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'PCC, o salve geral': atentados de 2006 só pararam após reunião costurada por facção junto a autoridades paulistas

Headers_PCC-Especial-DIA-4 — Foto: Arte O GLOBO

A onda de atentados do Primeiro Comando da Capital (PCC) em maio de 2006 só parou depois de uma reunião,a portas fechadas,entre autoridades do governo paulista e o chefe da facção,Marco Willians Herbas Camanho,o Marcola. O encontro arquitetado pelos próprios integrantes do PCC,conforme relatam integrantes do Ministério Público de São Paulo (MPSP),é tema de mais um episódio do podcast “PCC: o salve geral”,uma produção do jornal O GLOBO e da rádio CBN.

Além de estar disponível nos sites do GLOBO e da CBN,o podcast PCC - O Salve Geral pode ser consumido no spotify

O PCC havia começado uma série de ataques a ônibus e prédios públicos,impondo um toque de recolher velado em São Paulo enquanto assassinava agentes das forças de segurança naquela sexta-feira,dia 12 de maio. O movimento se deu em represália à transferência de 765 lideranças da facção para presídios com regras mais rigorosas.

Episódio 3: A reunião

No segundo dia de atentados,o braço da facção que executava as ordens nas ruas já apresentava sinais de exaustão,com falta de munição e desgaste dos soldados do crime. De acordo com promotores,esses membros do PCC buscavam saber se deveriam continuar ou parar a ofensiva. Como o contato com as lideranças isoladas nas cadeias foi interrompido,eles arquitetaram uma reunião para se comunicar com Marcola. Mas precisavam de uma estratégia para convencer as autoridades a permitir o encontro.

Para tal,integrantes do PCC nas ruas procuraram a Nova Ordem,uma organização que se apresentava publicamente como uma entidade voltada à ressocialização de detentos e apoio a seus familiares. Segundo as investigações,contudo,ela servia de instrumento para lavagem de dinheiro da facção. A intenção era que a ONG levasse a proposta ao governo de São Paulo para promover a reunião.

Mediação de advogada

A ideia era fazer uma conferência por telefone entre as lideranças nas ruas e no sistema penitenciário. Para isso,entretanto,era preciso entrar no presídio com um celular. Foi então que a advogada criminalista e ex-delegada Iracema Vasciaveo,que fazia parte da Nova Ordem,procurou a Polícia Civil paulista com uma proposta com ares de solução para a crise. Ela disse que tinha condições de parar os ataques,desde que conseguisse comprovar a integridade física das lideranças que se encontravam isoladas — o que só seria possível se fosse ao encontro de Marcola.

— Quando a advogada contatou a polícia para fazer o contato com Marcola,era evidente que ela estava fazendo a intermediação junto com aquelas lideranças do PCC que estavam na rua. Elas estavam sofrendo reveses,e precisavam de um comando,de uma ordem para continuar ou parar os ataques. Esses líderes nas ruas usaram a ONG como intermediária para fazer o contato com autoridades e tentar uma comunicação com o Marcola — explica Marcio Sergio Christino,procurador de Justiça do MPSP e autor do livro “Laços de sangue”,que investiga a facção desde os anos 90.

As informações estão na denúncia do sequestro da equipe da TV Globo,composta pelo repórter Guilherme Portanova e o cinegrafista Alexandre Calado,em agosto de 2006. Integrantes da ONG Nova Ordem,a mesma entidade que intermediou a reunião com Marcola,foram os responsáveis por manter a equipe em cárcere,meses depois,para forçar a exibição de um manifesto em rede nacional exigindo melhorias no sistema prisional e o fim do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD),que estabelece regras mais rígidas a encarcerados.

“As ações criminosas protraíam-se no tempo. Com as lideranças e os principais membros isolados nos dois presídios referidos,o contato entre os ‘pilotos’ — que se encontravam livres e comandavam os ataques — e as lideranças foi interrompido. Tal situação criou dúvidas na base da organização,que não sabia se deveriam prosseguir nos ataques ou simplesmente cessá-los,havendo necessidade de se providenciar um contato com os líderes que haviam sido isolados”,diz trecho da denúncia.

O primeiro contato da advogada Iracema Vasciaveo com a Polícia Civil ocorreu no sábado,13 de maio,já no dia seguinte ao início da onda de ataques. Em um primeiro momento,a corporação foi contrária à proposta. A sugestão de Iracema,porém,foi comunicada ao secretariado do governador de São Paulo à época,Cláudio Lembo. Depois de algumas discussões,Lembo aceitou a proposta de promover uma reunião entre representantes do Executivo estadual e Marcola.

O governo de São Paulo cedeu um avião da Polícia Militar para levar a advogada e autoridades ao interior. Estavam na comitiva rumo à Presidente Bernardes a própria Iracema Vasciaveo; Antônio Ruiz Lopes,então corregedor da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP); José Luiz Ramos Cavalcanti,delegado da Polícia Civil designado para fiscalizar o encontro e garantir que não houvesse negociação de acordos; e o coronel Ailton Araújo Brandão,então comandante da PM na região de Presidente Prudente.

