecido por legalizar o cristianismo no Império Romano.
Para Colin Hope,arqueólogo da Universidade Monash e especialista no Oásis de Dakhla,as moedas levantam novas questões sobre a economia local.
— A descoberta das moedas de ouro é significativa,pois elas são raras em Dakhla e levanta questões sobre propriedade,status e para que eram usadas. O assentamento era claramente agrícola,então como um ocupante adquiriu essas moedas? Elas eram utilizadas em transações locais? — questionou o pesquisador ao The Art Newspaper.
Hope também destacou a importância da igreja descoberta.
— Ela é claramente do século IV,e não há muitas tão bem preservadas dessa época. Dakhla preserva alguns exemplares,mas poucos com esse estado de conservação.
Embora o Egito seja mais conhecido por seus monumentos faraônicos,a cidade pertence a um período muito posterior da história do país.
Após a conquista de Alexandre,e a incorporação ao Império Romano,a região passou a integrar o Império Bizantino,quando o cristianismo transformou profundamente a paisagem egípcia.
A partir dos séculos IV e V,igrejas,mosteiros e santuários passaram a ocupar espaços antes dominados pelos templos da religião faraônica.

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