
Michelle Bolsonaro publicou vídeos com críticas aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução
GERADO EM: 25/06/2026 - 20:29
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A primeira tentativa pública da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de reaproximação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ainda esbarra na indefinição sobre a participação dela. Isso porque Michelle ainda não sinalizou,nem para membros da campanha nem para aliados próximos,se comparecerá ao encontro com mulheres conservadoras organizado pelo senador para a próxima quarta-feira,em Brasília.
A reunião,que deve ser realizada no comitê de campanha de Flávio,foi anunciada pelo próprio senador na nota divulgada em resposta ao vídeo em que Michelle expôs o atrito entre os dois. Na ocasião,Flávio afirmou que havia pedido à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) que organizasse o encontro,sugeriu que a ex-primeira-dama fosse convidada e disse ter ligado para ela na manhã de quarta-feira,antes da publicação do vídeo,sem obter resposta.
Nesta quinta-feira,o senador voltou a reforçar o convite. Em vídeo publicado nas redes sociais,afirmou que a reunião está mantida e reiterou o apelo para que Michelle participe da discussão.
— A reunião na próxima quarta-feira está mantida para tratar justamente das soluções que a gente vai propor para as mulheres de todo o Brasil,que acordam cedo,trabalham,estudam e cuidam das famílias — afirmou.
Na sequência,Flávio voltou a defender uma reconciliação com a ex-primeira-dama.O senador também procurou demonstrar compreensão em relação às críticas feitas por Michelle e reforçou que atua alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro
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—De coração aberto,quero reforçar o convite que eu já tinha feito para Michelle. Justamente porque eu acredito que o diálogo,o respeito e a união vão ser sempre o melhor caminho. O convite segue de pé e o coração segue aberto,Michelle,porque a gente tem que focar no nosso Brasil. Resgatar nosso país e sozinho é muito mais difícil — disse.
Segundo Damares,o encontro reunirá entre 30 e 40 lideranças femininas conservadoras para o alinhamento final das propostas da campanha voltadas às mulheres.
— A princípio será um encontro entre 30 e 40 mulheres líderes conservadoras para alinhamento final do plano de governo para as mulheres. Devem participar deputadas,senadoras,gestoras públicas,médicas,professoras,assistentes sociais,juízas e delegadas — afirmou a senadora.
Nos bastidores da campanha,a reunião é vista como o primeiro passo de uma ofensiva voltada ao eleitorado feminino. A estratégia prevê uma série de agendas temáticas nos moldes do programa “Brasil Sem Medo”,lançado nas últimas semanas para apresentar as propostas de Flávio para a área de segurança pública. A ideia agora é consolidar um capítulo específico do plano de governo dedicado às mulheres antes de seu lançamento público.
Apesar disso,a presença da principal liderança feminina do bolsonarismo na agenda ainda é uma incógnita. Membros do PL afirmam que,até esta sexta-feira,Michelle não havia recebido qualquer convite formal para o encontro e aliados dizem que ela ainda não se decidiu sobre o assunto.
A avaliação de aliados da ex-primeira-dama é que o movimento de Flávio ocorreu depois que ela passou a sinalizar publicamente que divulgaria um vídeo relatando sua versão do desentendimento entre os dois. Na segunda-feira,Michelle voltou a criticar a articulação do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e anunciou que falaria sobre o assunto. Dois dias depois,publicou uma gravação de 26 minutos em que afirmou ter sido “desrespeitada” e “maltratada” pelo senador.
Para integrantes da pré-campanha,no entanto,a participação de Michelle é considerada estratégica. Aliados reconhecem que ela se consolidou,à frente do PL Mulher,como uma das principais pontes do bolsonarismo com o eleitorado feminino e evangélico,segmentos em que Flávio busca ampliar sua presença.
Interlocutores do senador afirmam que o encontro da próxima quarta-feira não foi concebido inicialmente como uma resposta à crise,mas admitem que o episódio aumentou o peso político da reunião. Uma eventual presença de Michelle seria interpretada internamente como um sinal de distensão. A ausência,por outro lado,reforçaria a percepção de que o desgaste entre madrasta e enteado permanece sem solução.

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