
Sodiê Doces prevê crescimento de 7% em 2026: 20% do faturamento vêm das operações nos EUA — Foto: Divulgação
GERADO EM: 23/05/2026 - 10:23
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Disputar uma fatia do mercado de franquias dos Estados Unidos não é para amadores. São 3.500 marcas que juntas deverão somar 845 mil operações em 2026. Estima-se que o faturamento do setor saltará de US$ 907,3 bilhões no ano passado para US$ 921,4 bilhões,de acordo com o estudo “2026 Franchising Economic Outlook”,divulgado pela International Franchising Association (IFA). A expectativa é da entrada em operação de 12 mil novos negócios franqueados até dezembro,boa parte deles de marcas estrangeiras.
— Apesar de desafiador,o mercado americano é o segundo principal destino das franquias brasileiras em número de marcas,são 66,e o quarto em volume de unidades,abrigando 307 operações — afirma Gustavo Freitas,diretor internacional da Associação Brasileira de Franchising (ABF). — A penetração,porém,já foi maior. Em 2023 eram 76 marcas franqueadoras brasileiras,o que comprova que é preciso uma estratégia muito bem estruturada para se manter ativo.
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Na mão inversa a participação de franquias americanas no Brasil é significativa e não menos desafiadora. Das 122 marcas estrangeiras em operação no país,47 são dos Estados Unidos. Em 2024 eram 59.
Com 3.300 marcas,202 mil operações e um faturamento de R$ 301,7 bilhões no ano passado,o franchising brasileiro tem no número de unidades por franqueado uma diferença significativa em relação aos americanos. Enquanto aqui a média é de 60 franquias para uma base de 60 a 70 mil franqueados,lá os cerca de 234 mil operadores têm em média 500 unidades. Segundo levantamento da CommUnit,comunidade de franqueados e multifranqueados,apenas 300 franqueados brasileiros têm mais de 50 franquias,o equivalente a 8% dos operadores. Os 200 maiores franqueadores americanos movimentam US$ 55 bilhões,cerca de 91% do faturamento do franchising no Brasil em 2025.

Isabel Lima,diretora de operações internacionais do CCLS,braço internacional do CCAA — Foto: Divulgação
Presente nos EUA desde 1991,a rede de ensino de idiomas CCAA conta com 9 escolas instaladas na Flórida,Texas,Nova York e arredores,todas voltadas ao ensino de inglês a alunos internacionais com visto de estudante.
— No Brasil crescemos como franquia e nos EUA com licenciamento. Trata-se de uma opção estratégica,por ser mais fácil de operar — diz Isabel Lima,braço internacional da rede. — Um dos principais desafios no mercado americano é a legislação,que muda de estado para estado,de região para região.
A meta para 2026 é acelerar a expansão com a integração da plataforma de ensino 100% digital a novas operações do CCLS. Com 700 unidades no Brasil e 11 no exterior,o CCAA espera faturar R$ 700 milhões este ano.
— Os Estados Unidos deverão alcançar US$ 11,5 milhões,o equivalente a 85% do faturamento do braço internacional.
Porta de entrada das franquias brasileiras,a Flórida está entre os dez estados americanos com previsão de expansão mais rápida para franquias em 2026,segundo o relatório da IFA.
— Abrimos a primeira loja em 2019,em Orlando,para atender à comunidade latina — afirma Fábio Araujo,diretor-geral da Sodiê Doces. — O primeiro desafio foi acostumar o paladar dos americanos ao tipo de bolo que produzimos,que não leva pasta americana e é bem mais recheado.
Manter a originalidade das receitas também exige esforço. A maioria dos insumos,principalmente leite condensado,é despachada do Brasil.
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Segundo o executivo,foram mais de cinco anos de maturação e aprendizado. Hoje,20% do faturamento das duas operações dos EUA,estimado em R$ 14 milhões,tem origem nas vendas a consumidores americanos.
— Diante dos resultados,contratamos uma consultoria para mapear todo o território a partir da Flórida — revela. — O resultado apontou capacidade de instalação de 45 unidades. A ideia é expandir via master franqueado para estados com grande presença de latinos.
Com 401 franquias,a Sodiê prevê crescimento de 7% em 2026,atingindo um faturamento de R$ 840 milhões.
Quem também escolheu Orlando para dar início à internacionalização foi a 3,2,1 GO!,agência especializada em experiências completas para os parques de Orlando e destinos nacionais e internacionais. A rede conta com 16 unidades nos EUA — destas,14 em Orlando —,que respondem por 10% do faturamento,que este ano deverá somar R$ 6 milhões.
— Criamos a franquia em 2019 com o propósito de ser uma empresa de nicho. Em 2025 chegamos aos Estados Unidos,com unidades home based operadas por brasileiros — diz o CEO Marco Lisboa. — Em 2027 iniciaremos a expansão via licenciamento para operadores americanos,respeitando o passo a passo da legislação americana.
Segundo Lisboa,bons resultados num mercado tão concorrido exigem investimentos de longo prazo,atenção à legislação local e um plano de marketing bem estruturado.
— Nossa estratégia inclui participação em feiras e patrocínio de eventos para a comunidade brasileira.


A estratégia adotada por Alexandre Barreiro,CEO da N2 Extreme Gelato para a América Latina,foi desembarcar nos EUA através de uma joint venture firmada com uma empresa americana. A primeira loja,aberta em 2018 em Nova York,atraiu a atenção de investidores,graças ao produto lúdico preparado na hora.
— Somos a única franquia no mundo de gastronomia molecular,apresentamos dois sabores exclusivos por semana,sem repetição — afirma. — Demoramos dois anos para operar no modelo de franquia nos EUA. A expansão é cuidadosa,temos seis unidades,entre Nova York,Flórida e Utah.
A expectativa é que as operações americanas faturem US$ 1,8 milhão. Em 2025 a receita foi de US$ 1,6 milhão.

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