
Reconstrução artística mostra o Paludocyon moyasolai,nova espécie de 'cão-urso' descrita por cientistas a partir de um fóssil de cerca de 16 milhões de anos encontrado na Catalunha,na Espanha — Foto: Jesús Gamarra / Journal of Mammalian Evolution
GERADO EM: 09/07/2026 - 07:51
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Uma nova espécie de "cão-urso",grupo de mamíferos carnívoros extintos que compartilhavam características com cães e ursos,foi descrita por pesquisadores a partir da reanálise de um fóssil descoberto há mais de três décadas na Espanha. O animal,batizado de Paludocyon moyasolai,viveu há cerca de 16 milhões de anos em uma região de lagos e áreas pantanosas que ocupava parte da atual Catalunha,durante o Mioceno. A descoberta foi publicada na revista científica Journal of Mammalian Evolution.
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Embora o fóssil tenha sido escavado na década de 1990 no sítio paleontológico de Els Casots,na bacia de Vallès-Penedès,os cientistas só recentemente concluíram que ele pertencia a uma espécie até então desconhecida. O material permaneceu por anos em coleções científicas até ser reavaliado em estudos mais detalhados sobre a evolução dos anficiônidos,família extinta conhecida popularmente como "cães-ursos".
Os pesquisadores analisaram um crânio parcialmente preservado,deformado pela fossilização,mas com boa parte da dentição intacta,além de um molar inferior isolado. A comparação com fósseis de outras espécies da Europa e da América do Norte revelou uma combinação inédita de características anatômicas.


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Primatas foram atingidos por surto de tuberculose
O principal diferencial estava nos dentes. Segundo os autores,o segundo molar superior era proporcionalmente mais largo do que o observado em outras espécies conhecidas do gênero Paludocyon,enquanto o terceiro molar apresentava um tamanho incomum. Na paleontologia,detalhes da dentição são considerados fundamentais para identificar espécies,reconstruir relações evolutivas e inferir hábitos alimentares.
Apesar do nome popular,os chamados "cães-ursos" não eram ancestrais diretos dos cães nem dos ursos modernos. Eles pertenciam à família Amphicyonidae,um grupo de mamíferos carnívoros que surgiu há cerca de 40 milhões de anos e desapareceu aproximadamente 7 milhões de anos atrás. Compartilhavam um ancestral distante com as duas linhagens atuais,mas seguiram um caminho evolutivo próprio.
A nova espécie parece ter sido menor e mais ágil do que alguns de seus parentes mais conhecidos. A anatomia dos dentes sugere uma dieta predominantemente carnívora,capaz de processar tanto carne quanto partes mais resistentes das presas,como ossos.
Na época em que Paludocyon moyasolai viveu,a região onde hoje fica a Catalunha tinha um aspecto muito diferente. Segundo os pesquisadores,Els Casots era formado por lagos rasos,pântanos e vegetação abundante,em um clima mais quente e úmido do que o atual.
O ambiente reunia uma grande diversidade de vertebrados,incluindo pequenos herbívoros,crocodilos,mustelídeos e outros carnívoros primitivos. O conjunto de fósseis preservados no sítio ajuda cientistas a reconstruir como eram os ecossistemas europeus durante o Mioceno,período marcado por importantes mudanças climáticas e pela diversificação de mamíferos.
Além de descrever a nova espécie,os autores realizaram uma análise das relações evolutivas entre diferentes anficiônidos. Os resultados reforçam que o gênero Paludocyon representa um grupo distinto dentro da família e indicam que algumas classificações adotadas anteriormente para esses animais poderão ser revistas com a descoberta de novos fósseis.
O nome da espécie também presta homenagem à história da paleontologia catalã. O termo Paludocyon deriva do latim palus,que significa "pântano",em referência ao ambiente onde o animal viveu. Já moyasolai homenageia o paleontólogo Salvador Moyà-Solà,pesquisador reconhecido por seus estudos sobre mamíferos fósseis e por sua participação nas primeiras escavações realizadas em Els Casots.

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