
Lula discursa na convenção nacional do PT,observado por Ana Estela e Fernando Haddad — Foto: Edilson Dantas
Ao lançar a campanha pelo quarto mandato,neste domingo,o presidente Lula surpreendeu aliados ao tratar o ex-ministro Fernando Haddad como futuro sucessor.
— Agora é hora de pensar nesse país. Qual é o país do futuro que eu vou entregar quando você,Haddad,depois de governar São Paulo por oito anos,estiver sendo presidente da República — disse.
Lula tentou corrigir o improviso ao dizer que o próximo presidente também poderia sair do Piauí,do Ceará ou de Pernambuco.
No entanto,a fala foi interpretada como petistas de diferentes estados como um sinal de que o presidente já escolheu seu herdeiro político.
Haddad foi escalado para disputar a Presidência em 2018,quando Lula estava preso pela Lava Jato. Perdeu para Jair Bolsonaro no segundo turno.
Agora o ex-ministro oncorre ao governo de São Paulo em situação de desvantagem nas pesquisas. No último Datafolha,apareceu 16 pontos atrás do governador Tarcísio de Freitas.
Embora ninguém se atreva a falar abertamente sobre o pós-Lula,a disputa entre possíveis herdeiros é um assunto constante em rodas de petistas.
Nesta sexta,o presidente se irritou com o tema em Fortaleza,ao participar da convenção que lançou a candidatura à reeleição do governador do Ceará,Elmano de Freitas.
O repentista Rodolfo Poeta,que apresentava a cerimônia,agitou a plateia ao lançar o senador Camilo Santana como candidato em 2030.
"Presidente Lula,depois de quatro anos do senhor / já está pronto o sucessor / e o melhor nome é Camilo",cantarolou.
Depois do evento,Lula se queixou do gracejo,que não havia sido combinado com ele.
Neste domingo,Haddad ganhou lugar de destaque na convenção nacional do PT. Foi o único a discursar além de Lula,do vice-presidente Geraldo Alckmin e do presidente do partido,Edinho Silva.
A organização postou Ana Estela e Fernando Haddad na primeira fila,ao lado de Lula,Janja,Alckmin e Lu Alckmin.
Camilo foi acomodado na terceira fila de cadeiras,ao fundo do palanque. Ficou entre dois senadores da Região Norte: Beto Faro (PA) e Randolfe Rodrigues (AP).

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