A ponte aérea no avião estadual foi confirmada anos depois pelo próprio Carlos Lembo. Embora avalie que o encontro da advogada com Marcola foi decisivo para conter a crise,o ex-governador sempre negou qualquer tipo de acordo formal entre faccionados e o Poder Público.

Sem bloqueio de celular

O encontro ocorreu em 14 de maio,um domingo,no presídio de segurança máxima do município no interior paulista. Ao chegar na sala da diretoria do presídio,Marcola demonstrou domínio da situação e questionou por que havia sido isolado no RDD. Para viabilizar a comunicação por ligação telefônica exigida pelo PCC,o Estado permitiu o desligamento do sistema de bloqueio de sinal de celular da unidade,de acordo com documentos obtidos pelo GLOBO.

Mas Marcola,que nunca fala ao telefone para não produzir provas contra si,recusou-se a ligar. Autorizou seu braço direito,o preso Luis Henrique Fernandes,o LH,a usar o celular da advogada. O número da liderança na rua já estava gravado na memória do aparelho. LH transmitiu o recado de que o “chefe” estava bem e sugeriu que,se os comparsas quisessem parar,poderiam. O recado foi suficiente: em 48 horas,as rebeliões e os ataques coordenados cessaram em todo o estado.

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya,do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) do MPSP,classifica o episódio como um “atestado de fraqueza do Estado”:

— De qualquer maneira,foi um equívoco. Você mandar uma advogada do PCC num avião do governo,com autoridades do governo,para ir negociar com o líder,é o fim da picada — opina.

Depois que os atentados pararam,o revide da polícia ocorreu em uma crescente. Homens encapuzados mataram centenas de civis,a maioria inocentes,nas periferias de São Paulo. A guerra deixou o total de 564 mortos — 59 agentes públicos e 505 civis.Paulo para promover a reunião.

A ideia era fazer uma conferência por telefone entre as lideranças nas ruas e nos presídios. Para isso,era preciso entrar no presídio com o celular. Foi então que a advogada criminalista e ex-delegada Iracema Vasciaveo,integrante da Nova Ordem,procurou a Polícia Civil de São Paulo com uma proposta com ares de solução para a crise. Ela disse que tinha condições de parar os ataques,desde que conseguisse comprovar a integridade física das lideranças que se encontravam isoladas. Para isso,precisaria ir ao encontro de Marcola.

— Quando a advogada contatou a polícia para fazer o contato com Marcola,de uma ordem para continuar ou parar os ataques. Esses líderes nas ruas usaram a ONG como intermediária para fazer o contato com autoridades e tentar uma comunicação com o Marcola — explicou Marcio Sergio Christino,procurador de Justiça do MPSP e autor do livro “Laços de Sangue”,que investiga a facção desde os anos 90.

As informações estão na denúncia do sequestro da equipe da Globo,o repórter Guilherme Portanova e do cinegrafista Alexandre Calado,foram os responsáveis pelo sequestro da equipe,para forçar a exibição de um manifesto em rede nacional exigindo melhorias no sistema prisional e o fim do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

“As ações criminosas protraíam-se no tempo. Com as lideranças e os principais membros isolados nos dois presídios referidos,o contato entre os “pilotos” – que se encontravam livres e comandavam os ataques – e as lideranças foi interrompido. Tal situação criou dúvidas na base da organização,13 de maio. Inicialmente,a polícia foi contrária à proposta. Mas a sugestão de Iracema foi comunicada ao secretariado do governador de São Paulo à época,o governador aceitou a proposta de promover uma reunião entre integrantes do governo e Marcola.

O governo de São Paulo cedeu um avião da Polícia Militar para levar a advogada e autoridades ao interior. Estavam na comitiva rumo à Presidente Bernardes Iracema Vasciaveo; Antônio Ruiz Lopes,corregedor da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP); José Luiz Ramos Cavalcanti,delegado da Polícia Civil (Denarc),designado para fiscalizar o encontro e garantir que não houvesse negociação de acordos; e coronel Ailton Araújo Brandão,comandante da PM na região de Presidente Prudente.

O encontro ocorreu em 14 de maio,no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes,no interior de São Paulo. Ao chegar na sala da diretoria do presídio,Marcola demonstrou domínio da situação,e questionou por que havia sido isolado no RDD. Para viabilizar a comunicação por ligação telefônica exigida pelo PCC,do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo,classifica o episódio como um “atestado de fraqueza do Estado”.

— De qualquer maneira,é o fim da picada — afirmou o promotor.

Depois que os atentados pararam,o revide da polícia ocorreu em um crescente. Homens encapuzados mataram centenas de civis,nas periferias de São Paulo. A guerra deixou o total de 564 mortos — 59 agentes públicos e 505 civis.

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