Lula e Alcolumbre conversam durante evento de posse de José Guimarães como ministro — Foto: Cristiano Mariz / O Globo

Lula e Alcolumbre conversam durante evento de posse de José Guimarães como ministro — Foto: Cristiano Mariz / O Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não assimilou completamente a derrota de seu indicado a uma vaga para o Supremo,Jorge Messias,na votação pelo plenário do Senado. Nas reuniões fechadas de avaliação que tem feito com aliados,Lula tem dito que não fará nada de cabeça quente. Mas já mandou mapear todos os cargos que o presidente do Senado,Davi Alcolumbre,controla na administração petista. E embora tenha descartado uma guerra aberta contra aquele que ele considera o principal artífice de sua derrota no Congresso,Lula ainda não descartou a possibilidade de uma retaliação.
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“Nos últimos tempos deixamos Alcolumbre ficar muito solto,agora vamos vigiar ele de perto”,disse ao blog um auxiliar de Lula que participou de algumas das conversas do presidente sobre o caso Messias nos últimos dias. O mapeamento de cargos é uma das providências tomadas a pedido do presidente,que também avalia Messias no Ministério da Justiça ou se aguarda para reapresentar seu nome ao Senado até o final do mandato.
Nenhuma dessas hipóteses,porém,agrada aos integrantes mais pragmáticos do Planalto,que defendem que o presidente faça um “gesto” de pacificação com Alcolumbre,trazendo o adversário para perto ao invés de afastá-lo ainda mais.
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Essa ala menos radical do lulismo afirma que é mais importante para o governo garantir a tramitação rápida de propostas prioritárias para o projeto de reeleição de Lula,como o fim da escala de trabalho 6 por 1 e a medida provisória do novo Desenrola,que mira a renegociação de dívidas de famílias.
São dois assuntos de forte apelo popular e eleitoral que podem ajudar o petista a se recuperar nas pesquisas de intenção de voto,em que tem aparecido em empate técnico num eventual segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (RJ),pré-candidato pelo PL.
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É esse,aliás,o cenário com que trabalha o círculo mais próximo de Alcolumbre.“O governo Lula fala em retaliação,mas creio que não serão burros de tentar fazer algo do tipo”,comenta um aliado do presidente do Senado ouvido reservadamente pelo blog.
A leitura é a de que,neste momento,Lula precisa mais de Alcolumbre do que o contrário e por isso o Planalto deve fazer os devidos cálculos políticos para não dificultar ainda mais as condições de governabilidade.
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O presidente,ainda não se convenceu de que não responder ao presidente do Senado vá lhe garantir paz. Ele prometeu a auxiliares pensar sobre o assunto durante a visita aos Estados Unidos para o encontro com Donald Trump e bater o martelo sobre os próximos movimentos só após a volta.
Com apenas 34 votos favoráveis,sete a menos que o exigido pela Constituição Federal,Messias foi impedido de assumir a vaga aberta no STF com a antecipação da aposentadoria de Luís Roberto Barroso,em outubro do ano passado. Na história da República,apenas o presidente Floriano Peixoto sofreu um revés desse tipo – com a rejeição de cinco indicados,todos barrados em 1894.
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A articulação anti-Messias nos bastidores envolveu o próprio Flávio Bolsonaro,que enquadrou o PL para impedir traições,o ministro do STF Alexandre de Moraes e Alcolumbre,que nunca escondeu de ninguém a preferência pela indicação de Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Segundo relatos obtidos pelo blog,Alcolumbre não apenas pediu votos contra,mas chegou a pressionar lideranças partidárias– como Ciro Nogueira (PP-PI),que já tinha anunciado que votaria a favor de Messias — para impedir que parlamentares dessem seus votos ao candidato de Lula. Só a bancada do PP reúne sete senadores.
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Os aliados de Alcolumbre no governo Lula estão espalhados pela Esplanada dos Ministérios,ocupando cargos no Ministério das Comunicações,no Ministério do Desenvolvimento Regional,no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) – cujo atual presidente,Lucas Felipe de Oliveira,foi indicado pelo senador do Amapá no ano passado.
Alcolumbre também emplacou aliados em uma série de agências estatais,mas como nelas há mandatos,isso dificulta uma eventual interferência política do governo Lula nesse momento.

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