
A sede do Supremo Tribunal Federal — Foto: Antonio Augusto/STF
GERADO EM: 08/06/2026 - 19:02
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
Desde 2020,nunca houve tantos anúncios com menções ao STF nas plataformas da Meta quanto nos primeiros cinco meses desse ano. O levantamento,feito pela NetLab UFRJ,mostra uma explosão desse conteúdo nas redes sociais,superando os picos que tradicionalmente aconteciam somente durante as eleições,como em 2022 e 2024. A maioria das publicações,conclui a análise,tem tom crítico à Corte,com vinculações ao caso Master e reclamações de grupos conservadores sobre o julgamento que declarou inconstitucional uma lei estadual do Espírito Santo que permitiria a pais impedir a participação de estudantes em aulas relacionadas a gênero e diversidade sexual.
Caso Master: Ciro Nogueira pode voltar a falar com o irmão após Mendonça revogar cautelaresLeia também: Flávio Bolsonaro critica ‘canetadas’ do STF e sugere ligações de Dino e Lula com o crime organizado
Nos 77 meses analisados pela NetLab,entre 2020 e 2026,houve 55,2 mil anúncios com menções ao STF publicados por 8,2 mil páginas. Foram identificados três picos: durante as eleições de 2022,as de 2024 e os primeiros meses de 2026,quando houve 8,9 mil anúncios publicados por 1,5 mil páginas. Isso significa que o último período concentra 16,1% de todos os anúncios observados.
Assim,o NetLab conclui que há "uma centralidade crescente do STF no debate político digital" e que isso deve se intensificar ainda mais com a chegada das eleições neste ano. Considerando o pico de um mês específico,o número de setembro de 2024 continua sendo o maior: 3.114. No entanto,o recorde deve ser batido até o final de 2026,aponta o estudo,considerando a tendência atual,já que a média mensal desde julho de 2025 está em 1.734 peças por mês,volume 141,8% superior à média registrada em todo o período monitorado,de 717 anúncios mensais.
As 15 páginas que mais impulsionaram anúncios com menções ao STF e seus ministros neste ano foram responsáveis por 19% (1.694) das peças desde 2020. Dessas,12 promovem conteúdos com um viés crítico ou antagonista em relação às ações do STF e aos seus integrantes: a iniciativa Ninguém Acima da Lei; o portal Revista Oeste; o empresário e pré-candidato a deputado federal João Martins (PSD-SC); o ex-deputado federal e pré-candidato Alexis Fonteyne (Novo-SP); o advogado Fabio Pagnozzi,que atuou na defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP); o ex-deputado federal e pré-candidato Rodrigo Coelho (MDB-SC); o influenciador e pré-candidato a deputado federal Danilo Visconti (Podemos-SC); o ex-deputado federal Hissa Abrahão (Republicanos-AM); o vereador de São Paulo Adrilles Jorge (União-SP); o ex-deputado estadual e pré-candidato Capitão Contar (PL-MS); e os deputados federais Ubiratan Sanderson (PL-RS) e Marcos Pollon (PL-MS).
A análise frisa que não é possível apontar todos os anúncios como "antidemocráticos ou violentos". A iniciativa Ninguém Acima da Lei,que lidera o ranking,elaborou um abaixo-assinado que pede um código de conduta para o STF e outros tribunais superiores. A campanha tem participação de organizações como o Movimento Orçamento Bem Gasto,Transparência Brasil,Movimento Pessoas à Frente,República.org e 5 Pacto pela Democracia.
Para aprofundar os temas mais recorrentes nos anúncios,o NetLab analisou 543 peças publicitárias,impulsionadas por 158 páginas diferentes,que estavam ativas e em circulação no final de maio de 2026. O estudo concluiu que 60% (326 anúncios) era crítica ao STF e seus ministros.
As críticas se dividem em quatro grandes eixos temáticos recorrentes: alegações de interferência nos direitos das famílias,com críticas ao julgamento que tornou inconstitucional uma lei estadual do Espírito Santo que permitiria a pais impedir a participação de estudantes em atividades escolares relacionadas a gênero,sexualidade e diversidade sexual; questionamentos à legitimidade institucional,com críticas aos custos e à suposta falta de transparência da Corte; acusações de corrupção e enriquecimento ilícito,com vinculação de ministros ao caso Master; e clamores por reformas institucionais por diversas lideranças políticas,como Renan Santos,pré-candidato à Presidência pelo Partido Missão.
No levantamento,a NetLab UFRJ criticou a transparência "insuficiente" das grandes plataformas de redes sociais. No Brasil,a Biblioteca de Anúncios da Meta é um dos poucos mecanismos que possibilitam o acompanhamento sistemático da publicidade paga em plataformas digitais. Ainda assim,apresenta limitações.

© Hotspots da moda portuguesa política de Privacidade Contate-nos