
Dieta mediterrânea foi eleita a melhor do mundo — Foto: Freepik
GERADO EM: 25/06/2026 - 13:17
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Um grande ensaio clínico realizado na Espanha concluiu que uma versão mais estruturada da dieta mediterrânea,combinada com redução moderada de calorias,prática regular de exercícios e acompanhamento profissional para perda de peso,reduziu em 31% o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 em adultos com maior predisposição à doença.
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Os resultados,publicados na revista Annals of Internal Medicine,fazem parte do estudo PREDIMED-Plus,considerado o maior ensaio de nutrição já realizado na Europa. A pesquisa acompanhou,durante seis anos,4.746 adultos de 55 a 75 anos. Todos tinham sobrepeso ou obesidade e síndrome metabólica,mas nenhum apresentava diabetes ou doença cardiovascular no início do acompanhamento.
O estudo comparou dois grupos. Um deles seguiu uma dieta mediterrânea com redução calórica — cerca de 600 kcal a menos por dia —,associada a atividade física moderada,como caminhada rápida,exercícios de força e equilíbrio,além de orientação profissional. O outro grupo adotou a dieta mediterrânea tradicional,sem restrição calórica ou recomendação específica de exercícios.


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Gracyanne Barbosa é adepta de dieta sem açúcar — Foto: Reprodução Instagram


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Juju Salimeni evita açúcar na alimentação — Foto: Reprodução Instagram
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Açúcar está fora do cardápio de Maíra Cardi — Foto: Reprodução Instagram

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Paolla Oliveira cortou o açúcar da dieta — Foto: Reprodução Instagram
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Mônica Benini eliminou o açúcar da dieta — Foto: Reprodução Instagram

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Comida de Xuxa Meneghel é feita sem açúcar — Foto: @bladmeneghel
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Kate Hudson optou por restringir o açúcar da dieta — Foto: Getty Images

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Dieta de Yasmin Brunet não conta mais com doces — Foto: Reprodução Instagram
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Celebridades mantêm alimentação saudável
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A diferença entre as duas abordagens foi considerada expressiva pelos pesquisadores. Além da redução de 31% no risco de diabetes tipo 2,os participantes do grupo de intervenção perderam mais peso e reduziram mais a gordura abdominal. Em média,esse grupo perdeu 3,3 kg e diminuiu a circunferência da cintura em 3,6 cm. No grupo de comparação,a perda média foi de 0,6 kg,com redução de 0,3 cm na cintura.
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Em termos práticos,os pesquisadores estimam que o programa evitou cerca de três casos de diabetes tipo 2 a cada 100 participantes. Para uma doença que afeta centenas de milhões de pessoas no mundo,o impacto poderia ser relevante caso a estratégia fosse aplicada em larga escala entre pessoas com risco elevado.
“Diabetes é o primeiro desfecho clínico sólido para o qual mostramos — usando a evidência mais forte disponível — que a dieta mediterrânea com redução calórica,atividade física e perda de peso é uma ferramenta preventiva altamente eficaz”,disse Miguel Ángel Martínez-González,professor de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Universidade de Navarra,professor adjunto de Nutrição da Universidade Harvard e um dos principais pesquisadores do projeto. “Aplicadas em escala em populações de risco,essas mudanças modestas e sustentadas no estilo de vida poderiam prevenir milhares de novos diagnósticos todos os anos. Esperamos em breve mostrar evidências semelhantes para outros grandes desafios de saúde pública.”
A dieta mediterrânea,conhecida por incluir azeite de oliva,frutas,vegetais,legumes,grãos integrais,oleaginosas,peixes e consumo moderado de laticínios,já é associada a benefícios cardiovasculares e metabólicos. O novo estudo,porém,sugere que seus efeitos contra o diabetes tipo 2 podem ser ampliados quando ela é acompanhada de controle de calorias,exercícios e apoio profissional.
“A dieta mediterrânea age de forma sinérgica para melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir a inflamação. Com o PREDIMED-Plus,demonstramos que combinar controle calórico e atividade física potencializa esses benefícios”,afirmou Miguel Ruiz-Canela,professor e chefe do Departamento de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade de Navarra e primeiro autor do estudo. “É uma abordagem saborosa,sustentável e culturalmente aceita,que oferece uma forma prática e eficaz de prevenir o diabetes tipo 2 — uma doença global que é,em grande medida,evitável.”
O diabetes tipo 2 é uma das doenças crônicas que mais crescem no mundo. A Federação Internacional de Diabetes estima que mais de 530 milhões de pessoas vivam atualmente com a doença. O avanço é associado à urbanização,dietas menos saudáveis,sedentarismo,redução da atividade física,envelhecimento populacional e aumento das taxas de sobrepeso e obesidade.
Na Espanha,cerca de 4,7 milhões de adultos têm diabetes,a maioria com tipo 2,uma das taxas mais altas da Europa. Em todo o continente europeu,são mais de 65 milhões de pessoas com a doença. Nos Estados Unidos,cerca de 38,5 milhões são afetadas,em um cenário de altos custos de saúde por paciente. Especialistas alertam que a prevenção é essencial,já que o diabetes tipo 2 eleva o risco de complicações cardiovasculares,renais e metabólicas.
Pesquisas relacionadas ao PREDIMED-Plus também reforçaram a importância da composição corporal e da redução do sedentarismo. Uma análise publicada no JAMA Network Open apontou que a dieta mediterrânea com menor teor energético,combinada à atividade física,ajudou a reduzir gordura total e visceral e a desacelerar a perda de massa magra associada à idade em adultos mais velhos com sobrepeso ou obesidade e síndrome metabólica.
Outro estudo,publicado em 2026 na BMC Cardiovascular Disorders,indicou que substituir tempo sedentário por atividade física esteve associado a mudanças favoráveis em um marcador sanguíneo relacionado ao estresse cardíaco,embora o padrão não tenha sido consistente em todos os biomarcadores ligados à fibrilação atrial.
O estudo foi publicado acompanhado de um editorial assinado por Sharon J. Herring e Gina L. Tripicchio,especialistas em nutrição e saúde pública da Universidade Temple,na Filadélfia. Elas destacaram a relevância clínica da intervenção e seu potencial como modelo de prevenção do diabetes tipo 2,mas alertaram que a aplicação da estratégia fora da região mediterrânea,incluindo os Estados Unidos,exigiria mais do que força de vontade individual.
Segundo as especialistas,desigualdade no acesso a alimentos saudáveis,ambientes urbanos que dificultam a prática de atividade física e limitações no acesso a orientação profissional podem se tornar obstáculos. Por isso,defenderam políticas públicas capazes de criar ambientes mais saudáveis e equitativos.
O PREDIMED-Plus,realizado entre 2013 e 2024,dá continuidade ao estudo PREDIMED original,conduzido entre 2003 e 2010,que já havia mostrado que a dieta mediterrânea enriquecida com azeite de oliva extravirgem ou oleaginosas reduzia em 30% o risco de doenças cardiovasculares.
Para os pesquisadores,a nova estratégia pode ser incorporada à atenção primária como uma forma sustentável e de custo eficiente de prevenir o diabetes tipo 2 em larga escala. A intervenção não depende de dietas extremas,mas combina alimentos conhecidos,atividade física moderada,perda gradual de peso e acompanhamento profissional.
O estudo envolveu a Universidade de Navarra e mais de 200 pesquisadores de 22 universidades,hospitais e centros de pesquisa espanhóis,em mais de 100 unidades de atenção primária do Sistema Nacional de Saúde da Espanha. Também houve colaboração internacional com a Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan.

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