
Ansiedade de separação em cães: 5 cuidados para ajudar o animal quando o tutor precisa sair — Foto: Magnific
GERADO EM: 20/07/2026 - 19:22
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A volta ao trabalho presencial,o aumento das viagens e uma rotina cada vez mais acelerada mudaram não apenas a agenda dos humanos,mas também a dinâmica dentro de casa. Para muitos cães,a ausência prolongada dos tutores e as alterações no cotidiano passaram a representar desafios emocionais.
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Um estudo publicado em 2025 na revista científica Behavioural Processes,realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES),identificou que o período em que ficam sozinhos está entre os principais fatores associados à ansiedade em cães brasileiros,ao lado de situações como fogos de artifício e mudanças de ambiente.
A pesquisa,que analisou 795 cães,apontou ainda que vocalizações excessivas,estado de alerta constante e comportamentos destrutivos estão entre as manifestações mais comuns de estresse nos animais. Os resultados refletem uma preocupação que vem ganhando espaço entre os tutores: como conciliar uma vida movimentada com as necessidades emocionais dos pets.
Com isso,temas como ansiedade de separação,socialização e enriquecimento da rotina passaram a fazer parte das conversas sobre saúde animal e impulsionaram a procura por serviços especializados,como creches,hospedagens e espaços de convivência. Mais do que oferecer cuidados básicos,esses ambientes passaram a ser vistos como aliados no desenvolvimento comportamental e no bem-estar dos cães.
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Com mais viagens e dias corridos,tutores buscam formas de manter cães emocionalmente equilibrados — Foto: Magnific
Para Beatriz França,especialista em comportamento animal e fundadora da Creche Escola BFA,no Brasil,e da PETland BFA,em Miami,um dos principais equívocos dos tutores é acreditar que os cães se acostumam naturalmente a longos períodos de ausência.
"Muitos comportamentos interpretados como birra ou desobediência são,na verdade,respostas emocionais relacionadas à solidão,à falta de previsibilidade ou ao excesso de energia acumulada. O cachorro precisa de segurança,estímulos adequados e uma rotina que faça sentido para ele",explica.
Segundo a especialista,sinais como destruição de objetos,latidos em excesso,mudanças no sono,apatia ou agitação fora do habitual podem indicar que o animal está enfrentando dificuldades emocionais. Para ajudar os cães a atravessar períodos de mudança,ela destaca algumas práticas que podem ser incorporadas ao cotidiano.
Criar uma rotina que traga segurança
Mesmo com dias cheios,manter alguns padrões ajuda o animal a compreender o que esperar. Horários semelhantes para alimentação,passeios,descanso e momentos de interação contribuem para reduzir inseguranças.
"Não é necessário ter uma rotina rígida,mas é importante que exista algum nível de previsibilidade. Cães que vivem em ambientes totalmente instáveis podem desenvolver mais ansiedade,comportamentos compulsivos e dificuldade para lidar com a ausência do tutor",afirma Beatriz.
Transformar o passeio em uma experiência de estímulo
Para a especialista,caminhar com o pet vai muito além de uma saída rápida para gastar energia ou fazer necessidades. O passeio também tem papel importante na saúde emocional do animal.
"O cão precisa explorar,farejar e entrar em contato com diferentes estímulos. Essas experiências ajudam no equilíbrio emocional e evitam o acúmulo de frustrações. Um passeio mais curto,mas feito com qualidade,pode ser mais benéfico do que uma saída longa e apressada",destaca.
Preparar o animal antes de viagens e mudanças
Longos períodos de afastamento ou novas experiências,como hospedagens,devem ser introduzidos de forma gradual. Segundo Beatriz,apresentar previamente o ambiente e criar associações positivas pode reduzir o impacto dessas transições.
"O ideal é que o cachorro conheça o local antes,faça adaptações aos poucos e entenda aquele espaço como algo seguro. Esse cuidado diminui as chances de episódios de ansiedade e alterações de comportamento",orienta.
Escolher espaços que respeitem o perfil do animal
A especialista alerta que estrutura física,sozinha,não determina a qualidade de uma creche ou hospedagem. É preciso observar se o local oferece acompanhamento adequado,supervisão,enriquecimento ambiental e atenção às características individuais de cada cão.
"Um espaço para pets deve promover socialização saudável e equilíbrio,não apenas manter o animal ocupado durante algumas horas. Ambientes sem controle podem gerar ainda mais estresse",observa.
Valorizar a conexão emocional
Brinquedos,acessórios e ambientes preparados podem contribuir para o bem-estar,mas não substituem a relação construída entre tutor e animal. Para Beatriz,pequenos momentos de presença genuína têm grande impacto.
"Alguns minutos de atenção,brincadeiras ou carinho fazem diferença. O cachorro precisa sentir que existe vínculo e segurança,mesmo quando o tutor tem uma rotina intensa",diz.
Para a especialista,o conceito de qualidade de vida animal está cada vez mais relacionado ao equilíbrio entre estímulos,descanso,socialização e vínculo afetivo. A ausência do tutor,segundo ela,não precisa ser um problema quando o cão possui preparo emocional e uma rotina estruturada.
"O cachorro não precisa de uma pessoa disponível o tempo inteiro,mas precisa sentir estabilidade e confiança. O desafio não está em trabalhar ou viajar,mas em deixar o animal sem suporte emocional e sem momentos de interação significativa",conclui.

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