
Logo da mineradora Vale na Bolsa de Nova York — Foto: Michael Nagle / Bloomberg
GERADO EM: 21/07/2026 - 23:09
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Há algumas semanas os olhos do mercado financeiro estão voltados para a disputa no Conselho de Administração da Vale. A mineradora,que vale mais de R$ 320 bilhões na Bolsa de Valores,marcou para hoje a assembleia de acionistas que deve definir o novo presidente do seu colegiado.
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A troca de conselheiros,que só ocorreria em 2027,foi antecipada porque,no mês passado,a Previ,fundação de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil (BB) e principal acionista da companhia,pediu a destituição do então presidente do colegiado,Daniel Stieler. Boas práticas do mercado recomendam que trocas de conselheiros ocorram ao término do mandato,o que só ocorreria em abril do ano que vem.
A forma como a troca foi anunciada chamou atenção de participantes do mercado,que desconfiaram de interferência do governo na escolha. Como a fundação de Previdência tem o comando compartilhado entre o BB e os funcionários do banco estatal,a entidade acaba sendo vista como via dos interesses do Planalto nas companhias em que investe.
Stieler chegou ao Conselho pela própria Previ,quando era presidente da fundação. Com a volta do PT ao Palácio do Planalto,ele deixou essa posição em 2023,mas seguiu na Vale.
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Stieler resistiu ao pedido da Previ e disse que a ofensiva da fundação sobre seu cargo atropelava ritos internos e enfraquecia a governança da Vale. À época,ele chegou a acusar a Previ de "falsidade ideológica administrativa",em razão das justificativas apresentadas pelo fundo,além de "abuso do direito de voto". Mais tarde,acabou renunciando.
No fim de junho,o colunista do GLOBO Lauro Jardim mostrou que o vice-presidente do órgão,Marcelo Gasparino,afirmou que Stieler informou aos demais membros do colegiado sobre “fatos graves que tomou conhecimento nos últimos anos”.
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Ao justificar publicamente o pedido de destituição à época,a Previ argumentou que a decisão era uma medida para reforçar o caráter independente dos membros do Conselho da mineradora. Ter conselheiros independentes em relação aos acionistas,que ajudam a supervisionar a administração conforme os interesses apenas da companhia,é considera uma boa prática nas companhias sem controle definido,como é o caso da Vale.
O fundo disse ainda que os nomes indicados seriam acima de qualquer suspeita. Foram indicados pela Previ para a vaga de Stieler,José Mauricio Pereira Coelho,presidente da Previ de 2018 a 2021. E,para a presidência do Conselho,Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira,conhecido como Ollie,executivo com décadas de carreira na mineração,que é conselheiro da empresa desde 2021. Sem vinculações políticas,não atuariam nos “fatos graves” mencionados por Gasparino na reunião do último dia 19 de junho.
No início deste mês,no entanto,uma reviravolta: Stieler renunciou ao cargo de membro e de presidente do Conselho da Vale.
A Previ tem 6,82% das ações da Vale,segundo o site da mineradora. O fundo de pensão do BB também é acionista da Litel e da Litela,que faziam parte de antigo grupo de controle da mineradora. Com isso,estima-se que a fatia da Previ na companhia chegue a quase 10%.
O clima de tensão segue até a conclusão da votação nesta quarta-feira,que deve ser divulgada após o fechamento do mercado. Segundo o colunista do GLOBO Lauro Jardim,a reunião que definiu como presidente interino do colegiado Wilfred Bruijn,o Bill,na semana passada,foi marcada por cobranças sobre vazamentos de informações e compliance.
De acordo com o colunista,há pelo menos cinco pedidos de investigações tendo integrantes do conselho como alvos. Uma viagem sigilosa de membros do colegiado e da diretoria a uma mina de Corumbá,pertencente aos irmãos Batista,é um dos principais imbróglios. Os controladores do Grupo J&F querem revender a mina à Vale.
Ainda de acordo com o colunista,é muito provável que Ollie vença a eleição para o comando do colegiado,enquanto Ieda Yell garanta a vaga aberta no colegiado. Os votos à distância já proferidos,que somam 48,5%,dão larga vantagem a estes dois nomes,sendo Ollie o indicado pela Previ.
De acordo com Lauro,para a presidência do conselho,Ollie conta com 1.292.298.490 votos,enquanto Marcelo Gasparino conta com 746.237.752 votos. O presidente do Conselho da Vale tem remuneração anual de R$ 3,3 milhões,de acordo com fontes.
Para a vaga aberta no colegiado,o apoiado pela Previ José Maurício Pereira Coelho alcançou 616 mil votos,contra 1,4 milhão de Yeda.

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