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Cremerj faz alerta sobre risco de morte após casos de procedimentos estéticos em clínicas serem denunciados no Rio

Vítimas tiveram corpo deformado após procedimentos estéticos com a médica Ana Paula Lima de Souza Mariano — Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

RESUMO

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GERADO EM: 12/07/2026 - 20:49

Cremerj alerta para riscos de morte em procedimentos estéticos ilegais no Rio

O Cremerj alerta sobre riscos de morte em procedimentos estéticos no Rio,após denúncias de práticas por não médicos. Complicações graves,como necrose e embolia,podem ocorrer quando feitos fora de ambiente médico adequado. O Conselho reforça que tais procedimentos são atos médicos e devem ser realizados por especialistas,em hospitais. Vítimas relatam desconhecimento das substâncias aplicadas,agravando os riscos.

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O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) fez um alerta após as denúncias envolvendo clínicas de estética no estado reveladas pelo GLOBO. Segundo a entidade,procedimentos estéticos invasivos podem provocar complicações irreversíveis e até levar à morte quando realizados por profissionais sem habilitação médica e fora da estrutura adequada. O conselho afirma que aplicações de substâncias,procedimentos para retirada de gordura e outras técnicas invasivas são considerados atos médicos e chama atenção para o aumento de complicações graves,como necrose,embolia e morte.

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Os casos vieram à tona após denúncias registradas na Delegacia do Consumidor (Decon) por pelo menos 24 vítimas de clínicas de estética no Rio. As pacientes relatam terem sido submetidas a procedimentos invasivos realizados por profissionais não médicos e,em muitos casos,afirmam não saber exatamente qual substância foi aplicada em seus corpos.

Em uma das investigações,envolvendo uma clínica na Barra da Tijuca,Zona Oeste do Rio,pacientes afirmam ter procurado uma biomédica para realizar um procedimento anunciado como endolaser,mas dizem ter descoberto posteriormente que também houve aspiração de gordura por meio de cânulas. Já em São João de Meriti,na Baixada Fluminense,mulheres relatam aplicações nos glúteos que evoluíram para infecções,necessidade de cirurgias,biópsias e acompanhamento hospitalar. Há ainda vítimas que afirmam desconhecer,até hoje,qual produto foi injetado em seus corpos.

Segundo o Cremerj,o número de complicações relacionadas a procedimentos estéticos realizados por profissionais não médicos tem crescido de forma expressiva. A entidade afirma que vêm sendo registrados,com frequência,casos de necrose,perda de estruturas do rosto,embolias e mortes.

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Na avaliação do conselho,esse aumento está relacionado à ampliação da oferta de procedimentos invasivos por profissionais de outras categorias da saúde,autorizados por resoluções editadas por seus respectivos conselhos. O Cremerj afirma que diversas dessas normas vêm sendo questionadas judicialmente e reforça que,no entendimento da medicina,procedimentos invasivos devem ser realizados exclusivamente por médicos.

De acordo com o entendimento do Conselho Federal de Medicina,seguido pelos Conselhos Regionais,procedimentos estéticos invasivos que utilizam substâncias injetáveis,fios de sustentação,bloqueios anestésicos e toxina botulínica (Botox),entre outras técnicas,são considerados atos médicos.

“Os procedimentos estéticos invasivos,que utilizam substâncias injetáveis,bloqueios e podem atingir vasos sanguíneos e nervos,são atos médicos. Não são apenas os procedimentos cirúrgicos. Essas intervenções podem causar complicações graves e exigem conhecimento técnico para prevenir e tratar esses eventos”,diz a nota.

Procedimentos para retirada de gordura

O posicionamento do conselho é ainda mais rigoroso quando o procedimento envolve retirada de gordura. Nos relatos reunidos pelo GLOBO,pacientes afirmam que procuraram clínicas para realizar procedimentos apresentados como “endolaser”,mas relatam que,durante a intervenção,também houve aspiração de gordura por meio de cânulas. Segundo o Cremerj,independentemente da nomenclatura utilizada comercialmente — como “minilipo”,“hidrolipo” ou técnicas associadas ao laser — qualquer procedimento que invada a camada de gordura para removê-la caracteriza uma lipoaspiração.

Nesses casos,afirma o conselho,a intervenção deve ser realizada exclusivamente por médicos especialistas,em ambiente hospitalar,com anestesista,monitoramento contínuo e estrutura para atendimento de emergência.

“A lipoaspiração é um procedimento médico cirúrgico. Qualquer técnica que invada a camada de gordura para removê-la é um procedimento agressivo e invasivo,que deve ser realizado apenas por médicos especialistas,com anestesista e unidade de terapia intensiva disponível”,diz o Cremerj.

Embolia,necrose e risco de morte

Segundo o Cremerj,uma das principais preocupações é a possibilidade de a substância ou a gordura atingir acidentalmente vasos sanguíneos durante o procedimento. Nessas situações,podem ocorrer embolia gordurosa,embolia pulmonar,parada cardiorrespiratória e até morte.

“O profissional pode injetar inadvertidamente em uma veia ou artéria e causar uma grande embolia. Essa embolia pode evoluir para uma embolia pulmonar e levar a uma parada cardiorrespiratória fatal. Mesmo quando o procedimento é realizado em hospitais,por médicos habilitados e seguindo todos os protocolos,ainda existe risco de intercorrências. Fora desse ambiente,o risco é ainda maior”.

Além das complicações sistêmicas,o conselho alerta que aplicações em regiões como rosto e glúteos também podem provocar lesões graves quando comprometem a circulação sanguínea.

“Um procedimento injetável pode atingir um nervo ou um vaso,causar isquemia e necrose. A pessoa pode perder parte do nariz,do lábio ou precisar de cirurgias plásticas extensas para reparar os danos”,diz o Cremerj.

Substância desconhecida dificulta tratamento

Entre as vítimas ouvidas pela reportagem,algumas afirmam que nunca viram as embalagens dos produtos utilizados durante os procedimentos e,não sabem qual substância foi aplicada. Segundo o Cremerj,essa falta de informação dificulta o atendimento médico e pode impedir tratamentos específicos.

“Quando não se sabe qual substância foi utilizada,muitas vezes não é possível buscar um antídoto específico. Em alguns casos,sequer é possível retirar esse material do organismo. O médico acaba tratando apenas as complicações,como reações alérgicas graves,embolias ou outras intercorrências que coloquem a vida do paciente em risco”,diz o Conselho.

Como reduzir os riscos

Para quem pretende realizar algum procedimento estético,a orientação do Cremerj é verificar se o profissional é médico e se possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE),documento que comprova oficialmente sua formação na área.

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