
Flávio Bolsonaro tratou Daniel Vorcaro como 'irmão' em mensagem vazada — Foto: Cristiano Mariz
GERADO EM: 14/05/2026 - 22:02
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
Integrantes de partidos do chamado Centrão avaliam que a divulgação de áudio entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro,do Banco Master,traz um desgaste grande à campanha do senador à Presidência,mas defendem cautela sobre os impactos que isso possa representar para as eleições e eventuais alianças.
A crise reforçou um desconforto que já existia em setores importantes do Centrão em relação à escolha de Flávio como presidenciável da direita.
Desde o início das articulações para 2026,dirigentes desses partidos vinham tratando o governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas (Republicanos),como o nome mais competitivo do campo conservador,por combinar apoio bolsonarista com menor rejeição política e maior capacidade de diálogo com empresários e setores do centro.
Segundo interlocutores,a crise atual reabriu nos bastidores uma espécie de “viuvez do Tarcísio”,especialmente entre dirigentes que consideravam precipitada a antecipação da candidatura de Flávio.
A avaliação reservada é que o episódio atingiu justamente o principal ativo político explorado pelo bolsonarismo nos últimos anos: o discurso de contraposição à política tradicional e aos escândalos de bastidor.
Continuar Lendo
Políticos do grupo dizem,sob reserva,que qualquer movimento mais explícito de apoio à candidatura do filho de Jair Bolsonaro (PL-RJ) deve ficar em segundo plano agora.
Eles afirmam que é preciso esperar os desdobramentos do caso para avaliar qual o melhor cenário. A avaliação entre políticos é que ainda há cerca de cinco meses até as eleições,em outubro,e que muitas coisas podem acontecer até lá. Nesse sentido,avaliam que não deve ter pressa neste momento para declarar apoio à candidatura de Flávio.
Na quarta-feira,uma reportagem do site Intercept,confirmada pelo GLOBO,citou mensagens,comprovantes bancários e cronogramas de pagamento que indicariam uma negociação de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — entre Vorcaro e aliados da família Bolsonaro para financiar “Dark Horse”,filme sobre a trajetória política do ex-presidente.
Partidos como Republicanos,União Brasil e PP — os dois últimos formaram a federação União Progressista — vinham sendo cortejados pela campanha de Flávio e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A relação com o petista,no entanto,estava fragilizada,e as siglas se aproximaram de Flávio diante da consolidação da candidatura dele,com pesquisas de intenção de voto mostrando-o à frente de Lula.
Integrantes da cúpula da federação,que vinham se aproximando de Flávio,dizem que as articulações para qualquer anúncio de apoio não deverão prosperar. Há um desconforto com a postura do senador,que vinha negando qualquer relação com Vorcaro até o momento. Além disso,dizem que o desgaste se acentuou na semana passada,quando o parlamentar divulgou nota defendendo André Mendonça,do Supremo Tribunal Federal,após operação da Polícia Federal mirar o presidente do PP,Ciro Nogueira (PI). A avaliação de políticos da federação é que a nota foi dura com Ciro e que não havia necessidade desse posicionamento.
A divulgação de mensagens,áudios e tratativas do próprio presidenciável com Vorcaro provocou irritação imediata entre aliados de Ciro e dirigentes do Centrão. Segundo relatos,integrantes do PP passaram a afirmar reservadamente que Flávio havia “jogado Ciro na cova dos leões” para proteger sua pré-campanha e acabou atingido pelo mesmo desgaste menos de uma semana depois.
O desconforto aumentou ainda mais pelo tamanho dos valores mencionados nas negociações para financiar o filme “Dark Horse”,produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Integrantes do Centrão também passaram a demonstrar estranheza com versões desencontradas dadas posteriormente por aliados sobre o fluxo dos recursos ligados ao projeto. Flávio assumiu ter pedido dinheiro ao banqueiro,mas o deputado Mário Frias (PL-SP),responsável pela produção,disse que “nenhum centavo” do banqueiro foi usado.
Reservadamente,dirigentes de partidos do Centrão afirmam que a percepção interna é de que haverá ainda muitos desdobramentos até outubro diante do avanço das investigações sobre o escândalo do Master. Eles dizem que esses casos recentes são apenas o começo de uma crise que tem potencial para atingir integrantes dos três Poderes e novos desdobramentos políticos. Um cardeal do grupo diz que existe um temor generalizado entre os políticos sobre o avanço dessas investigações e,sobretudo,do conteúdo de uma eventual delação premiada de Vorcaro.

© Hotspots da moda portuguesa política de Privacidade Contate-nos