
Mundo Bita: animação musical de sucesso no Brasil — Foto: Reprodução
GERADO EM: 08/06/2026 - 17:29
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E lá se vão 15 anos desde que o designer Chaps Melo desenhou um homem rechonchudo,com um bigode generoso e uma cartola,na parede do quarto da filha,à época ainda na barriga da mãe. Do tracejado despretensioso inspirado pelas canções de “O Grande Circo Místico”,de Chico Buarque e Edu Lobo,nasceu,meio sem querer,um dos maiores fenômenos infantis 100% made in Brazil. Alçado a franquia — com produtos licenciados,discos,shows e parcerias com medalhões como Milton Nascimento e Caetano Veloso —,o personagem Bita virou do avesso não apenas a vida de seu criador,mas também sacolejou as bases da produção de entretenimento para menores de idade no país.
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A história da marca Mundo Bita — invenção dos amigos pernambucanos Chaps Melo,João Henrique Souza,Enio Porto e Felipe Almeida — é uma amostra expressiva da altíssima demanda por produções infantojuvenis com DNA verde e amarelo. Lançado originalmente como aplicativo educativo,o projeto ganhou uma forma própria ao “surfar as ondas do mercado”,como explicou Felipe Almeida,no Rio2C. A presença no YouTube,por exemplo,foi essencial para a popularização do conteúdo. Tudo,porém,sempre foi realizado de “modo artesanal”,como pondera Chaps Melo.
— Um dos grandes segredos do sucesso do “Mundo Bita” é realizar sem saber. O “fazer intuitivo” gerou uma identidade própria — ressalta Melo. — A gente criou como queria. Houve uma resistência do mercado,no início. Falavam que o público infantil preferia voz feminina,reclamavam do personagem gordinho com bigode... Mas tínhamos confiança. Claro que sem dar murro em ponta de faca,né?
Várias mesas no Rio2C mostraram como a produção para crianças e adolescentes vive um boom no Brasil. Da literatura ao cinema,dos games às séries de TV,criadores defendem a necessidade de compreensão dos hábitos das novas gerações sem abrir mão da qualidade artística.
Nome por trás de sucessos como “Detetives do Prédio Azul” e “Diário de Pilar”,Flávia Lins e Silva resumiu o maior desafio do tempo presente ao afirmar que é preciso “atacar o YouTube com conteúdo bom”,entendendo as linguagens e plataformas que disputam a atenção do público mirim.

Cena de 'O diário de Pilar na Amazônia' — Foto: Lais Teixeira/Divulgação
Na literatura,o debate avança para além das estratégias de distribuição. Afinal,é indiscutível o papel dos livros na formação de leitores. Para a escritora Mafuane Oliveira,autora de títulos como “Cinderela do Rio” e “Mesma nova história”,as obras infantis funcionam como “passaportes para realidades ainda desconhecidas das crianças”. Ela defende que os pequenos leitores sejam encarados como sujeitos capazes de refletir sobre questões complexas,e não apenas como meros consumidores.
A mesma ideia é compartilhada por Carlos Eduardo Pereira,com quem Mafuane dividiu a mesa “Reencantar o mundo”. Autor do livro “Bailinho”,o escritor critica as barreiras impostas pelos adultos aos temas abordados na produção infantojuvenil.
— As crianças vão “desapavorar” os adultos,e a solução de muitos problemas pode estar na literatura — diz. — O público mirim aceita os temas com naturalidade. O problema está nos pais,que são travados. Pense só: por que livro de adulto não tem ilustração? A gente cresce e vai ficando cada vez menor... Deveria ser o contrário.

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