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Entenda por que cientistas deram cocaína a salmões — e os riscos da poluição para a vida aquática

Imagem mostra jovens salmões do Atlântico — Foto: Jörgen Wiklund via The New York Times RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

Imagem mostra jovens salmões do Atlântico — Foto: Jörgen Wiklund via The New York Times

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GERADO EM: 28/04/2026 - 18:49

Efeitos da Cocaína em Salmões Revelam Riscos da Poluição Aquática

Cientistas na Suécia investigaram os efeitos da cocaína em salmões juvenis para entender o impacto da poluição de drogas nos ecossistemas aquáticos. Com implantes de liberação lenta,os peixes nadaram mais e se dispersaram,sugerindo que a exposição a contaminantes pode alterar comportamentos e ecossistemas. O estudo ressalta a necessidade de tratar resíduos químicos em sistemas de esgoto.

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Cientistas implantaram dispositivos que liberavam cocaína e substâncias derivadas da droga em salmões juvenis para investigar um problema crescente nos rios e lagos do mundo: a contaminação da água por resíduos de entorpecentes descartados no esgoto. O resultado repercutiu após a publicação da pesquisa em 20 de abril,chamando a atenção pela reação dos peixes ao principal metabólito do entorpecente: eles nadaram até 1,9 vez mais por semana e se afastaram mais do ponto de soltura do que os animais não contaminados.

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A pesquisa,publicada na revista Current Biology,acompanhou 105 salmões do Atlântico em um lago natural na Suécia,o Vättern. Os animais receberam implantes de liberação lenta com cocaína,com benzilecgonina — principal produto da decomposição da droga no organismo e no ambiente,como é encontrado em águas poluídas — ou com nenhuma substância,no caso do grupo de controle. Depois,foram monitorados por telemetria acústica durante oito semanas.

Segundo os pesquisadores,o objetivo não era “drogar” os peixes de forma artificial,mas sim simular a exposição contínua a compostos que já têm sido detectados em ambientes aquáticos,principalmente em regiões urbanas abastecidas por sistemas de esgoto insuficientes para remover contaminantes químicos.

Pesquisador segura cápsulas de liberação lenta — algumas contendo cocaína,outras com um composto gerado quando o organismo metaboliza a droga — do tipo implantado em dezenas de salmões de 2 anos — Foto: Jörgen Wiklund via The New York Times

Os dados mostraram que a benzilecgonina provocou efeitos ainda maiores do que a própria cocaína. Os salmões expostos ao metabólito se deslocaram até 12,3 quilômetros a mais do que os peixes não expostos,ampliando sua área de circulação no lago.

Impactos ambientais

Para os cientistas,essa mudança de comportamento pode trazer impactos ecológicos relevantes. Ao gastar mais energia nadando e se deslocando para áreas incomuns,os peixes podem encontrar habitats inadequados,ficar mais vulneráveis a predadores e comprometer o crescimento e a alimentação.

Cientistas analisam gelo da Antártica em busca de pistas sobre mudanças climáticas

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Cientistas levam gelo da Antártica para laboratório belga em busca de pistas sobre mudanças climáticas — Foto: Nicolas Tucat/AFP

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Missão financiada pela UE trouxe amostras de 1,2 milhão de anos — Foto: Nicolas Tucat/AFP

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Esse gelo pode fornecer informações cruciais aos climatologistas que estudam os efeitos do aquecimento global — Foto: Nicolas Tucat/AFP

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Cientistas vestindo parkas cortam núcleos de gelo da Antártica com dezenas de milhares de anos em busca de pistas sobre as mudanças climáticas — Foto: Nicolas Tucat/AFP

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Presas dentro dos pingentes cilíndricos estão pequenas bolhas de ar que podem fornecer uma imagem de como era a atmosfera da Terra naquela época — Foto: Nicolas Tucat/AFP

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Gelo que remonta a milhões de anos pode ser encontrado nas profundezas da Antártica,perto do Polo Sul,enterrado sob quilômetros de gelo e neve mais frescos — Foto: Nicolas Tucat/AFP

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Para cortar custos,a equipe da VUB e da vizinha Université Libre de Bruxelles (ULB) usaram dados de satélite e outras pistas para encontrar áreas onde o gelo antigo poderia ser mais acessível — Foto: Nicolas Tucat/AFP

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Dentro de um robusto prédio de cimento da ULB na capital belga,eles estão sendo cortados em pedaços menores para depois serem enviados a laboratórios especializados na França e na China para datação — Foto: Nicolas Tucat/AFP

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Missão financiada pela UE trouxe amostras de 1,2 milhão de anos

A bióloga Rachel Ann Hauser-Davis,da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz),que não participou do estudo,mas lidera pesquisas semelhantes no Brasil,avaliou que a pesquisa representa um avanço importante por mostrar efeitos em ambiente natural,e não apenas em laboratório. Ela ponderou,porém,que o uso de implantes de liberação lenta não reproduz perfeitamente a forma como a contaminação ocorre na natureza.

Os autores alertam que o problema pode atingir outras espécies aquáticas. Estudos anteriores,como o da Fiocruz,já identificaram efeitos de drogas ilícitas e medicamentos em enguias,crustáceos e até tubarões. A conclusão é que resíduos humanos lançados nos cursos d’água podem alterar cadeias alimentares e dinâmicas populacionais de forma ainda pouco compreendida.

Além da poluição química,o salmão do Atlântico já enfrenta pressões como mudanças climáticas,perda de habitat e barragens. Para os pesquisadores,a contaminação por cocaína e seus derivados pode se somar a esses fatores e agravar a situação da espécie.

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