BELEZA Jul 30, 2026 IDOPRESS

Zema evita entrar em disputa entre Simões e Aro, mas tentará salvar campanha de sucessor

O governador de Minas Gerais,Romeu Zema,e seu candidato ao Senado em 2026,Marcelo Aro — Foto: Governo de Minas

O avanço da crise política entre o governador de Minas Gerais,Mateus Simões (PSD),e o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP) colocou o ex-governador Romeu Zema (Novo) diante de um dilema político às vésperas do início da campanha eleitoral.

Na última semana,aliados recorreram ao presidenciável na tentativa de evitar que o impasse se transformasse em um rompimento definitivo entre dois dos principais nomes de seu grupo político. Zema,no entanto,decidiu não assumir o papel de árbitro da disputa.

Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO,a avaliação do ex-governador é que uma intervenção direta acabaria sendo interpretada como um endosso a um dos lados e produziria exatamente o efeito contrário ao desejado. Em vez de pacificar o ambiente,poderia aprofundar as divergências. A decisão,por isso,foi manter distância da disputa interna e concentrar seus esforços exclusivamente na campanha de Mateus Simões.

Auxiliares de Zema afirmam que ele prepara uma ofensiva para ampliar sua participação na campanha do sucessor assim que começar oficialmente o período eleitoral. A ideia é percorrer diferentes regiões do estado ao lado de Simões para tentar transferir parte do capital político acumulado durante seus dois mandatos e reduzir a dificuldade que o governador enfrenta para consolidar sua candidatura entre o eleitorado de direita. Segundo a pesquisa Quaest divulgada na semana passada,Simões é desconhecido para 58% dos eleitores mineiros.

O movimento ocorre em meio a articulação para transformar Marcelo Aro em candidato ao governo de Minas. Ex-secretário da Casa Civil de Zema e um dos principais operadores políticos da gestão passada,Aro passou a ser tratado por dirigentes do PL,do Republicanos e da federação União-PP com a saída do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) da disputa estadual.

Inicialmente,Aro era considerado nome certo para disputar uma das vagas ao Senado na chapa de reeleição de Mateus Simões. Esse cenário,porém,começou a mudar após o PSD decidir acomodar o senador Carlos Viana na chapa governista como candidato à reeleição. A entrada de Viana alterou o equilíbrio interno do grupo e abriu espaço para que aliados de Aro passassem a defender sua migração para a disputa pelo Palácio Tiradentes. Ao mesmo tempo,dirigentes do PL passaram a enxergar o ex-secretário como uma alternativa mais competitiva para garantir um palanque forte ao presidenciável Flávio Bolsonaro em Minas Gerais.

Um racha antigo

Apesar de nunca terem trocado farpas públicas,segundo interlocutores que acompanharam de perto a gestão Zema,Simões e Aro nunca tiveram uma relação de confiança. Embora tenham ocupado postos centrais no governo e trabalhassem sob o comando do mesmo grupo político,os dois protagonizaram sucessivas disputas por espaço dentro da administração estadual.

Integrantes do governo relatam que havia uma competição constante por influência sobre secretarias estratégicas e pelo comando das principais articulações políticas do Palácio Tiradentes. Na avaliação desses interlocutores,a corrida eleitoral apenas tornou explícita uma rivalidade que já existia nos bastidores havia anos.

Foi justamente essa deterioração da relação que levou aliados a sugerirem uma intervenção de Zema. Entre os auxiliares,chegou a ser discutida a possibilidade de uma reunião reservada entre Simões e Aro,mediada por Zema. A hipótese,acabou descartada. Pessoas próximas afirmam que esse tipo de arbitragem não corresponde ao estilo do ex-governador e que ele prefere não se envolver em conflitos pessoais entre aliados.

A eventual candidatura de Aro tem potencial para isolar politicamente Mateus Simões. Isso porque o ex-secretário vem sendo tratado como o nome de consenso entre o PL,o Republicanos e a federação União-PP,que buscam construir um palanque único da direita em Minas.

Se esse desenho se confirmar,o governador disputará a reeleição sustentado pelo PSD e pelo Novo,enquanto os principais partidos do campo conservador migrariam para o palanque adversário. Nos bastidores,aliados de Simões avaliam que esse seria o pior cenário para a campanha.

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