Garrafa especial de vinho do Porto vendida na loja do museu da Taylor\'s,uma das vinícolas mais tradicionais de Vila Nova de Gaia,no Vale do Douro,em Portugal — Foto: Rafael Galdo/O Globo

Garrafa especial de vinho do Porto vendida na loja do museu da Taylor's,uma das vinícolas mais tradicionais de Vila Nova de Gaia,no Vale do Douro,em Portugal — Foto: Rafael Galdo/O Globo
GERADO EM: 04/03/2026 - 19:16
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Os sabores marcantes do vinho do Porto são garantidos por meio de uma fortificação da bebida com a adição de aguardente vínica antes do fim de seu processo de fermentação. Clima e solo onde as plantações estão são outros fatores que contribuem para a produção desse ícone. Na região do Douro,por exemplo,as pedras de xisto no solo recebem calor e o liberam para as raízes à noite. Esse solo também retém água,o que permite com que as vinhas de vinho do Porto não sejam regadas no verão.
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Outro ponto forte é a variedade de uvas,mais de cem,que produzem 80 diferentes vinhos tintos e 20 brancos.
— No vinho do Porto queremos complexidade de aromas,de sabor — resume Susana Vigário,guia do museu Taylor’s,em Vila Nova de Gaia.

Parreirais da Quinta da Roêda,uma das vinícolas tradicionais no povoado do Pinhão,no norte de Portugal — Foto: Rafael Galdo/O Globo
Tudo importa na produção,dos cascos em que os vinhos envelhecem ao tempo em que eles permanecem nos tonéis.
— Vinho do Porto é um exercício de paciência — diz Miguel Campos,diretor de operações responsável pelo enoturismo nas quintas do Panascal,Roêda e Celeirós.
E se qualquer mudança pode influir nos sabores,é uma produção que,hoje,também é afetada pelas transformações climáticas,como verões cada vez mais quentes,que exigem adaptações também nas plantações das uvas. Na Quinta da Roêda,no Vale do Rio Douro,houve uma redução de 40% dos produtos químicos,trazendo de volta métodos tradicionais,combinados com técnicas modernas,como as estações trilógicas (temperatura,chuva e vento),que ajuda a tomar a decisão,de quais uvas vão ser colhidas em qual dia.
— Tudo é pensado para não usar pesticidas,manter o Rio Douro vivo — diz Campos.

Azulejo na estação ferroviária do povoado do Pinhão,mostra a colheita da uva na maneira tradicional — Foto: Rafael Galdo/O Globo
Apesar dos esforços,em 2025 a região do Douro enfrentou queda de 24% na produção devido a uma longa sequência de dias de calor acima no normal. Para fazer sua parte para alterar esse cenário,desde 2018 Andrian Bridge,CEO da Fladgat,e o ex-presidente americano Barack Obama lançaram o movimento Porto Protocol. Hoje,mais de 500 empresas envolvidas,entre produtores,distribuidores e lojas,compartilham experiências que dão certo localmente e que podem ser replicadas em outros lugares.
— Com as mudanças climáticas,não temos tempo de inventar a roda. Há muitas empresas e pessoas que têm soluções. O problema é que,às vezes,elas ficam isoladas. Não pode. A realidade é que estamos todos num mesmo mundo,então temos que compartilhar as soluções. Adotá-las mais rapidamente. Se fizermos isso temos mais capacidade de resolver o assunto — diz Bridges. — Na base do nosso negócio,somos lavradores,muito ligados à terra,e obviamente precisamos adotar soluções.
Rafael Galdo viajou a convite do The Fladgate Partnership

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