Membros do Hezbollah formam-se durante uma reunião no subúrbio ao sul de Beirute. — Foto: AFP/Anwar Amro

Membros do Hezbollah formam-se durante uma reunião no subúrbio ao sul de Beirute. — Foto: AFP/Anwar Amro
GERADO EM: 17/04/2026 - 05:24
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O Hezbollah afirmou ter “o dedo no gatilho” caso Israel viole o cessar-fogo em vigor no Líbano,em meio a um cenário de desconfiança poucas horas após o início da trégua. O acordo,mediado pelos Estados Unidos,entrou em vigor às 18h (horário de Brasília) desta quinta-feira e prevê uma pausa inicial de 10 dias nos confrontos.
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Em um comunicado,o Hezbollah afirma ter realizado durante a guerra de 45 dias “2.184 operações militares” contra Israel e o Exército israelense em território libanês.
“Os combatentes manterão o dedo no gatilho porque desconfiam da traição do inimigo”,acrescenta.
A declaração do grupo ocorre após o Exército libanês acusar Israel de realizar ataques e “bombardeios intermitentes contra diversas aldeias” no sul do país logo após o início do cessar-fogo. Não houve confirmação de vítimas,e o governo israelense não comentou as acusações.
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Do lado do Hezbollah,o grupo também afirmou ter atingido posições israelenses perto da cidade de Khiam,indicando que a trégua já enfrenta tensões no terreno.
O cessar-fogo foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos,Donald Trump,após conversas com o presidente libanês,Joseph Aoun,e o primeiro-ministro de Israel,Benjamin Netanyahu. A ofensiva israelense contra o Hezbollah,que antecedeu o acordo,deixou mais de 2 mil mortos e cerca de 1 milhão de deslocados no Líbano.
Pelos termos do acordo,Israel mantém o direito de autodefesa,mas não pode realizar ataques contra alvos no território libanês. A trégua pode ser prorrogada caso haja avanço nas negociações.
O acordo enfrenta desafios estruturais,especialmente em relação ao papel do Hezbollah. Os termos preveem que o Líbano deve garantir que apenas suas forças de segurança atuem na defesa nacional,o que implica limitar a atuação do grupo armado,que não participou das negociações,mas declarou que respeitaria a trégua.
O primeiro-ministro israelense,Benjamin Netanyahu,já indicou que qualquer negociação passa pelo desarmamento do Hezbollah e por um acordo de paz “alcançado pela força”.
Outro ponto de tensão é a presença militar israelense no território libanês. Netanyahu afirmou que tropas permanecerão em uma faixa de 10 km dentro do Líbano durante o período da trégua,enquanto a definição da fronteira entre os países segue em aberto.
O cessar-fogo ocorre em meio a um cenário humanitário crítico,com mais de 2 mil mortos,cerca de 7 mil feridos e deslocamento em massa da população. Mesmo com a trégua,autoridades alertam que ainda não é seguro o retorno imediato às áreas afetadas.
Entre civis,o acordo é visto como um alívio após semanas de bombardeios. “Queremos paz e esperamos que o Irã não a obstrua. Estamos extremamente cansados. Vivemos muitas guerras e queremos descanso”,afirmou o trabalhador Kamal Ayad,em Beirute.

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