
Deixar a casa desarrumada pode ter uma relação direta com o seu próprio bem-estar emocional — Foto: Magnific
GERADO EM: 29/06/2026 - 12:30
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Diversos estudos e pesquisadores na área da psicologia estabeleceram uma relação direta entre o estado de organização de uma casa e o bem-estar emocional de seus habitantes.
Manter a casa constantemente desarrumada não é apenas uma resposta aos hábitos diários,mas muitas vezes serve como um reflexo do mundo interior e da saúde mental da pessoa,estando associado a estresse,ansiedade,depressão ou procrastinação.
No entanto,as análises clínicas também esclarecem que,quando a falta de ordem não decorre de sofrimento emocional,pode constituir um traço de personalidade ligado à criatividade e ao distanciamento das normas sociais.
A psicologia considera a habitação como uma extensão ou reflexo externo da mente de seus habitantes. De acordo com uma pesquisa publicada no Journal of Environmental Psychology,um ambiente desorganizado e caótico reduz significativamente o bem-estar emocional dos indivíduos.
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A sobrecarga visual causada pela desordem aumenta a produção de cortisol,conhecido como hormônio do estresse. Esse aumento hormonal e a persistência da desordem elevam o risco de desenvolvimento de sintomas relacionados à ansiedade e à depressão.
Em nível cognitivo,a estimulação excessiva em casa afeta os seguintes processos:
Diminuição da concentração: com mais elementos que causam distração no espaço físico,o cérebro tem maior dificuldade em concentrar a atenção em tarefas específicas.Dificuldade em tomar decisões: o acúmulo de objetos e o adiamento de tarefas domésticas podem causar bloqueio mental.Perda de controle: o transtorno tende a se acumular progressivamente,dificultando o habitante retomar o controle do ambiente e perpetuando o desconforto.
A psicologia clínica relaciona a negligência com o ambiente físico à falta de energia disponível em pessoas que atravessam momentos emocionalmente difíceis. Sem os recursos emocionais necessários para manter a limpeza e a organização,as tarefas domésticas são adiadas indefinidamente.
O psicólogo Joseph Ferrari,pesquisador da Universidade DePaul,destaca que a desorganização está diretamente ligada à procrastinação,definida como o hábito de adiar sistematicamente tarefas pendentes.
Dessa perspectiva,todo objeto fora de seu lugar habitual funciona como um lembrete visual constante de uma obrigação não cumprida. Essa saturação do ambiente alimenta persistentemente a tendência à procrastinação,gerando um estado de inquietação contínua e crônica no indivíduo.
Em contrapartida,o hábito de manter os espaços limpos e organizados gera benefícios médicos e psicológicos comprovados,como a prevenção de alergias,a redução do risco de doenças físicas,a diminuição do estresse e a melhora do humor.
Especialistas em saúde mental sugerem encarar a organização da casa como uma forma de autocuidado,recomendando que se aborde os espaços gradualmente — começando por uma gaveta ou uma prateleira — para quebrar o ciclo da desordem.
Por outro lado,especialistas esclarecem que uma casa desorganizada nem sempre é resultado de um transtorno ou sofrimento emocional. Para algumas pessoas,a ordem não é uma prioridade em seu sistema de valores.
Nesses casos específicos,o ambiente desordenado reflete uma personalidade orientada para a criatividade,onde a ausência de estruturas rígidas representa um mecanismo para se libertar de expectativas e normas sociais preestabelecidas.

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